São mentirosos Eduardo e Mônica

        Quando Morte da Bezerra recebeu
        o convite para o casamento
        entre Crepúsculo e Porão
        sentiu, assim, raiar por dentro
        certo asco da solidão
        certo ciúme do sentimento
        que a Assinatura nutre
        pela Palavra ao Vento
 
        Lembrou-se da Conta de Luz:
        doces manhãs, doces momentos!
        A Morte da Bezerra, então,
        chorou saudosa a lamentar o tempo
        que um Pé-de-Feijão fajuto
       (rechonchudo de tão lazarento)
        roubou-lhe com asas de rapina
        no marco zero de seu sofrimento
 
        Sol e Agulha no Palheiro
        Rabo Preso e Rabo de Sereia
        Metamorfose e Fóssil no Gelo
        Pico da Montanha e Pico na Veia
 
        Colarinho Branco e Tiradentes
        Aguardente e Água Tônica
        Pois, se os opostos não se atraem,
        são mentirosos Eduardo e Mônica
        Em sua pandora: esperança
       (mar de possibilidades)
        Anúncios em jornais
        Santo Antônio e sua piedade
        Morte da Bezerra também
        pensa faixas por toda cidade
        a matutar em círculos
        na geometria da ansiedade
 
        Proibido Estacionar e Bem Vindo
        Cicuta e Leite Materno
        Adeus mundo cruel e Bingo!
        Pandeiro e Violoncelo
 
        Che Guevara e Chevrolet
        Dumbo e Formiga Atômica
        Pois, se os opostos não se atraem,
        são mentirosos Eduardo e Mônica.
 
  

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