GUILHERME DE ANDRADE E ALMEIDA

 

GUILHERME DE ALMEIDA
1890/1969
 

Guilherme de Andrade e Almeida nasceu em Campinas(SP) no ano de 1890. Formou-se em Direito em 1922 e participou da SEMANA DE ARTE MODERNA EM 1922.
SUAS PRINCIPAIS POESIAS

                          POESIAS                      
 

 
Nós (1917); A Dança das Horas (1919);
Messidor (1919);
Livro de Horas de Sóror Dolorosa (1920);
Era uma vez... (1922);
A Frauta que Eu Perdi (Canções Gregas) (1924);
Meu (1925);
A Flor que Foi um Dia Homem (Narciso) (1925);
Encantamento (1925);
Raça (1925);
Sherazade (1926)
Gente de Cinema (1929);
Simplicidade (1929);
Carta a Minha Noiva (1931);
Você (1931);
Cartas Que Eu Não Mandei (1932);
Acaso (1939);
Tempo (1944);
Poesia Vária (1947);
O Anjo de Sal (1951);
Acalanto de Bartira (1954);
Toda a Poesia (1955);
Camoniana (1956);
Pequeno Romanceiro (1957);
Rua (1962);
Rosamor (1965).
ENTRE OUTRAS   ...

 


           VERSOS BRANCOS             


Uma fina saudade vai varando
a quietude cansada do meu tédio.
Mas, saudade do quê? de quem?...
Os dias são bolas de cristal, azuis, polidas,
lisas, sem uma aresta traiçoeira
em que venha prender-se e estraçalhar-se
o véu de um pensamento de outros tempos;
sem nem o esconderijo de uma nuvem
onde fique um olhar longo de outrora
olhando para as cinzas destes instantes;
nem uma sombra forte em que se oculte
um pedaço perdido de passado...
Tudo, em torno de mim, é luminoso,
alto e macio, deslizante e lindo;
tudo é apenas um lúcido presente:
é a negação perfeita da saudade...
E no entanto - por quê? por quem?... - eu vejo
e ouço passar na terra a minha vida
cantando uma cantiga vagarosa
de água que leva flores na descida...




HAIKAIS

CARIDADE

Desfolha-se a rosa.
Parece até que floresce
o chão cor-de-rosa.
infância
Um gosto de amora
comida com sol. A vida
chamava-se: "Agora".
velhice
Uma folha morta.
Um galho, no céu grisalho.
Fecho a minha porta.
noroeste
Dilaceramentos...
Pois tem espinhos também
a rosa-dos-ventos.
o "haikai"
Lava, escorre, agita
a areia. E, enfim, na bateia
fica uma pepita

              A   ÂNFORA DE ARGILA              

 Está cheia de mais minha ânfora de argila
Transborda a essência: és pobre e eu posso repartí-la
contigo,
ó tu que vens de tão longe e tão perto
passas de mim! È longo e estéril o deserto...

Meu vinho é puro e toca os bordos do meu vaso
Antes que o beba o chão,Peregrino do Acaso,
Chega-te e vem matar  no bocal generoso
A eterna sede do teu cântaro poroso!

Enche-o e parte! Depois olha atrás...e recorda
Todo amor Não é mais do que um "EU"
Que trasborda.....

         Guilherme de Almeida

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