Por um segundo parto

         Engoles a fumaça antes mesmo de tragar
         o toco que voara à sua boca
         para crescer novamente devagar
         até voltar à pequenina bolsa
 
         inteiro
         junto ao isqueiro 
         que o apagará 
 
         no instante em que a mulher-caranguejo
         devolverá a gulosema vermelha
         ao pipoqueiro
 
         ligeiro
         estrangeiro
         na língua e no gesto
 
         e algum recém-nascido
         indiano retornará ao 
         ventre por um segundo
         parto porque o tempo
         voltou o tempo
         do seu último cigarro,anjo,
         para o amor repetir-se
         no banco dessa praça
         imunda
         imortal
         irresistível.

     

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