Enquanto ciência, a ética trabalha para descobrir e definir o código de valores que guia as escolhas e as ações do homem. Escolhas e ações que indicam e determinam o propósito e o curso da vida de cada um.
A plena realização da vida humana requer que o homem escolha objetivos, lute para atingir essas metas e tenha o direito de desfrutar os resultados materiais e psicológicos do sucesso.
Definindo valor, como sendo aquilo que se luta para conseguir ou manter - e virtude, como sendo a condição para que se alcancem os valores, a Ética objetivista mostra que, para a plena realização da vida humana, há três valores fundamentais aos quais se associam três virtudes fundamentais:
| Propósito, porque para não viver como um simples animal, toda pessoa precisa ter um objetivo na vida (além de simplesmente sobreviver e se reproduzir). Reconhecendo que o trabalho produtivo é o processo pelo qual o homem sustenta sua vida e batalha em direção ao seu objetivo, a Laboriosidade é a virtude que permite se chegar ao Propósito. |
| Razão, que é a fonte e a pré-condição do Propósito. Se o homem não fosse racional não teria objetivos além daqueles que os seus impulsos animais lhe provêem, ou seja, proteger-se, alimentar-se e reproduzir-se. A Racionalidade da mente humana é a virtude pela qual ela busca a razão. |
| Auto-estima, que é o resultado. Quando uma pessoa atinge seus objetivos através de seu trabalho e de sua racionalidade, passa a se valorizar, a ter orgulho do que fez e de como o fez. Permitir-se e obrigar-se a esse justo Orgulho é a virtude que permite que se alcance a Auto-estima. |
Racionalidade significa um compromisso com a razão, não em momentos esporádicos, em questões selecionadas, ou em emergências especiais, mas uma filosofia permanente de vida.
Isto significa:
| Reconhecer e aceitar a razão como a única fonte de conhecimento, o único juízo de valores e o único guia de ação; | |
| Comprometer-se totalmente com um estado de atenção pleno e consciente, mantendo um foco mental completo em todas as questões, em todas as escolhas, em todas as horas de vigília; | |
| Comprometer-se com a mais completa percepção da realidade, dentro das possibilidades humanas, e comprometer-se com a expansão ativa e constante do próprio conhecimento; | |
| Comprometer-se com a realidade da própria existência humana, isto é, com o princípio de que todos os objetivos, valores e atos humanos acontecem dentro da realidade e, portanto, que não se deve colocar nenhum valor ou consideração - em absoluto - acima da percepção humana da realidade; | |
| Comprometer-se com o princípio de que todas as convicções, valores, objetivos, ações e desejos humanos devem ser baseados em, derivados de, escolhidos e validados por um processo de pensamento, o mais preciso e escrupuloso possível, dentro de uma lógica tão rígida e implacável quanto a capacidade de cada um permitir; | |
| INDEPENDÊNCIA, entendida como a aceitação da responsabilidade pela formação de julgamentos próprios e de viver pelo trabalho da própria mente; | |
| INTEGRIDADE, entendida como o dever de nunca sacrificar as próprias convicções às opiniões e desejos de outros; | |
| HONESTIDADE, isto é, não tentar falsear a realidade por qualquer maneira que seja; | |
| JUSTIÇA, que significa não tomar nem conceder o não-merecido, seja material ou psicologicamente; | |
| Jamais desejar efeitos sem causas; | |
| Jamais decretar uma causa sem assumir a total responsabilidade pelos seus efeitos; | |
| Jamais agir como um zumbi, ou seja, sem saber seus próprios propósitos e motivos; | |
| Jamais tomar uma decisão, formar uma convicção ou procurar qualquer valor fora de contexto, ou seja, separado ou em contradição com a soma total e integrada do próprio conhecimento; | |
| Rejeitar toda e qualquer forma de misticismo, isto é, qualquer apelação a alguma fonte de conhecimento não-sensorial, não-racional, não-definível, sobrenatural. |
Laboriosidade, por sua vez, é o reconhecimento do fato de que o trabalho produtivo é o processo pelo qual a mente humana sustenta sua vida, o processo que liberta o homem da necessidade de ajustar-se ao meio-ambiente, como fazem os outros animais, e que lhe dá o poder de ajustar o meio-ambiente a si próprio. Ressalte-se que a virtude consiste no mais completo e resoluto uso da mente e não na importância de determinado trabalho ou na habilidade com que ele é executado. Como se lê em Quem é John Galt, "Não existe trabalho miserável, apenas pessoas miseráveis que não se dignam a trabalhar".
O trabalho produtivo é o caminho da realização ilimitada do homem e exige deste os maiores atributos de seu caráter:
| habilidade criativa; | |
| ambição; | |
| auto-afirmação; | |
| ecusa em suportar desastres não provocados por ele; | |
| dedicação ao objetivo de transformar a Terra na imagem de seus valores. |
O trabalho produtivo não significa a realização de movimentos inconscientes de alguma tarefa. Significa a busca de uma carreira produtiva, escolhida conscientemente, em qualquer linha de empenho racional, grande ou modesta, e em qualquer nível de habilidade.
Orgulho é o reconhecimento de que assim como o homem deve produzir os valores físicos que necessita para sustentar sua vida, deve também adquirir os valores de caráter que fazem sua vida merecer ser sustentada. Para atingir esse orgulho, alguém deve:
| conquistar o direito de considerar a si próprio como seu mais alto valor, através da realização de sua própria perfeição moral; | |
| não aceitar códigos de virtudes irracionais e impossíveis de serem praticadas e nunca deixar de praticar as virtudes que se reconhece como racionais; | |
| não aceitar, jamais, uma culpa não merecida e fazer por nunca merecer alguma ou, se a mereceu, não a deixar sem correção; | |
| não se resignar passivamente diante de qualquer imperfeição de seu próprio caráter pessoal; | |
| não colocar, jamais, nenhuma preocupação, desejo, modo ou estado de espírito momentâneo acima da realidade de sua própria Auto-estima; | |
| rejeitar o papel de animal de sacrifício, rejeitando qualquer doutrina que pregue a auto-imolação como uma virtude ou dever moral. |