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LUIZA
MINHA
NETA
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LUIZA
Cinco
anos se passaram
Já estás uma mocinha no falar,
no pensar, no impor as tuas idéias.
Tento brincar do jeito que gostas
Mas só sei brincar de passado
e você só sabe brincar de futuro.
E
ainda estarei
brincando de recordação
quando você começar
a brincar de esperança.
Mas antes que termine
o nosso recreio juntos
antes que eu me torne
apenas um retrato na parede
uma referência do meu genro
ou uma lágrima de minha filha
quero lhe dizer
minha neta
que vale a pena.
Vale a pena crescer e estudar.
Vale
a pena conhecer pessoas
ter namorados, sofrer ingratidões
chorar algumas decepções
e por causa de tudo isso
ir renovando todos os dias
a sua fé na bondade essencial
da criatura humana
e o seu deslumbramento
diante da vida.
Vale a pena verificar que
não há trabalho que
não traga sua recompensa
que não há livro
que não traga ensinamentos;
que os amigos têm mais para dar
que os inimigos para tirar;
que se formos bons observadores
e sei que você é,
aprenderemos tanto
com a obra do sábio
quanto com a vida do ignorante.
Vale a pena casar e ter filhos.
Filhos, que nos escravizaram
com o seu amor.
Vale a pena viver
nesses assombrosos tempos modernos
em que milagres acontecem
ao virar de um botão;
em que se pode telefonar
da Terra para a Lua;
lançar sondas espaciais
máquinas pensantes à fronteira
de outros mundos e
descobrir na humildade
que toda essa maravilha tecnológica
não consegue, entretanto
atrasar ou adiantar
um segundo sequer
a chegada das estações.
Vale a pena, minha neta
mesmo quando você descobrir
que tudo isso que
estou tentando ensinar
é de pouca valia
porque a teoria não substitui
a prática e cada um
tem que aprender por si mesmo
que o fogo queima
que o vinagre amarga
que o espinho fere e que
o pessimismo não resolve
rigorosamente nada.
Vale a pena, até mesmo
envelhecer como eu
e ter uma neta como você
que me devolveu a infância.
Vale
a pena, ainda
que eu parta cedo
e a sua lembrança de mim
se torne vaga.
Mas, quando os outros
disserem coisas boas de seus avós
quero que você diga de mim
simplesmente isso:
"Minha avó foi aquela que
me disse que valia a pena.
E não é que ela tinha razão!"
vovó Ocirema
12 de março de 2006

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