Dario Vellozo:
Dario Persiano
de Castro Vellozo, autor nascido no estado do Rio de Janeiro, em
seu entitulado Retiro Saudoso, no bairro de São Cristóvão,
em 26 de Novembro de 1869 e.v., estudou no Liceu de São Cristóvão
(de 1880 a 1883 e.v.), tendo se tornado aprendiz de encadernador (1883
e.v.) e, posteriormente, compositor tipográfico no primeiro jornal
paranaense (também estudado por mim): O Dezenove de Dezembro
(fundado em 1853 e.v.), que tinha como editor Cândido Lopes.
Sua vida até a mudança para Curitiba é registrada
em seu livro Retiro Saudoso, de 1915 e.v., narrando sua infância
no Rio de Janeiro.
De 1886 a 1889
e.v. estudou no Pathernon Paranaense (onde conheceu Eusébio Mota
- apesar de não ter sido seu alunno -, um professor que estimulou
muitos dos seus à Arte Literária) e, depois, no Instituto
Paranaense. Neste último, fora companheiro de turma dos novíssimos
de sua geração: Silveira Netto, Nestor Victor, Emílio
de Menezes, Emiliano Pernetta, etc, etc. Em 1889 e.v. lança seu
primeiro livro intitulado Primeiros Ensaios, editorado nas oficinas
do Dezenove de Dezembro. Este livro teve como principais influências
ao jovem Dario Vellozo os neo-românticos Lord Byron, Lamartine e
Musset. De 1889 a 1893 e.v. trabalhou em cargos burocráticos da
repartição de polícia e na secretaria de Fazenda do
estado do Paraná. Em 1890 e.v., com a fundação da
Revista do Club Curitybano (jornal este que em breve terá
artigos publicados em uma nova página em construção,
também objeto de estudo da minha monografia), que tinha como Diretor
seu pai Cyro Vellozo, temos o desabrochar de uma não mais promissora
tendência literária de Dario Vellozo, tendo seus poemas e
crônicas publicados desde o segundo número deste periódico
(de 01 de Fevereiro de 1890 e.v.), com Êxtase Divino. Antes
mesmo do surgimento desta Revista, encontramos trabalhos de Dario Vellozo
publicados em outros jornais literários de Curitiba, do qual falaremos
mais tarde, por se tratarem também de objetos de estudo de minha
monografia. Em 1892 e.v., com seu espírito de liderança e
sociabilidade, funda nas oficinas do Club Curitybano (juntamente
com Augusto Stresser e Brasílio Costa) o Grêmio Ensaios Literários.
Em 1892 e.v., as influências do recém chegado da Europa poeta
Jean (João) Itiberê da Cunha sobre sua leitura ficam evidenciadas.
Descobre neste ano Poe, Flaubert e Huysmanns e, no ano seguinte: Verlaine,
Rimbaud, Mellarmé, L'Islle Adam, além de Péladan,
Stanislas de Guaita, Maurice Maeterlinck, Eliphas Levi e Papus (sendo esses
cinco últimos pela influência direta de João Itiberê).
Em 1893 e.v. também vê-se envolvido na fundação
de uma nova revista, Azul, que fora uma primeira tentativa do grupo
do Cenáculo (periódico simbolista inaugurado em 1895
e.v.). A Revista Azul tem interrompida sua sequência em razão
da Revolução Federalista, na qual Dario Vellozo, juntamente
com os outros participantes da Revista, lutam ao lado dos legalistas. De
1894 a 1898 e.v. era o redator dos debates ocorridos no congresso legislativo
do estado paranaense. Em 1894 e.v. torna-se o Diretor Literário
da Revista do Club Curitybano, mudando a grafia deste último
para Coritibano. Irá permanecer na Direção desta revista
até 1900 e.v. Em 1895 e.v. funda a Revista O Cenáculo,
na qual temos caracterizada toda a veia simbolista não só
dos autores curitibanos, como de todo o Brasil. Essa revista terá
uma curta duração de dois anos, mas o suficiente para deixar
suas marcas... Em 1896 e.v. lança a obra em prosa Esquifes. Neste
mesmo ano intensifica seus estudos de Ciência Oculta, com traduções
de autores ocultistas europeus publicados na página do Club Curitybano.
Também envolve-se em polêmica neste ano ao publicar nas folhas
d'O Cenáculo o texto Pelos Índios! que é
apoiado pela Maçonaria de seu estado. Em 1897 e.v. publica dois
fabulosos livros (parte de uma trilogia junto com AtLântida,
de 1938 e.v.): Alma Penitente e Althäir, além
de colaborar no periódico A Pena. Em 02 de Março de
1898 e.v. é nomeado professor interino e, depois, efetivado (após
concurso) como professor de História Universal e do Brasil (19 de
Abril de 1899 e.v.) no Ginásio Paranaense antigo Instituto paranaense,
no qual estudou. Em 1898 e.v. também funda o Jornal Jeruzalém,
que irá intensificar seus polêmicos (para a época)
discursos anti-clericais, também colaborando em Pallium.
Em 1899 e.v. funda A Esphynge Jornal,
e mantém contatos com os grupos de Papus e de Jollivet-Castelot
(Groupe Independente de Études Esoteriques e Association Alchimique
de France, respectivamente), promovendo a idéia da constituição
de suas escolas em terras brasileiras. Não a toa, fora contemporâneo
do efervecente final de século ocultista europeu, fazendo-o também
presente no Brasil. Seus discursos anti-clericais e republicano-socialistas,
além das questões pedagógicas (visto que era professor
de História no Ginásio Paranaense) irão margear suas
teses lançadas de 1902 a 1908 e.v. como: Lições
de História (1902 e.v.), Escola Moderna (1903 e.v.),
Da Instrução Pública (1904 e.v.), No Sólio
do Amanhã (1905 e.v.), Derrocada Ultramontana (1905 e.v.),
Voltaire (1905 e.v.), Pátria Republicana (1905 e.v.),
Compêndio de Pedagogia (1907 e.v.), Moral dos Jesuítas
(1908 e.v.). Em 1908 e.v. publica o livro de poesias Hélicon
e inicia a publicação do periódico Myrto e
Acácia.
Era extremamente bem
querido por seus alunos, onde sua oratória, desprovida de retóricas,
era apaixonante. Funda o Instituto Neo-Pitagórico em 1909 e.v.,
onde constrói um fabuloso e helenístico "Templo das Musas"
(1918 e.v.), procurando reviver a magna Grécia, tendo publicado
no ano anterior os estatutos da Sociedade Neo-Pitagórica. Suas Celebrações
Místicas se deram entre as Colunas do mesmo, atraindo inúmeros
Iniciados e admiradores...
Ali funda sua Tipografia
(em 1911 e.v., de nome Tipografia Crótona Vellozo & Filhos),
na qual edita seus livros e anais de estudos dos alunos de seu Instituto.
Este ano é fundamental como divisor de águas para Dario Vellozo.
Além da coroação de Emiliano Pernetta como o mais
célebre poeta de Curitiba, inicia-se a Celebração
do Equinócio (juntamente com seus alunos do Ginásio Paranaense)
com a festa de Clóris e a festa de Ceres: Delfos e Elêusis
erguendo cânticos à Fraternidade. Inicia numerosos intelectuais
(não só brasileiros) em sua Sociedade. João Itiberê
da Cunha (autor Simbolista que futuramente teremos a cronologia publicada,
que iniciou inúmeros autores de Curitiba nesta veia literária,
tendo feito parte do movimento original francês, amigo de Maurice
Maeterlinck - Simbolista belga - e que lança seu début em
francês, o ótimo Préludes), que o Inicia verdadeiramente
nos estudos simbólicos no último decênio do século
XIX, deu origem à um apaixonado discípulo. Em 1919
e.v. funda um ramo da Sociedade Teosófica em Curitiba, de Blavatsky,
chamado Loja Teosófica Nova Crótona. Em 1920 e.v publicas
os livros O Habitat e a Integridade Nacional e, em homenagem
à morte de seu filho menor, O Livro de Alir. Em 1921 e.v.,
Tasso da Silveira (seu ex-aluno no Ginásio Paranaense e filho de
Silveira Netto, um dos fundadores do grupo do Cenáculo) irá
publicar um livro em sua homenagem intitulado: Dario Vellozo: Perfil
Espiritual. Em 1922e.v., com o centenário da Independência,
temos a publicação (por Dario Vellozo) das obras: Horto
de Lisis, Símbolos e Miragens, Missão Social
do Brasil, O Brasil e o Ideal Pitagórico. Em 1923 e.v.
ele e seus alunos passam a editar uma coluna no Jornal Gazeta do Povo,
de nome Coluna Dórica. Neste mesmo ano tem publicado seu
livro No Limiar da Paz. Em 1929 e.v. reúne poesias
suas publicadas entre 1892 e 1929 e.v. (fase Simbolista) e publica o ótimo
Cinerário. Em 1931 e.v. é inaugurado o periódico
A Lâmpada, de seu Instituto. Em 1932 e.v. afasta-se do magistério.
Daí trata de escrever AtLântida, finalizada em 1933
e.v. mas somente publicada (post -mortem) em 1938 e.v. Sua
última obra publicada em vida chamava-se Jesus Pitagórico
e fora publicada em 1936 e.v., quando já se encontrava enfermo.
Postumamente, foram publicadas as obras inéditas (além de
Atlântida): Fogo Sagrado (1941 e.v.), Psiquê
e Flauta Rústica e, numa reunião do Instituto Neo Pitagórico
(em três volumes): Obra Completa (1979 e.v.), com um quarto
volume lançado em 1975 e.v. Cabe salientar aqui que, até
sua morte em 28 de Setembro de 1937 e.v., Dario Vellozo permaneceu um eterno
e admirável Simbolista, apesar de ter renegado seu iniciar satanista
(o Grupo d'O Cenáculo era Decadista em essência e forma),
tornou-se um pagão de primeira linha ao tentar reviver entre seus
convíveres a inigualável Grécia e seus cultos. Tão
admirável persona teve seu enterro seguido de grandioso cortejo
que, passando pelos bairros pobres da cidade de Curitiba, teve uma multidão
a seguir e a celebrar a morte do mais formidável poeta, professor
e visionário aparecido por terras curitibanas...
Obra
Consultada:
MURICY, Andrade.
Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro, vol. 01.
Editora Perpectiva,
São Paulo: 1987.
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OBS: Em
breve, de acordo com meus avanços nos estudos dos jornais literários
simbolistas,
teremos acréscimos
de algumas obras poéticas de Dario Vellozo. Aguardem!!!