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Parte 5 Por Ruth dos Anjos |
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Pais sabem o melhor - Parte 5
Alguns minutos depois, num lugar de difícil acesso, um sujeito asiático de olhar frio entra numa sala sombria contendo apenas algumas velas acesas dispostas num altar. Ele observa em silêncio seu mestre por alguns instantes, esperando que terminasse o ritual.
O homem estava com um ornamentado punhal, provavelmente de alguma dinastia. Ele dizia palavras num mandarim bastante antigo, enquanto sinalizava com o punhal numa pedra de sacrifícios. Bon Bon Hai sentiu a presença de seu assessor e parou com o ritual.
- Desculpe incomodar, senhor. - disse o outro, um tanto hesitante. Shu Li sabia que seu chefe era um homem perigoso, não somente pelo fato de ser o manda-chuva da máfia, mas também, principalmente, por seu lado oculto que poucos conheciam...
Bon Bon Hai fitou-lhe esperando pelas próximas palavras.
- Chiang estava realmente retirando dinheiro sem permissão. O senhor estava certo. - disse Shu Li.
- E o garoto? - perguntou Bon Bon Hai, sério.
- Ele viu quando fiz o serviço. - respondeu, receoso. - A polícia está à procura dele. Mas, duvido que o menino diga algo.
- A imperfeição não poder ter falhas. Tem que ser perfeita. O senhor do Tatoris não pode perder tempo com erros.
- Desculpe senhor.
- Prossiga. - disse Bon Bon Hai.
Cabisbaixo, um tanto temeroso em relatar a próxima notícia, Shu Li avisou:
- O filho de Caine está infiltrado nas buscas.
Bon Bon Hai sentiu seu sangue ferver. Caine... Assim como Bon Bon Hai, Kwai Chang Caine também tinha seu lado oculto. Lados de uma mesma moeda, inimigos mortais. E o filho de seu inimigo representava um perigo ainda maior. Ele era jovem, com grandes possibilidades. No entanto, Bon Bon Hai também sabia que o rapaz era a principal fraqueza de Kwai Chang Caine.
- Faça o que deve ser feito. Dificulte as coisas para o mestre da Shambhala.
- Sim senhor. - disse Shu Li, saindo rapidamente.
Bon Bon Hai sabia que toda ação feita pelo homem interagia no mundo espiritual. Shambhala X Tatoris... Não importava como, mas apesar de estar sempre um passo à frente, e infiltrado no mundo mortal, o Tatoris não conseguiria libertar a escuridão, enquanto a linha Caine permanecesse viva. Sendo assim, Bon Bon Hai agia de acordo com seu mundo de sombras, esperando o momento certo de envolver a luz e apagá-la por completo.
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Ainda na casa de Kwai Chang Caine, Jarod havia acabado de falar com Sydney pelo telefone. Jarod sabia que não tinha muito tempo. Miss Parker estava a caminho.
- Encontrei duas lanternas. - informou Peter, retornando.
- Estão indo para alguma festinha? - disse a detetive Skalany, chegando repentinamente.
Kwai Chang Caine pareceu contente com a visita. Estranhamente, havia uma certa química entre os dois...
Mary Margaret Skalany já foi parceira de Peter Caine em várias investigações. E num dos casos, acabou conhecendo o pai de Peter e se interessado pelos mistérios que envolviam o sacerdote shaolin...
- Skalany, esse é o agente Holmes. - disse Peter.
- Muito prazer. Já o vi pelo departamento. - retrucou, aproximando-se de Caine.
Jarod sorriu. Ele percebeu que havia algo entre os dois e que o detetive Caine não concordava. Peter não podia acreditar que Caine, um sacerdote, estaria namorando com uma policial bem mais nova, e mais... sua parceira.
- Temos uma pista do paradeiro de Joseph. Vamos verificar. - disse Jarod.
- Então vou com vocês. - informou Skalany.
- Eu também. - disse Caine.
- Não papá...ops. Pai. - manifestou Peter. - É negócio da polícia. Pode ser perigoso.
Caine podia sentir que o perigo estava rondando-os. Ele não queria deixá-los ir sozinhos. Sua presença seria de vital importância. Então, ele resolveu apelar:
- Não posso acompanhar meu filho? - disse ele, sabendo que Peter não podia negar. Afinal, eles quase não tinham tempo para conversar.
Jarod sorriu com sua artimanha. Ele havia sido inexorável.
- Está bem, está bem... - disse Peter. - Mas, não se meta no assunto da polícia.
Caine assentiu com a cabeça.
Momentos depois, no stealth do detetive Caine, os quatro estavam a caminho da reserva florestal.
Jarod verificou se as lanternas estavam funcionando corretamente. Estavam boas.
Um bip sinalizou e Skalany afirmou para Peter:
- É o seu. Deve ser o capitão ou o Kermit. Eles estavam querendo falar com você.
Kermit? Pensou Jarod, imaginando se seria o mesmo que ligara para a Joyce...
Peter Caine confirmou. Era o Kermit. Ele pegou o telefone do carro e ligou.
- Quando foi que você chegou, parceiro? - disse ele.
- Hoje. - respondeu. - Peter, me escute. - disse Kermit, um tanto preocupado.
Peter percebeu o tom de sua voz.
- O que houve? Aconteceu alguma coisa? Onde está o Paul?
- Peter, o que foi que eu disse? Apenas me escute. - insistiu Kermit.
- Não estou com tempo para conspirações, Kermit - declarou o detetive, brincando.
Peter sempre pegava no pé de Kermit por ele estar sempre infiltrado naquele seu computador em busca de informações secretas.
- Diabos, garoto! - replicou Kermit. - Cale a boca e escute!
Peter percebeu ser algo sério.
- Okay. Então diga.
- O agente Holmes está por aí? - perguntou Kermit.
- Está sim. Estamos indo verificar uma pista.
- Shhiii...! Apenas responda com monossílabos.
- Okay... - disse Peter, desconfiado.
- Peter, ele não é um agente do FBI. - informou Kermit.
- Não? - perguntou Peter, olhando discretamente para Jarod, tentando verificar a veracidade da afirmação. - E é o que por acaso, Kermit?
- Ainda não sei ao certo. Ele pode ser perigoso se quiser. Encontrei algumas ramificações de identidades falsas dele por quase todo o país.
- Kermit, você está louco?
- Não, Peter. Não estou louco. Paul pediu-me que levantasse algumas informações sobre o tal Jarod e...
- Paul fez o quê? - interrompeu.
- Apenas escute. Há um pessoal bastante perigoso atrás dele. - completou Kermit. - Assim que eu descobrir algo mais, entro em contato. Tenha cuidado, garoto. - disse, desligando.
O detetive Caine guardou o telefone sem dizer uma única palavra. Peter estava nitidamente confuso. Kermit podia ser um tanto paranóico às vezes, mas ele sempre tinha razão. Peter averiguou se sua arma estava realmente ao seu alcance. Jarod parecia um bom sujeito, mas e se fosse realmente perigoso? Peter percebeu que não foi uma boa idéia ter deixado seu pai lhe acompanhar. Agora, se algo desse errado, ele teria que protegê-lo.
Jarod percebeu que o detetive havia ficado estranho depois daquela ligação.
- Quem é Kermit? - especulou.
- É um dos detetives do 101º Distrito. Você ainda não teve a chance de conhecê-lo. - respondeu Skalany.
- É um bom homem. - completou Caine.
Caine percebeu que algo perturbava seu filho. Peter parecia bastante pensativo.
- O que ele queria, Peter? - perguntou Skalany.
- Você conhece o Kermit. Sempre inventando algo. - respondeu.
- Então, Jarod. Você é agente do FBI há muito tempo? - perguntou Skalany.
- Não muito. Ainda tenho muito caminho pela frente.
O detetive Caine achou a pergunta oportuna. Não dava para acreditar... Jarod parecia um bom homem, mas afinal, quem era ele?
- Peter, você está bem? - indagou Margaret Skalany.
- Estou bem sim. Por que pergunta?
- Você não disse uma palavra em 5 minutos!
- Estou pensando.
- Pensar nunca parou você antes. - disse ela, desconfiada.
Peter sorriu.
O silêncio do detetive era mais do que estranho. No departamento de polícia, todos sabiam que Peter seria capaz até mesmo de falar em seu próprio funeral. O rapaz não costumava ficar calado a não ser que estivesse metido em algum problema muito sério. Extrovertido, brincalhão, mas quando topava com algo que não compreendia, se fechava em seu mundo.
Caine sabia que Peter havia descoberto algo crucial. Seu chi não estava em harmonia. Caine também percebeu a perturbação em Jarod. O rapaz apresentava uma preocupação quase que sufocante. Mestre Caine sabia que poder ver além dos olhos, às vezes, era uma dádiva lamentável.
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Pais sabem o melhor -
Parte6