Era uma brasa dormida de aspecto
sereno e calmo.
Um dia, o vento inadvertidamente
a descobriu .
A brasa crepitou. As cinzas se espalharam a
esmo, uma chama lenta se ergueu, foi virando
labareda, ganhando o espaço em fulgurante
clarão de incêndio.
Ridícula chama! Recolhe-te a tua inércia!
Teu tempo é passado; acomoda-te.
Escuta a canção da saudade! É triste,
mas consola.
Não te afoites, dorme e continua sonhando.
Aconchega a teu peito as cinzas dos teus
anseios irrealizados, cerra as pálpebras
de mansinho e vê a dança das estrelas.
O vento geme como impetuoso amante.
Não o escutes! O vento é volúvel e insensato.
Volta ao teu sono brasa viva.
Volta a ser brasa dormida.
Ocirema
fevereiro de 2005