Poesia circense


       Homem bala balão
       munição
       explosão

       mil pirralhos no circo
       um anão
      (criançancião)

       Dois pi raio no círculo
       do canhão

       Pipoca aplauso na mão
       redenção
       não em vão

       Mil pirralhos no circo
       Alusão
       à ilusão

       Dois pi raio no círculo
       do leão

       Para o acro bata bata palmas
       para o palha asso asso bie
       e o mági como como pode:
       ele tirava
       um coelho
       ou era eu
       que tirava um bode?

       O dom e a dor vêm de Deus
       Deus vem de domador
       Ombros do mundo: os meus
       pois sou poeta ator

       Por escrever poesia
       sou trapezista palhaço
       entre o chicote e a magia
       do domador do espaço
       Será que Deus chicotearia
       fosse um João sem braço?

       Por escrever poesia
       sou bailarino mágico
       no picadeiro dos dias
       entre o aplauso e o trágico
       mas Deus é só alegria
       na queda é cama de elástico. 
 

      

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