Por Ruth dos Anjos
Pais sabem o melhor - Parte Final
Os faróis de um carro aproximando-se não deixaram dúvidas. Miss Parker teria problemas para dar explicações. Jarod esboçou um cínico sorriso quando percebeu o carro da polícia.
Dois homens saíram da viatura rapidamente.
- Larguem as armas e mãos para cima! - disse Kermit.
O outro correu em direção ao rapaz caído no chão. Paul Blaisdell estava muito preocupado com Peter Caine. Sua última conversa com seu filho adotivo não tinha sido muito agradável e agora, ele tinha medo de não poder ter outras.
Segundos depois, mais duas viaturas chegaram e dominaram a situação.
Miss Parker estava nitidamente furiosa. Ela não podia acreditar que Jarod estava bem ali na sua frente e ela não podia levá-lo. Aquilo não devia estar acontecendo! Um oficial lhe revistou e logo em seguida, conduziu-a até a viatura. Sydney e os demais também tiveram o mesmo destino.
A polícia encontrou dois homens inconscientes e um corpo.
Kermit reconheceu o corpo de Shu Li. Não ficou de coração partido quando o fez.
A equipe de paramédicos chegou minutos depois e socorreu rapidamente o detetive Caine.
- Você fez um ótimo trabalho. - disse o médico, percebendo a ajuda de Jarod.
- Obrigado.
- Como ele está? - perguntou Blaisdell, apreensivo.
- Não se preocupe, capitão. O ferimento é grave, mas ele vai ficar bem. A bala entrou e saiu. - disse Jarod.
Kwai Chang Caine acompanhava todo o procedimento de perto e foi com Peter para o hospital na ambulância.
Por alguma razão, Blaisdell sentia-se culpado quando Peter feria-se. Blaisdell estava aflito. Queria estar presente quando seu filho acordasse, mas ele tinha trabalho a fazer. Ficou aliviado quando Caine o acompanhou. Afinal, era o pai verdadeiro.
Joseph estava a salvo e algumas questões deveriam ser respondidas. Blaisdell queria o relatório completo de tudo que tivera acontecido ali.
- Você deve ser o Jarod. - disse Kermit, estendendo a mão em sinal de cortesia.
- Sim...? - retribuiu Jarod. - E você é...?
- Griffin. Detetive Kermit Griffin.
Jarod permaneceu em silêncio. Jarod soube de imediato que aquele sujeito era o mesmo que ligara para Joyce. Havia algo naquele homem que Jarod não pôde identificar. Parecia esconder algo por trás daquela face bem humorada.
- Ouvi falar muito de você, rapaz. - disse Kermit. - Por todo o país... - completou, desconfiado.
Jarod percebeu que Kermit sabia algo ao seu respeito.
- Gosto de conhecer novos lugares. - comentou Jarod.
- Eu sei como é. - disse Kermit. - Só não sei como é ser perseguido por uma moça e não se deixar pegar. - continuou, passando a vista em Miss Parker.
Miss Parker estava tão zangada que seu olhar poderia deixar qualquer um com medo.
Jarod sorriu e disse:
- Ela é muito geniosa.
Kermit também sorriu.
- Agente Holmes. - disse o capitão, aproximando-se.
- Não se preocupe, Jarod. Seu segredo está seguro. Apenas cuide-se. - manifestou Kermit.
- Acho que não vou poder segurar aquelas pessoas por muito tempo. - disse o capitão.
Jarod entendeu. Kermit provavelmente havia descoberto algo sobre o Centro e relatado ao capitão Blaisdell.
- Obrigado, senhor. - disse Jarod.
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Algum tempo depois, Kermit estaciona seu carro em frente a casa dos Blaisdell.
- Mãe! É o Kermit! - gritou Peter, com o braço ainda enfaixado. O rapaz estava sentado no sofá da sala, assistindo algo na TV.
O barulho no motor do detetive Griffin sempre o delatava. Kermit insistia em andar com aquele carro velho. Ele o chamava de Kermitmóvel. E ai daquele que tocasse em seu carro...
Anne Blaisdell também já tinha reconhecido.
- Pode deixar que eu vou abrir. - disse ela. - Você só está em casa porque prometeu ao médico que não ia fazer esforço.
- Não é esforço abrir uma porta. - reclamou Peter.
A Sra. Blaisdell fingiu não ter ouvido o comentário. Ela foi abrir a porta para o detetive entrar.
Peter observou sua mãe indo pelo corredor. Anne Blaisdell era cega. Não tinha jeito, Peter sempre se preocupava com ela, apesar de Anne já conhecer aquela casa como a palma de sua mão.
- Querido, eu sei onde é a porta... - comentou.
Peter sorriu. Anne sempre sabia quando ele ficava lhe observando.
Segundos depois, Kermit entra e cumprimenta a Sra. Blaisdell beijando-lhe a testa, carinhosamente.
- Passei por aqui só para ver como o garoto está. - disse Kermit. - E o capitão aproveitou para avisar que não vem almoçar hoje em casa.
- Está tudo bem, Kermit. Obrigada. - falou Anne.
- Então Peter, sente-se melhor? Como você está? - perguntou Kermit.
- Ela não me deixa nem abrir portas! - comentou o detetive Caine. - Como você acha que eu estou?
- Em boas mãos. - manifestou Kermit.
Anne sorriu. Peter Caine tentou disfarçar, mas também sorriu com o comentário do amigo.
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Kwai Chang Caine fazia TaiChi na bela paisagem perto do lago. O céu estava claro, uma leve brisa soprava em seus cabelos e o canto dos pássaros contribuíam para a perfeição. Seus movimentos eram precisos, dotados de paz interior.
Caine sentiu uma presença aproximando-se e cessou com os movimentos.
- Não foi minha intenção lhe incomodar. Desculpe. - disse Jarod.
- Não há pelo que se desculpar. - comentou Caine.
Caine percebeu a perturbação em Jarod. O rapaz estava ansioso, igual a Peter quando queria dizer algo e não sabia como iniciar.
- Fui visitar o detetive Caine no Hospital há dois dias. Ele já está em casa?
- Peter está na casa dos Blaisdell. O carinho da mãe vale mais do que qualquer remédio. - disse Caine. - Não sei se ele vai agüentar ficar duas semanas sem sair de casa.
Jarod sorriu.
- Você tem mesmo que ir embora? - perguntou Caine.
- Ainda tenho muito o que descobrir por aí. - respondeu Jarod. - Tenho que descobrir quem sou - completou.
Caine percebeu a melancolia no rapaz e o abraçou como se fosse seu filho.
- Bons homens encontram o que procuram. Não perca a fé, Jarod. Segure-a firmemente. - E se algum dia você passar por Chinatown novamente e precisar de alguma coisa, não se preocupe. Procure por Caine, ele vai ajudá-lo. - disse Kwai Chang Caine.
Jarod sorriu agradecido.
Alguns dias depois, a emoção era intensa. Gritos, aplausos, barulho, muito barulho. Jarod podia sentir a adrenalina naquela quadra de basquete. O público foi ao delírio... mais uma cesta! Faltava apenas alguns segundos para o jogo acabar e o time da casa estava ganhando apenas pela diferença da cesta de três pontos de Miller. Indiana Pacers 110 X Los Angeles Lakers 107. Os segundos ainda restantes levavam os torcedores à loucura, e os jogadores não estavam muito longe disso. O jogo estava simplesmente emocionante. A tensão estampada na face dos jogadores era mais do que iminente, saltava aos olhos. Uma falta marcada em cima de um dos jogadores do Lakers, faltando apenas cinco segundos para o término da partida, deixou os fãs do Indiana apreensivos. Seriam as três cestas decisivas.
Shaquille O'Neal estava pronto para arremessar pelo Lakers...
Jarod estava narrando aquele fantástico jogo...
- A primeira cesta foi fácil. - disse Jarod. - A segunda rodopia no aro e... mais um ponto para o Lakers!
Fãs do Indiana Pacers faziam muita pressão em cima do jogador. A torcida do Lakers tentava acalmá-lo, incentivando, ao gritar seu nome constantemente...
Enfim, O'Neal arremessou a bola... o arremesso decisivo. A bola bateu no aro, rodopiou e não entrou...
- Impressionante, amigos do esporte. - disse Jarod. - O Los Angeles Lakers simplesmente perdeu a oportunidade de empatar! - manifestou Jarod. - Indiana Pacers está segurando o tempo e... acabou! Final de jogo! Indiana Pacers vence Los Angeles Lakers por apenas um ponto de diferença!
Minutos depois, quando todos haviam ido embora, Jarod foi até a quadra e quicou a bola algumas vezes. Arremessou três vezes em direção a cesta e acertou todas.
Ele sentou-se no banco ao lado, e discou o número no seu celular.
- Olá Miss Parker. - disse ele.
- Jarod...! - atendeu a moça, com certa irritação no seu tom de voz.
- Como se sente depois de ter feito uma boa ação? - perguntou Jarod.
Miss Parker respirou fundo antes de responder. Ela sabia que Jarod estava falando do incidente na floresta.
- Não foi nada extraordinário.
- Espero que não tenha ficado zangada pela visita ao departamento de polícia.
- Você não perde por esperar, Jarod.
Sydney entrava no escritório de Miss Parker, quando ouviu o comentário. Ele sorriu, ao perceber que Jarod estava bem.
- Mande lembranças ao Sydney. - disse Jarod, desligando.
Jarod levantou-se, quicou a bola mais um pouquinho e arremessou para o outro lado da quadra. E não é que a bola entrou na cesta!!
Um faxineiro que ainda acabava de limpar as imediações, viu sua proeza e bateu palmas, parabenizando-o.
Jarod sorriu satisfeito.
Fim...
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