Boletim de informação do grupo francês da Internacional letrista

p o t l a t c h

aparece todas as terças

29 de junho de 1954

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INSTRUÇÕES DE USO PARA POTLATCH

 

 

Figurarmos em sua boa memória não nos interessa. Mas trata-se de poderes concretos. Algumas centenas de pessoas determinam ao acaso o pensamento de uma época. Nós podemos dispor deles, quer eles saibam ou não. O envio de Potlatch a pessoas bem distribuídas pelo mundo permite-nos interromper o circuito onde e quando o desejarmos.

Alguns leitores foram escolhidos arbitrariamente. Você possui, ainda assim, uma chance de estar entre eles.

 

A REDAÇÃO

 

 

 

SEM MEIO DE COMPARAÇÃO

 

 

Os mais belos jogos da inteligência não são nada para nós. A economia política, o amor e o urbanismo são meios que nos é necessário controlar para a resolução de um problema que é antes de tudo de ordem ética.

Nada pode dispensar a vida de ser absolutamente apaixonante. Sabemos como fazer.

 

Malgrado a hostilidade e as trapaças do mundo, os participantes de uma aventura em todos os sentidos perigosa reúnem-se, sem indulgência.

Nós consideramos, de modo geral, que fora desta participação não há maneira honrosa de viver.

 

pela Internacional letrista:

HENRY DE BÉARN, ANDRÉ-FRANK

CONORD, MOHAMED DAHOU, GUY-

ERNEST DEBORD, JACQUES FILLON,

PATRICK STRARAM, GIL J WOLMAN

 

 

 

ESCREVEM-NOS DE VANCOUVER

 

 

Ainda não me acompanharam ao Canadá!... Isto não saberia esperar talvez? Meu comportamento não é mais somente um enigma, ele aterroriza, sem que se possa repreender-me algum gesto, alguma palavra ilícitos. Ao contrário, conduta exemplar que acaba de desorientar-se...

 

PATRICK STRARAM

 

 

 

DUAS FRASES DESVIADAS PARA IVICH

 

 

Ivich ganha, Ivich ganha, e isto será o amor quase a lhe sorrir.

 

Ela foi reencontrada. O quê? A eternidade.

É Ivich misturada ao sol.

 

Para toda comunicação urgente, contatar TUR 42-39.

 

 

 

SEGUNDO ANIVERSÁRIO

 

 

Na noite de 30 de junho de 1952, Hurlements em faveur de Sade é projetado num Cine-Clube dito de Vanguarda. O público indigna-se. Após vinte minutos de grande confusão, a projeção do filme é interrompida.

 

 

 

EXERCÍCIO DE PSICOGEOGRAFIA

 

 

Piranesi é psicogeográfico nas escadas.

Claude Lorrain é psicogeográfico na justaposição dos arredores de um palácio e do mar.

O carteiro Cheval é psicogeográfico na arquitetura.

Arthur Cravan é psicogeográfico na urgente deriva.

Jacques Vaché é psicogeográfico no vestuário.

Luis II da Baviera é psicogeográfico na realeza.

Jack o Estripador é provavelmente psicogeográfico no amor.

Saint-Just é um pouco psicogeográfico na política*.

André Breton é ingenuamente psicogeográfico no encontro.

Madeleine Reineri é psicogeográfica no suicídio**.

E Pierre Mabille na compilação de maravilhas, Évariste Galois nas matemáticas, Edgar Poe na paisagem, e na agonia Villiers de l’Isle-Adam.

 

GUY-ERNEST DEBORD

 

* O Terror é desorientador.

** Ver Hurlements em faveur de Sade.

 

 

 

PORTA AFORA

 

 

A Internacional letrista prossegue, desde novembro de 1952, na eliminação da «Velha Guarda»:

 

alguns excluídos

 

ISIDORE GOLDSTEIN, também

chamado JEAN-ISIDORE ISOU

 

MOÏSE BISMUTH, também

chamado MAURICE LEMAÎTRE

 

POMERANS, também

 chamado GABRIEL POMERAND

 

SERGE BERNA

 

MENSION

 

JEAN-LOUIS BRAU

 

LANGLAIS

 

IVAN CHTCHEGLOFF, também

chamado GILLES IVAIN

alguns motivos

 

Indivíduo moralmente retrógrado,

ambições limitadas

 

Infantilismo prolongado,

senilidade precoce, bom apóstolo

 

Falsificador, um nada

 

 

Falta de rigor intelectual

 

Simplesmente decorativo

 

Desvio militar

 

Tolice

 

Mitomaníaco, delírio interpretativo – falta de consciência revolucionária.

 

 

É inútil evocar os mortos, o esquecimento deles se encarregará.

 

GIL J WOLMAN

 

 

 

É BOM LEMBRAR

 

 

«Todos que nelas se mantêm contribuem para o trabalho da polícia. Pois nós sabemos que todas idéias ou condutas existentes já são insuficientes. A sociedade atual divide-se unicamente, portanto, em letristas e alcagüetes...»

 

(Declaração de 19 de fevereiro de 1953, assinada por Dahou, Debord e Wolman; publicada no segundo número da Internacional letrista.)

 

 

Redator-chefe: André-Frank Conord, rua Duguay-Trouin 15, Paris 6e.

 

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