A batalha das aranhas azuis


      O meu golpe covarde (e certeiro) 
      pelas costas do inimigo
      fez-se o ventre do qual
      nasceram
      milhares de estátuas
      cada uma com o mesmo
      par de olhos tristes  que
      - ao contrário de minha 
      boca - fecharei um dia.

      Em todo onze de novembro
      livres da inanimação graças
      ao milagre anual
      tais esculturas, em gangue, promovem
      arruaças pelos
      quatro cantos do mundo celebrando
      o que a história não oficial
      batizou :
      A batalha das aranhas azuis -
 
      Apedrejam vidraças universitárias
      ao sul da Califórnia.
      Na neve de Moscou, guerreiam, infantilmente.
      As Tupiniquins disfarçadas
      de escritores consagrados vendem
      maçã chiclete água
      na lentidão dos semáforos.
      Aos pés da Torre Eiffel (bem como
      no ponto mais alto da Cordilheira
      dos Andes) bebem
      vinho comem
      carneiro fumam
      ópio tocam
      flauta recitam
      meus poemas e agradecem a Deus
      pelo feriado não oficial. 

      Ao final do espetáculo voltam
      cambaleando a seus postos e
      misturadas às estátuas oficiais retomam
      a certeza de que
      quase nunca serão
      notadas talvez
      por um cachorro mijão
      ou
      sabe-se lá por
      um universitário
      extremamente
      atento.
 
 
 

Voltar

1
Hosted by www.Geocities.ws