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LIVROS
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Como era bom! Sentar em
semicírculo com meus irmãos, primos e amigos e ouvir minha mãe lendo
histórias infantis: Branca de Neve, Os Três Porquinhos, Alice no Pais das
Maravilhas e tantas outras.
Meus sonhos eram povoados bem cedo pelas lindas histórias que escutávamos.
Chegou a cartilha ( era usada naquela época) e com o aprendizado a tarefa
de ler passou para mim...Comecei a ler tudo que caia em minhas mãos. Isso
acontece até hoje! Na adolescência li Machado de Assis, Antoine Saint-Exupéry,
Graciliano Ramos, Érico Veríssimo, Menotti del Picchia, Carlos Drummond de
Andrade, Olavo Bilac, Jorge Amado e tantos outros.
Mais tarde no banco das salas de aula como professora, fui entendendo que
ensinar/aprender é um ato regido pelo com. O aluno se ensina na brecha de estar
com ele próprio. Aprendemos juntos na revelação de cada um.
A escola contribui para que a criança perceba que existe, que tem nome próprio
e uma história diferenciada de cada colega. Mas a escola não pode se
responsabilizar pela formação total do indivíduo. O que o aluno recebe nas
poucas horas que estuda, é pouco; ele precisa de muito mais. Necessita de
respeito, comida, informações pelos vários meios de comunicação e de AMOR
constante. Não podemos existir em compartimentos estanques. Ajudar alguém a
crescer é criar juntos possibilidades para que o outro vá aparecendo por ele
mesmo. Ler é um ato de responsabilidade. Entender o ato de ler valoriza as
relações humanas e revê o processo de escrever e ler.Viver a leitura é
experimentar as sensações do texto lido.
O trabalho com a leitura dentro ou fora da escola tem me levado a dar sentido à
vida, a experimentar as cores, o cheiro das plantas.
O olhar é outro, leio para
viver outros olhares, é ler afetos,é encontrar-se, é reconhecer-se, é
relacionar-se, encontro do autor com o leitor, sentindo que são forças positivas para continuar vivendo,
lendo e aprendendo.
Ocirema
agosto 2005
