MINHA  PRIMA  ONDINA


 

 

 

 

 


Ondina,  mora atualmente no Rio Grande do Sul. Carioca de nascimento, quando criança, morávamos na mesma cidade, estudávamos na mesma escola e  na mesma turma.
Aos dezoito anos, foi para o Rio de Janeiro, para ser bailarina do Municipal. Mais tarde casou-se com um médico, e foi morar em Porto Alegre. Uma ou duas  vezes ao ano´ela volta a nossa cidade para rever a mãe, parentes e amigos. A visita mais recente aconteceu agora, quando veio buscar a mãe para o natal com sua família.
Nos vimos só na véspera de sua partida. É nessa ocasião
que confidenciamos  capítulos da vida que vivemos em separado, com os filhos já crescidos, mas percebendo que somos as mesmas garotas tagarelas  da vida em comum, mais velhas, mais experientes, mas igualmente francas e amigas. Enquanto escrevo, minha prima está voando  para Porto Alegre mas sem antes ter deixado esta história diferente.  No seu último dia, resolveu rever
recantos de sua cidade e acabou entrando na Igreja da Pompéia, onde, quando adolescente assistia à missa das 7 horas. Um amigo, que freqüentava a missa no mesmo horário, sempre lhe reservava  o lugar. Foi no mesmo banco que ela se acomodou de novo. Rezou, recordou sua vida passada e quando se levantou, viu que tinha sentado sobre um papelzinho dobrado.  Abriu, e viu esta mensagem: ”Vinha procurando o sentido da vida, e o encontrei aqui”. Essas palavras fizeram voltá-la no tempo
relembrando uma amizade sincera, capaz de resistir à passagem do tempo, e a tentação do não esquecimento..

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