
Numa
lenta oscilação entre o prazer e a dor, deixo-me absorver pela melancolia.
Que fazer?
Nós somos duas linhas paralelas, que se alongam pelo espaço, sem a ilusão
de se encontrarem algures.
Entre nós haverá altruísmo, incoerência ou resignação?
Não sei. Sei que é doce ver você caminhar do meu lado, embora convicta, da
intransponível distância que nos separa.
Preciso crer que também sentes a mesma ternura que me enleia.
Desse sutil e invisível laço espiritual é que minha alma se nutre.
Nossos destinos são como linhas paralelas, que jamais se encontram, mas não
se perdem de vista.
Vamos LADO A LADO, como um romântico par de namorados.
Do nosso amor, somos uma vida em dois destinos.
Esse afeto nos põe na alma o fulgor das estrelas, na boca
o amargo do absinto e nos olhos a melancolia do sonho inatingível.
No entanto, não posso deixar de lamentar, o nostálgico destino das linhas
paralelas, que vão como eu e você caminhando conformados.