O Caminho da Serpente:
Ano I, Número II,
Outubro de 2001 e.v.
 
 
Triton e Ouroboros.
 
 

Índice:

01. Só em Seu Reino (Interior);
02. Medo?
03. Suprema Vitória;
04. Dinâmica Orbital;
05. Magno Poder;
06. Perfeição Gnóstica;
07. Cosmos Infinito;
08. Simbólica Existência;
09. A Luz e a Escuridão.
 
 
Todos os trabalhos de O Caminho da Serpente são de autoria de Lohengrin (Rubens Malcher Pinho).
Qualquer reprodução das mesmas sem aviso prévio ao autor estarão sujeitas às aplicações das atuais normas de Direitos Autorais vigentes.
 
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Só em Seu Reino Interior...

Se encontra em Êxtase Divino após as baforadas... Só, em Seu quarto, ao som de Wagner, perante Seu computador...
De repente, os sons à Sua volta tornam-Se terríveis, rajadas de balas que parecem atravessar a janela!!!
Intensos, densos, por vezes assustadores... O Caos aparenta Manifestar-Se!!!
 
Desvirtuando... Escrevendo...
Não haveria melhor forma de Se expressar do que digitar as palavras que rondam Sua Mente.
Estranhos Arquétipos Insurgem... A mais Pura Abstração, fruto de um Aprofundamento e Interiorização de Seu Próprio Subconsciente. "Conheça-te a Ti mesmo!," eis a ação que coloca em prática.
Nada momentâneo. Para Si é uma obstinação...
 
Embora tenha em mente que a resolução constante do Infinito seja tornar-Se (e permanecer em) um eterno Caos,
a sensação de ter sentido próximo de Si o som da Destruição O faz entrar em uma momentânea catarse,
como uma dormência que insiste em permanecer atormentando-O. Decide escrever.
E para afastar-Se de todo o Caos, Isola-Se em Seu Reino Interior.
 
Abstrai novamente... As alucinantes Imagens retornam. Não mais ouvindo os sons da Batalha,
mas assistindo o de Dançar de Sombras. Escreve... Seu Banimento O torna apto à Abstração.
 
Sente-Se novamente interferido, agora por um leve aroma do Elemento Fogo. É um algo mais que O incomoda.
Algo mundano e que arde afora... E todos os lados em conflito querem interferir em Sua Individualidade,
em Sua Órbita. Prefere deixar que Se Auto-destruam!!! Sendo mero reflexo do destino de um Universo que arde pela quantidade de miseráveis e imprestáveis Estrelas que amontoam-Se e, estupidamente, Auto eliminam-Se.
Nada que interfira no Ilimitado estado de Perfeição de um (Sub???) Consciente Deus.
Suas Órbitas tendem a colidir em razão de atraírem-Se, como opostos, em torno de um mesmo Sol.
Deveriam manter-Se em Equilíbrio, Co-Existindo... Mas desvirtuam-Se!!!
Nota o Escriba quehá a atração de um único Ser sobre diferentes Órbitas. Observando tal fato, opta por Isolar-Se...
E eis o que torna a fazer!!! Preferindo deixar que as incoscientes e conflitantes Estrelas Auto Eliminem-Se,
Volta-Se para Seu Interior... Abstraindo e ao lado de um cálice de um saboroso vinho tinto...
 
Quanto mais Interioriza-Se, mais torna-Se afastado de todo o Caos.
Para si, os fatos são explicáveis pela fraqueza e limitações humanas.
E é o que importa!!! A Ordem Natural segue Seu Curso!!!
 
Está em Estado de não mais desvio de Sua Concentração. Permanece em estágio profundo de Abstração.
O Não-Pensamento flui... Retornam as Imagens... As Formas tornam-Se claras.
Seguem Seu Caminho Natural, que sempre foi o de Complementar-Se em Si.
E Suas Órbitas, de tão Caóticas, tornam-Se impregnadas de um novo aroma: o da Morte!!!
Estimulando-O... Inspirando-O...
 
por Lohengrin,
escrito em 12 de Outubro de 2001 e.v.
 
 
Antigos Deuses de Antigas Terras voltam a Exigir,
cada qual à sua convenção, o retorno aos Tronos Supremos.
Em cujos quais poderiam Respeitar-Se e Co-Existir
sem deflagrar a Auto-Destruição, por limitados motivos terrenos.
 

 

Medo?

O Silêncio, para Si, é estimulante,
permanecendo a escrever,
torna-Se Seu ardoroso Amante.
 
O presença do Caos ainda O ronda,
estimulado-O em Sua pungente Inspiração,
sem Ser tocado pelos rastros de tal onda.
 
A motivação da Guerra é, para Si, claudicante,
estando Seu Universo tomado de Órbitas conflitantes,
que não interferindo na Sua, o tornarão Seu único Dominante.
 
As conflitantes Estrelas estão temerosas...
Temem a Morte e a total destruição de Si Mesmas,
cumprindo Seu papel em Suas limitadas Existências ardorosas.
 
Os Deuses amados são os mesmos.
Atraídos de formas diferentes por diferentes Órbitas,
Essas que Se deixam levar por Seus inferiores desejos.
 
Só, em Sua Própria Órbita, Caminha.
Seguindo pelo Universo em busca de uma nova Galáxia,
que, com Suas tolas diferenças, não O interfira.
 
O Medo que O rondava, não mais incomoda.
Pois este infeliz Medo era externo a Si
e ficou para trás, como Sujeira Cósmica.
 
Em Sua Nova Órbita, há o mútuo Respeito.
Pois sabe-Se que cada Deus ou Deusa é uma Estrela,
movendo-Se em Eterno Contínuo, como é Seu em Efeito.
 

 
Suprema Vitória:
à Dario Vellozo, in Memorian.
 
Sensação de total Poder...
E de agir como queira nesta nova Órbita,
sabendo o que quer defender,
não sendo interferido por qualquer outra Estrela Caótica.
 
Aguarda o cessar do Caos em Seu Universo Original.
Sendo que em Seu novo Caminho, existe total respeito,
quer estar presente para assistir ao Seu final,
e Ascender ao Trono, que era Seu em Direito.
 
Dessa forma, para Seu Universo retorna,
e Sua Órbita sente-Se tomada de Poder
pela Auto-Eliminação de quem não mais incomoda
e uma nova geração de Deuses torna a Nascer...
 
...Deuses que lutam como Irmãos...
 
Tendo ciência de que a Guerra foi-lhes necessária,
concluem que devam - cada um dos quais -
a partir daquela data embrionária,
Respeitarem-Se e não serem mais Rivais.
 
Não se cria um sincretismo,
mas um respeito à cada Órbita em Sua Individualidade.
Honra compartilhada, Poder equânime dividido,
o primeiro passo dado, gerando Reciprocidade.
 
Assim já fora feito em tempos de Atlândida,
erros que a última Raça humana voltou a cometer...
Aceitando-Se cada Individualidade como é, Dinâmica,
as memas, sem Auto-Interferência, iriam Renascer...
 

Dinâmica Orbital:

Odores fétidos impregnam Suas Existências Etéricas,
conteúdos pútridos decompostos pela Auto-Destruição.
Resultado de Suas antigas fúrias coléricas,
estúpidas fúrias que não queriam ver em repetição.
 
A atual Dinâmica é: Respeitar-Se,
sabendo que Suas Forças são equivalentes.
Sendo julgados em caso de Auto Interferirem-Se,
têm como Juiz a Assembléia dos Deuses.
 
Dessa forma, os Juízes eram Todos,
não havendo corrupção, pois a riqueza era Infinita...
E esta riqueza, gerando Igual-Conforto,
não poderia ser a causa indeferida...
 
Não havia mais espaços para fracos,
nem tampouco para atividades patológicas,
qualquer câncer já fora eliminado,
em razão da Guerra de outrora.
 
Qualquer aspecto de Auto-Interferência,
era Honradamente Abolida.
A continuidade daquela respeitável Convivência,
é pelos Deuses Eternamente requerida.
 
Suas Órbitas não-conflituosas,
estão em um Eterno complementar,
Sangue não mais é a prova,
da Glória que desejam Revivificar...
 

Magno Poder:

Nesse Novo e Fabuloso Reino,
da Natureza tira-Se todo o proveito.
 
Antigos Deuses e Deusas agrícolas retornam,
em Cultos Ancestrais que os da Nova Raça devotam.
 
Sabem que a Divindade é passível de todos,
preparam-Se durante a Vida para postarem-Se ante Seu Louro.
 
O Nascer não mais representa decadência,
sendo apenas o Iniciar Despertar de uma Onipotência.
 
A Fertilidade do Solo - ricamente alimentado -
é Celebrada em Harmonia pelo Deus acordado.
 
Não existindo entre os Mesmos ódio ou inveja,
sentimentos inferiores, de quem a Si não Celebra.
 
Antigos Deuses de Antigas Terras voltam a exigir,
cada qual à Sua convenção, o retorno aos Tronos Supremos.
Em cujos quais poderiam Se respeitar e Co-Existir
sem deflagrar a Auto-Destruição, por limitados motivos terrenos.
 
O Nascer de uma pequena Criança,
o Despertar de uma Estrela.
Não havendo tolas Guerras ou diferenças,
será criada em certeza.
 
Certeza de sua Existência Divina,
em Auto Grau de Evolução Interior já se encontra.
Toda origem, sendo assim, bem-vinda,
seguindo Sua Órbita, Seu Curso, sem afronta.
 

 

Perfeição Gnóstica:

A Estrela, embora feliz, Só Orbita,
não encontrara até o momento uma Vênus Amada,
uma atração à uma Verdadeira Transcendência feminina,
que ante à Sua Virilidade seja Complementada.
 
A Natureza desse Deus é de feição Sadia,
somente necessitando de uma, e também Só, Amante.
Embora as pretendentes não tenham demonstrado valia,
ele prossegue, Só, em busca de seu Divino Romance.
 
Seu Divino e Sincero Íntimo,
embora de um Rei como todos os outros,
é da classe de um tímido,
o que o torna a errar pouco.
 
Suas poucas escolhas sempre foram próximas,
sendo quase que algumas Divinalmente correspondidas.
Não ensejando viver junto à uma Estrela Caótica,
prefere a Estabilidade. Não uma existência peregrina.
 
Fiel e Divino enlace,
seria o que dignificaria Sua Vontade.
Confabulados em um Místico Trance,
tendo para Si, uma única Verdade.
 
Única e Complementar Vontade
dos Jovens Deuses Amantes.
Celebram festivamente a Perfeita Fertilidade,
oh! Como é Bela em Seu Quadrante...
 
Eterna é a Festividade,
seja para a Vida, ou para a Morte.
Cada momento sendo puro Escalarte,
dos Jovens Deuses Infantes...
 

 

Cosmos Infinito:

Fumaças ao Infinito,
aspira em baforadas o Deus Caído.
"Sob efeito," sente-Se entorpecido,
e complementado em Seu Interior conflito.
Conflito por sentir-Se deprimido,
pois Seu Poder, nunca dantes visto,
era vasto e vitalício.
Poder sabiamente dividido,
pelos Deuses de Poder eqüitativo,
a Guerra não é produto indeferido,
nem - tampouco - um perigo.
Para Si, o "efeito" se mantêm ativo,
e afastado do Caos querido,
este era seu íntimo reprimido:
a causa igual de todo o partido.
 
Jogos de Guerra por Si foram criados,
dando vazão ao seu Espírito,
que sempre fora combativo
e nunca por um Imortal vencido
nem, tampouco, Ferido.
Sua Fúria, seu Real Sentido,
acalmada em amistoso e divertido
combate festivo,
mantendo-Se como Rito,
pelo Deus da Guerra, seguido.
Quem pela Espada fere, pela Espada será ferido.
Estando assim, definido,
o Deus Se encontra em Seu Magistral Caminho.
Deus da Guerra assim Nascido,
permanece, rumo ao Infinito.
 

 

Simbólica Existência:

Sua existência era Simbólica,
Seu Reino era etéreo,
Interiorizar em Seu Magno Arquétipo
não era mais mistério.
 
O jovem Deus, em Seu Isolar,
tomou Ciência de Si Mesmo.
O Poder, ao Se Manifestar,
Integrou-Se ao Seu Corpo por Inteiro.
 
A Manifestação de Sua Divindade,
era a Sua Própria Existência.
Permanecendo a agir em Sua Verdadeira Vontade,
não exigindo de Seus inferiores, clemência.
 
A ninguém desejava "salvar,"
nem tampouco convencer,
preferia, antes de tudo, Calar,
do que aos tolos "converter..."
 
A Sua Verdade pode não ser a do Outro,
então permanece em Sua reta Órbita,
sem necessitar estar afoito,
em jogar farelos à uma Estrela despótica.
 
Segue em Seu tortuoso Caminho,
como um Incansável Deus, perseguindo
Sua Etérea Felicidade - não martírio -,
Seu Gnóstico e Eterno Destino...
 
Vai-se Eterno,
dessa forma,
o Deus Menino...
 

 
A Luz e a Escuridão:
 
Entrecruzando a claridade e a sombra,
se mantém o jovem Escriba,
por cima de cadáveres,
que dos escombros emana.
 
Olhar Triste, Interiorizado, Indiferente,
seguindo seu Magno Caminho,
Conserva-Se sempre avante,
à frente, à frente, à frente...
 
Almas tomadas de desespero
em um delirante dançar O cercam.
Dançam vitimadas, tontas,
aparentam estar em fúnebre apelo.
 
Sua Concentração deveria ser mantida,
a todo custo e a troco de Sua própria Vida.
Sua Indiferença permanecia Intacta,
e Sua Forma Etérica não Se via corrompida...
 
Seguia Só e em Sua Órbita Magistral,
num Radiante andar de uma Estrela Contemplativa,
Interiorizada e extremamente Altiva,
como nenhuma outra Força Eternal...
 
O som da Destruição é, para Si, Edificante.
Sabendo que Sua permanência em Interiorização e Indiferença
seria suficiente para não ser atingido
pelo Caos, que é Eterno e Revificante...
 

 
 
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