Esse e-mail eu recebi do Osvaldo que recebeu de alguem ou pegou em algum lugar. Qdo eu descobrir e tiver tempo eu ponho aqui a est�ria certa.

Nao editei nada (da pra notar, ta tudo sem acento), so botei o Voltar para pagina principal, os codigos das quebras de linha e esse comecinho.

Leia e pense no Jornal Nacional que vc assistiu ontem.

Eduardo


From: "Ricardo Leal" <[email protected]>
POR FAVOR, � IMPRESCIND�VEL LER E REPASSAR PARA A MAIOR QUANTIDADE POSS�VEL DE PESSOAS.
RICARDO

LADO B O OUTRO LADO DA M�DIA BRASILEIRA

A UEE, Uni�o Estadual dos Estudantes, promoveu durante o Festival de Inverno de Ouro Preto, um festival paralelo, chamado de "Lado B". Foi nesse lado que o p�blico teve oportunidade de participar de palestras que tentavam mostrar "o outro lado" da quest�o brasileira. Foi na tarde do dia 13 de julho, uma quinta-feira, que o mais emocionante (e emocionado) debate aconteceu, com o audit�rio da Escola de Farm�cia lotado. O tema era Literatura, Uma Vis�o Cr�tica da Realidade". Na mesa, Ziraldo representando a revista Bundas, Jos� Eduardo, representando a revista Palavra, Jos� Carlos Rui, representando a revista Princ�pios e Jos� Arbex Jr., a Caros Amigos. O rumo da palestra mudou depois que o editor da Palavra revelou: "Estou de luto, a Palavra acaba de encerrar suas atividades". Ziraldo sentiu sua dor de est�mago com mais for�a, e Jos� Arbex Jr. destilou o veneno de um dos mais l�cidos pensadores do Brasil de hoje.



Com voc�, a interven��o de Arbex Jr, na �ntegra, sem cortes. Bom apetite.



"Agrade�o o convite para a revista Caros Amigos vir participar do debate. Eu confesso que tinha pensado numa outra interven��o, um pouco mais voltada para os problemas da literatura, etcetera. Mas depois do que eu acabei de ouvir aqui (referindo-se a morte da revista A Palavra) t�o irritado que vou mudar o tom da minha interven��o.



Ontem � noite, eu participei de um ato do MST, e na mesa estava o Jos� Celso, diretor do Teatro Oficina. Voc�s devem saber que o Oficina foi um dos baluartes da resist�ncia contra a ditadura militar. Estava tamb�m Jo�o Pedro St�dille um dos dirigentes do MST. E o ato foi feito para o lan�amento de um jornal especial do MST, com tiragem de 500 mil exemplares, que vai ser distribu�do no pa�s inteiro, cuja fun��o � denunciar uma campanha sistem�tica de cal�nias, mentiras e difama��es que a m�dia vem promovendo contra o MST.

Uma das den�ncias do ato, feita pelo pr�prio Jos� Celso, tem tudo a ver com o que acabou de ser dito aqui. O diretor do Oficina denunciou que o teatro que foi um dos baluartes da luta contra a ditadura est� sendo pressionado por um grupo chamado S�lvio Santos. Querem dividir o Teatro Oficina para fazer um estacionamento. Olha, somando isso com o que ele acabou de falar (Jos� Eduardo divulgando a morte da Palavra), voc�s v�o me desculpar, mas VA PARA A PUTA QUE O PARIU! (aplausos calorosos). Agora eu vou falar um pouco mais sobre o ato do MST, desculpem por eu ter mudado o tom da interven��o. � o seguinte. Nesse jornal que o MST acabou de lan�ar se faz uma an�lise do que � a m�dia brasileira. Esse jornal ao denunciar o que ela � hoje mostra algumas coisas que s�o, no m�nimo, esclarecedoras. No dia dois de maio, havia um �nibus, que saiu do interior do Paran�, levando lavradores, gente de meia idade, trabalhadores da terra, que foram se manifestar em Curitiba em defesa da reforma agr�ria. No meio da estrada havia uma barreira policial cujo objetivo era impedir o �nibus de chegar a Curitiba. Os lavradores foram obrigados a descer do �nibus, foram passados por uma revista humilhante. Um deles se revoltou, fez um gesto de revolta qualquer, passou a ser atacado. E um senhor de 38 anos de idade, pai de cinco filhos, todos eles na escola, um cidad�o digno, trabalhador, honrado, honesto, chamado senhor Ant�nio Tavares Pereira, foi defender o amigo que estava jogado no ch�o sendo mordido por cachorros. Levou um tiro no abdome, morreu. Qual a rea��o do nosso amado presidente da Rep�blica? Declarou publicamente que a morte desse senhor devia servir de advert�ncia para o povo brasileiro. Quer dizer, um pai de cinco filhos, honrado, honesto, e assassinado pela Pol�cia Militar e o canalha que est� na presid�ncia da Rep�blica, envolvido agora num esc�ndalo de corrup��o num buraco sem fundo, esse canalha diz que a morte de um trabalhador � uma advert�ncia para a na��o brasileira, e o que faz a m�dia? Que fizeram? Eu n�o li um �nico editorial notando que havia algo estranho nas palavras do senhor presidente da Rep�blica. N�o vi um �nico artiguete de cinco linhas, dizendo, "puta!!! Esse cidad�o t� amea�ando a na��o brasileira.

Ziraldo: Isto porque voc� n�o l� a Bundas!) (risos).



Exceto a Bundas... Mas eu n�o estou incluindo a Bundas aqui. A� voc� pode falar, "n�o, mas isso a� foi um lapso, os editores n�o perceberam o que aconteceu..." Ser�? Dois dias depois, um senhor chamado Jos� Gregori, ministro da Justi�a, um cara que lutava pelos Direitos Humanos, era do Comit� de Justi�a e Paz, esse Jos� Gregori declarou que o MST, ao invadir pr�dios p�blicos, havia praticado atentados. Quem � o MST? O MST � hoje um movimento que tem 150 mil fam�lias assentadas e 300 mil fam�lias acampadas. Portanto quando n�s falamos MST n�s estamos falando em 450 mil fam�lias. Portanto, em dois milh�es de brasileiros. Se um ministro da Justi�a acusa um movimento com dois milh�es de brasileiros de praticar atentado, no m�nimo este ministro tem que provar o que ele diz. Ou ent�o cair fora, porque ele n�o serve para representar o povo brasileiro.



O que fez a midia? Cobrou do ministro Jos� Gregori alguma prova, exigiu que se apresentasse evid�ncias? Ao contr�rio: reproduziu as suas palavras e caiu de pau no MST em editoriais. N�o bastasse isso, um pouco depois, l� pelo dia 13 ou 14 de maio, n�o me lembro direito, o Fernandinho foi para S�o Paulo, t�o amado que � do povo brasileiro, e n�o conseguiu dormir na sua casa, porque ele tentou entrar e o pr�dio estava cercado de manifestantes. Para ele conseguir entrar teria que chamar a pol�cia para dispersar os manifestantes. N�o quis correr esse desgaste, ficou no hotel. E ele declarou, cercado de amor que ele est� pelo povo brasileiro, que iria adotar contra o MST a solu��o da "toler�ncia zero". Sabe o que quer dizer esse termo "toler�ncia zero"? � o termo empregado pela pol�cia de Nova Iorque contra as gangues de mafiosos, narcotraficantes, assaltantes e bandidos. A narcotraficantes, a bandidos. E o que faz a m�dia de novo se limita a reproduzir aquilo que diz o governo. Portanto essa � a nossa m�dia. Tem mais do que isso. Adotando a toler�ncia zero contra o MST, ou seja, contra "esse bando de terroristas que faz atentados por a�", o governo FHC reconstruiu o Servi�o Nacional de Informa��es (SNI). Servi�o que re�ne todos aqueles dedicados a espionar, a delatar e a vigiar os que fazem oposi��o ao regime do senhor FHC.



Portanto n�s vivemos num per�odo em que, com a coniv�ncia e cumplicidade da m�dia que n�o obstante se diz democr�tica, o senhor presidente declarou guerra ao povo brasileiro. E em nome dessa guerra est� reconstruindo o aparato da ditadura militar. Com a coniv�ncia de uma m�dia fascist�ide. � essa que � a verdade, e essa verdade tem que ser dita at� o fim, estamos vivendo sim senhor uma situa��o de guerra civil nesse pa�s. Uma guerra civil n�o declarada, uma guerra civil que se pratica no dia-a-dia. Em plena avenida Paulista, quando professores v�o se manifestar por melhores sal�rios, desenvolvimento da educa��o e da cultura, 38 pessoas saem feridas. A pol�cia atacou com bombas e cavalaria professores, que est�o lutando por melhores sal�rios! Isso � guerra! Isso � uma guerra campal

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