DESESPERANÇA

       

Bailam as folhas ao sabor do vento
Num frenesi de sonhos desfolhados
 
E tu amor,que és todo meu tormento,
Nem ouves meus soluços desolados.

Insensível, volúvel como vento,
Passas cantando, dispersando amor.
Rodopiam as folhas um momento
Tombam exangues, num grito de dor!

Esvoaçam as ilusões perdidas...
Triste balé de sonhos mal vividos
De tantas esperanças fenecidas...

E num grito final, minha alma louca
Fragmentada de sonhos partidos
Num estertor de dor, soluça e espoca!

Myriam
Janeiro de 1952

 

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