
| FERNANDO PESSOA |
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Fernando
António Nogueira Pessoa
Lisboa, 30 de Março de 1933
Nasceu
em Lisboa, freguesia dos Mártires, no prédio nº 4 do Largo de S. Carlos (hoje
do Directório), em 13 de Junho de
1888.
Filiação: Filho legítimo de Joaquim Seabra Pessoa e de D. Maria Madalena
Pinheiro Nogueira. Neto paterno do General Joaquim António de Araújo Pessoa,
combatente das campanhas liberais, e de D. Dionísia Seabra; neto materno do
Conselheiro Luís António Nogueira, jurisconsulto, e que foi director-geral do
Ministério do Reino, e de D. Madalena Xavier Pinheiro.
Profissão: A designação mais própria será "tradutor", a mais
exacta a de "correspondente estrangeiro em casas comerciais". O ser
poeta e escritor não constitui profissão, mas vocação.
Funções sociais que tem desempenhado: Se por isso se entende cargos públicos,
ou funções de destaque, nenhumas.
Obras que tem publicado: A obra está essencialmente dispersa, por enquanto, por
várias revistas e publicações ocasionais. O que, de livros ou folhetos,
considera como válido, é o seguinte: "35 Sonnets" (em inglês),
1918; "English Poems I-II" e "English Poems III" (em inglês
também), 1922, e o livro "Mensagem", 1934, premiado pelo Secretariado
de Propaganda Nacional, na categoria"Poema".
Educação: Em virtude de, falecido seu pai em 1893, sua mãe ter casado, em
1895, em segundas núpcias, com o Comandante João Miguel Rosa, Cônsul de
Portugal em Durban, Natal, foi ali educado. Ganhou o prémio Raínha Vitória de
estilo inglês na Universidade do Cabo da Boa Esperança em 1903, no exame de
admissão, aos 15 anos.
Ideologia política: Considera que o sistema monárquico seria o mais próprio
para uma nação orgânicamente imperial como é Portugal. Considera, ao mesmo
tempo, a Monarquia completamente inviável em Portugal. Por isso, a haver um
plebiscito entre regimes votaria, embora com pena, pela República. Conservador
do estilo inglês, isto é, liberal dentro do conservantismo, e absolutamente
anti-reaccionário.
Posição patriótica: Partidário de um nacionalismo místico, de onde seja
abolidato da infiltração católica-romana, criando-se, se possível for, um
sebastianismo novo, que a substitua espiritualmente, se é que no catolicismo
português houve alguma vez espiritualidade. Nacionalista que se guia por este
Lema: "Tudo pela Humanidade; nada contra a Nação."
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POEMA
II AO LONGE, AO LUAR, NO RIO UMA VELA Ao longe, ao luar, No rio uma vela Serena a passar, Que é que me revela? Não sei, mas meu ser Tornou-se-me estranho, E eu sonho sem ver Os sonhos que tenho. Que angústia me enlaça? Que amor não se explica? É a vela que passa Na noite que fica. Fernando Pessoa, 1921 |
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POEMA
DO AMIGo
Aprendiz
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