CECÍLIA  MEIRELLES

 

            

 Poetisa brasileira. Nasceu no Rio de Janeiro, em 07de novembro de 1901. Diplomou-se na antiga Escola Normal. Ainda estudante, publicou os livros: Baladas para El Rei e Nunca mais, Poema dos poemas, depois, Crianças, Meu amor, livro para a infância. Diz ela própria que seu principal defeito é uma ausência do mundo e seu tormento desejar fazer o bem às pessoas que precisam de auxílio e não o aceitam. É a poetisa brasileira mais conhecida em Portugal. Suas obras completas foram publicadas em 1959, pela Editora José Aguilar. Em 1938 seu livro Viagem foi premiado pela Academia Brasileira de Letras, com elogios especiais de Cassiano Ricardo. Sua mais recente produção foi Vaga Música que assinala momento culminante em sua carreira literária. Cecília Meireles faleceu em 1965.

                                                                                             

       OU ISTO  OU AQUILO

Ou se tem chuva e năo se tem sol
ou se tem sol e năo se tem chuva!  

Ou se calça a luva e năo se pőe o
 anel,
ou se pőe o anel e năo se calça a luva!  

Quem sobe nos ares năo fica no chăo,
quem fica no chăo năo sobe nos ares. 

É uma grande pena que năo se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares! 

Ou guardo o dinheiro e năo compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro. 

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo
e vivo escolhendo o dia inteiro!  

Năo sei se brinco, năo sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.  

Mas năo consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo

           MISTÉRIO DO SEM FIM

 

 


  NO MISTÉRIO DO SEM FIM

 

    EQUILIBRA-SE UM PLANETA

    E,NO PLANETA, UM JARDIM    

 

     E, NO JARDIM, UM CANTEIRO

      NO CANTEIRO, UMA VIOLETA

      E SOBRE  ELA, O DIA  INTEIRO,     

       ENTRE O PLANETA E O SEM FIM

        A ASA DE UMA BORBOLETA

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