rrRETALHOS de SONHOS

 

Sonhando acordada, cheguei ao país encantado onde a fantasia impera.
Num estado de espírito sumamente feliz,debrucei-me na murada do tempo e fiquei a observar o mundo de onde viera.
Olhando assim de tão alto, as pequenas mesquinharias que cotidianamente nos afligem, pareceram-me risíveis.
Na verdade, quantas torturas vãs poderiam ser evitadas, si fôssemos mais compreensivos, menos orgulhosos e insensatos.
Meu devaneio foi interrompido por inefáveis acordes de um violino que esvanecendo-se no ar,traziam a mágoa de um artista que transformava sua dor em suave melodia.
Deslizei então pela mansão etérea indo olhar indiscretamente pela janela do tempo.
Da ogiva de cristal vi um poeta.Trabalhava!Como um feixe de luz as rimas se encaixavam...e o poeta sorria, imaginando o efeito dos seus versos na pessoa a quem os dedicava!
Meus olhos se perderam no horizonte...
O sol como uma poeira dourada derramava-se sobre o universo e as árvores estremeciam de prazer, absorvendo a seiva  da Terra-Mãe num voluptuoso beijo.
Olho mais além e vejo numa velha praça repleta de transeuntes apressados e exaustos do labor intenso do dia;carros buzinam; a confusão é grande e todos se apressam para a volta a casa.
Voando em alegre chilreado, uma imensidade de pássaros voltam para seu velho ninho em busca de abrigo.
Esse instante feliz na tarde de veludo,passa desapercebido no vértice da vida.
Escuto uma voz advertindo-me: visionária, não passas de uma contemplativa! Não se vive de sonhos!
Estremeci...Uma tristeza mansa me envolve e a contra gosto volto a realidade...
A voz do vento gargalha....
Quem vive de ilusões, morre a míngua!!!

Myriam

15 de setembro de 1961

Hosted by www.Geocities.ws

1