Escuto a música da rotina:
ao invés de guitarra, trovão;
a cama velha, uma buzina,
conversas distantes, um avião.
Minha respiração no contra-baixo.
Tendo em vista que é eterna
delimito-lhe o tempo:
iniciou-se com uma sirene.
A porta range.Garoa.Começo a tossir.
Batizarei-a "O despertar dos guarda-chuvas negros".
Para entendê-la
mantenho-me pedra:
palavras e gestos de pedra.
Terminá-la?
Sim, com estilo.
Minha dúvida espera a polícia,
mas baterá o martelo
caso outro avião
aconteça.