Passamos por isso

        Enquanto espalhavas álcool
        pela mente, Rousseau, fígado,
        Azevedo, desenhos, Machado,
        Platão, diário, Pessoa,
        biografias de deusas do jazz,
        biografias de demônios beats,
        eu rezava,
        por ti, rezaza,
        junto de outros românticos
        que jamais conhecerei.
 
        Rezávamos, mulher-tocha,
        antes mesmo de Quixote
        arquitetar a vingança.
 
        Rezávamos do bar,
        do manicômio, rezávamos.
        Rezávamos da biblioteca,
        da montanha, rezávamos.
        Rezávamos do subterrâneo,
        do leito, rezávamos.
        Rezávamos do palco,
        da universidade, rezávamos.
 
        Passamos por isso, garota.
 
        O mal das pessoas
        cuja carne cresce
        em progressão aritmética,
        ao passo que, a alma,
        em progressão geométrica 
        - hora mais, hora menos -,
        não  suportar-se-á  
        nos limites do barro.
 
 

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