O Pavilhão Brasileiro na EXPO 2000 |
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Primeiro, o que é a EXPO? Eu tinha um papel que falava sobre a EXPO, só que eu o perdi em Hannover... Foi mal. Se quiser descobrir o que é isso, procure em http://www.expo2000.de. Bem, deixa eu começar do começo... Esse final de semana passado (27-29/10) viajei com José para Hannover para visitar a EXPO. Não trampamos na sexta-feira, pedimos licença ao chefe e ele nos liberou. Na realidade, queríamos trabalhar na sexta, afinal já nos foi concedido muita folga em sextas-feira, porém não havia passagem esse dia a noite. Viajamos, então, sexta de manhã (oh azar...) Fomos de ICE, um trenzinho com 14 vagões que viaja a 280 km/h. Bonito, rápido, confortável... mas isso não importa..., não quero falar dele agora. Perdemos toda a sexta a tarde procurando um lugar pra dormir... Das 13 as 20. Acabamos, depois de procurar lugar em albergues, alojamento do pessoal que trabalha na EXPO e até numa igreja, ficando numa casa de uma senhora por DM 99. Não queríamos ficar num lugar desses, já pensou se ela nos rouba os passaportes? Parece-me, contudo, que essa é uma prática normal na Europa (dormir na casa de uma pessoa, não em um hotel ou albergue). Seção Vírgula Já vi esse tipo de alojamento em Praga na Rep. Tcheca e em Hannover, lugares um pouco diferentes de Viena e Munique, por exemplo, que são cidades super preparadas pro turismo. Hannover, apesar de estar na Alemanha é uma cidade sem nenhum ou muito pouco "sabor". A EXPO está aqui e as pessoas querem descolar uns trocados, logo oferecem a casa. Fim da Seção Vírgula Então, mas o que é a EXPO?
(Gostaria de ter lido aquele livro escroto...) É ENORME. Muito grande aquele lugar. Cheguei lá 9:30 do sábado e só saí 23:00 e não visitei nem a metade. Aliás devo ter visto apenas 25% dos pavilhões e sem demorar muito dentro deles. Visitei o do México, Suécia, Irã, Vietnã (país natal do Wlamir), São Tomé e Príncipe, Portugal, Bolívia, e outros. Dentro da EXPO tinha um rodízio brasileiro em três pontos chamado Chimarrão. Tocava direto aquelas músicas do sul que parece sertanejo... Horrível a musica, mas estava louco pra comer um picanhazinha no alho. O problema era o preço. DM 45? Hã?!? Nem morto. Comi cachorro quente. Por falar em música brasileira, toda hora eu escutava ela. No pavilhão da África havia um restaurante, que, parece-me, era comandado por portugueses, porém tinha um grupo tocando músicas como aquelas saudosas do Olodum quando eu era pequeno. "Madagascar ilha, ilha do amor ê, ê, ê Madagascar Olodum, aê, eu sou o arco-íris de Madagascar", ou "Retirante ruralista, lavrador..." e por aí vai... Tinha também um botequinho tocando Axergh e num restaurante português (de novo) um cara com um violão disse "Paulinho da Viola - Samba made in Brasil".
E ele tocou um sambinha esperto. |
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| Devo confessar. Estava morrendo de medo do pavilhão brasileiro. Tenho um certo preconceito com nossos governantes, desculpem-me. Acho que a maioria deles são uns mocorongos sem noção e só estão no poder para roubar nosso dinheiro. Depois de conhecer o pavilhão do México (mais de 1 hora de espera numa fila pois todos queriam conhecer, com direito a filme 180 graus e óculos 3D) e de ver de fora o da Islandia que era um cubo azul de mais de 12 metros de aresta jorrando água como uma cascata, eu achara que faríamos feio na EXPO. |
![]() Pavilhão da Islandia |
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![]() Pavilhão do Canadá |
![]() Pavilhão do México ao fundo | |
![]() Pavilhão de Sri Lanka |
![]() Pavilhão de... hmmm... Sei lá | |
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Entrei no pavilhão da América do Sul. De cara já dei com o pavilhão da Argentina. Grande prá caramba. Nem quis visitar de vergonha. Procurei pelo brasileiro e numa placa estava escrito Argentina, Caribe, Brasil. Porra, cadê o brasileiro. E procurei, procurei e nada. Rodamos tudo e não encontramos. Então, de repente, reparei naquela estranha parede que eu já havia passado duas vezes. Encontrei-o finalmente. O pavilhão do Brasil era gigantesco. Suas paredes eram um brinquedo gigante. Imagine um cilindro com base circular de 3 cms de diâmetro e altura 5 cms. Agora imagine um cilindro com base circular de 0,5 cms de diâmetro e altura 10 cms. Imaginou? Entao pegue dois cilindros "gordinhos" e cole nas extremidades do esbelto. Você terá algo assim... |
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Mais ou menos... Então pegue uma parede 12,5 metros de altura e faça milhares de furos de 0,6 cms de diâmetro e encha com essas montagens de madeira acima desenhada. |
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||| <====== Muro de 12,5 metros de altura
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De ambos os lados é possível empurrar os cilindros. Pode-se fazer desenhos. Pode-se esrever nomes empurrando os cilindros. Existe brinquedos tipo esses no Brasil... Ja vi vendendo nas barraquinhas da Igreja do Senhor do Bonfim. A primeira coisa que se notava no pavilhão era a criançada. Elas se divertiam pra caramba. Ficavam disputando uma em cada lado da parede para ver quem empurrava mais, ficavam escrevendo nomes. Seus pais as botavam na parede e faziam a moldura delas e tiravam fotos... Era uma brinquedão. No alto, a uns 6 metros de altura existia desenhada a bandeira do Brasil, e umas imagens de capoeira, baianas, etc... Nas entradas existia vários tubos da altura da parede tipo aqueles tubinhos que muita gente tem em casa que, ao passar uma brisa, faz barulho. Por que botaram aquilo? Não sei. Mas tinha uma garota que, acho, estava louca prá quebrar um desses e ficava empurrando um contra o outro. Maior barulhão... |
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Dê uma olhada nessa foto. O pavilhão brasileiro é esse. Essa foto deve ter sido tirada antes do pavilhão ser aberto ao público, pois existem figuras ao nível do chão. Quando eu visitei já estava tudo zoado, com a molecada mexendo nos paus. Nessa foto é possível ver a parede com os cilindros marrons e os tubos que eu escrevi que muita gente tem em casa. |
Pavilhão do Brasil (http://www.expo2000.de)
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No chão, dentro do pavilhão, tinha uma trilha repleta de fotos de lambe-lambe. (você sabe o que é lambe-lambe, não? São aqueles fotógrafos que ficavam nas praças tirando fotos instantâneas do pessoal. Eles usam umas máquinas muito antigas que possuem um pano preto onde eles põem a cabeça prá mirar. Creio que eles são espécies em extinção mas acho que até hojé se encontra esses caras na praça da Pituba em frente ao Itaú em Salvador). E tinha muita foto nessa trilha. Tinha uma outra parede interior com umas colunas de madeira de 10 mts de altura por uns 25 cms onde dava era possível girá-las. Em cada uma, de um lado dessas paredes haviam umas 5 fotos de 20 por 15. Essas fotos mostravam o q é o Brasil... E esse era o meu maior medo. Para os alemães, o Brasil é um bocado de mulher pelada dançando no Carnaval. Sério... Quando tem "noite brasileira" em discoteca aqui tocam música latina e vão umas brasileiras sambar. E os caras babam. Meu medo era que o pavilhão brasileiro fosse uma grande Big Man International (para quem não conhece, é uma revista pornográfica, mas eu nunca a li... :) ). Agora pare um pouco e pense. Se lhe perguntassem: -Descreva o Brasil - sobre o q tu falarias? Tu falarias sobre os índios, os negros, os japoneses de São Paulo, os italianos da Bexiga, o futebol, o sertanejo, a galera do Pantanal, os gaúchos, os baianos... Chega né? É muito complexo o Brasil e falar de um e nao falar do outro não é coerente. Quem bolou essa parede sabia disso. Essa parede mostravam a diversidade das pessoas que moram no Brasil. E tinha muita foto e muita coisa distinta. Tinha preto, branco, amarelo, vermelho, homem, mulher, criança, velho, índio jogando futebol, muçulmano rezando, capa de Vogue em chinês (ou japonês, sei lá), loura, cearense, mulher na praia, carnaval, padaria, nego de gravata e paletó, nego sem roupa, moleque descalço batendo um baba (jogando pelada (ou futebol, se ainda você não entendeu)) na rua e com golzinho feito de lata, gente andando de bicicleta, gente andando de carro, gente na favela, garota do sertão, e por aí vai... Tinha TUDO lá. Ou quase tudo. Mas o que tinha do outro lado da parede quando nós a virávamos, você se pergunta... Um espelho. E você se via no espelho. E eu pensei:
"Ei, eu também sou a cara do Brasil" Uma coisa tem que ficar claro. Ao contrário da maioria dos outros pavilhões dos outros países, no brasileiro se podia bulir em quase tudo (tocar para quem não é da Bahia, porém bulir caracteriza melhor. Bulir é tocar do jeito de criança levada que pega em tudo. "Não bula nesse quadro, minino"). Esse era um charme inigualavel do pavilhão brasileiro. Era interativo. A molecada (e os adultos também) buliam em tudo. Isso causava em certo problema também pois faltavam alguns bonecos de barro. Tem ladrão em tudo lugar :( Ao lado desse lugar havia uma parede que representava uma casa de gente simples. Esse tipo de lugar, em minha opinião, era característico do Rio de Janeiro (talvez eu esteja enganado, provavelmente é assim em todo lugar. Digo do Rio de Janeiro pois minha família praticamente inteira mora no Rio e eu só via essas coisas na casa dessa galera). Nessa parede estavam pendurados foto de casamento da década de 40 (acho que era de quarenta, sabe aquelas fotos velhas, muito velhas, com o papel já amarelado em que aparecem os noivos e a foto é pintada), escudo do Flamengo (AÊ) e do Fluminense (UH), foto da seleção do Flamengo de noventa escrito com letras garrafais "Campeão Estadual de 9x", foto de parente, terço, figa e uma porrada de coisas... Eu já vi muito dessas paredes por aí afora, porém na Alemanha foi a primeira vez. Tinha a sala do milho, onde prá entrar na sala era obrigatório tirar o sapato. Eu não entrei mas vi como era dentro. Era um espaco meio escuro com imagens refletidas nas paredes que mudavam com o tempo e o chão era coberto de milho (creio que era milho, como disse, não cheguei a entrar). Era muito engraçado. Tinha gente conversando lá dentro, gente nadando no milho, gente tentando dormir, criança jogando milho dentro da camisa... Em outra parte do pavilhão o chão era o mapa do Brasil, da América do Sul, todo feito de grãos. Trabalhão. Caminhava-se por ele graças a um um vidro. Tinha uns televisores com gente normal (sem ser artista de TV ou coisa parecida, gente tipo você ou eu) cantando algo, ou falando do Brasil. Em uns monitores era traduzido em alemão ou inglês e tinha um apenas no bom e velho português. Ouvia-se com uns fones de ouvido. Só ouvi um pouquinho umas garotas cantando que no Brasil tem negro, índio, branco, blá, blá, blá. Como cantavam mal. Havia umas paredes de metal com umas portas. Quando se abria uma, via-e um cocá de índio, flecha, tv. Havia depois um salão com um cara falando sobre a seca. Nem fiquei muito tempo, apesar de parecer muito interessante; eu tinha o resto da feira toda prá visitar. O salão principal era tesão. Havia uma telona passando um filme. Passou o Rio, São Paulo e mais outras cidades que não deu pra diferenciar. Passou futebol, velhos conversando, poemas. Tudo ao som de MPB. Esse filme você assistia sentado numa arquibanca onde em alguns lugares haviam travesseiros pra sentar. Os outros devem ter sido roubados. :) O filme passava sobre a simplicidade do brasileiro, sua paixão pelo futebol coisa e tal. De vez em quando vinha uns textos do Arnaldo Antunes. Cara estranho. Os textos eram traduzidos em inglês e alemão também. E, no filme, a ordem era misturada toda hora. Uma zona. "as vacas comem duas vezes a mesma comida" ou "chicletes foram feitos para mastigar não para engolir" ou "o rabo do cachorro é sorriso" Vão pensar que só tem louco no Brasil. Esse filme era legal, passava cenas do cotidiano. Deu até saudade. Ao redor desse lugar haviam fones de ouvido cada um com um compositor ou cantor de musica brasileira. Tinha Zeca Pagodinho, Paulinho da Viola, Velha Guarda da Mangueira, aquela violeira super famosa que toca música caipira e ninguém no Brasil nunca deu valor e só foram descobrir ela depois que algum estrangeiro a mostrou ao mundo e eu esqueci o nome dela (não gosto de música caipira, por isso não me lembro o nome, é algo Meireles? Ou não), Sepultura (tinha um moleque que ficou ouvindo o CD inteiro), Jorge Ben Jó, Nação Zumbi, Chico Science, Bezerra da Silva (ouvi Malandragem Dá Um Tempo), Gal, Caetano, Gilberto Gil, Marisa Monte, e uma pá de nego que nunca ouvi na minha vida inteira... Acho que chega, você já deve tá de saco cheio de ler isso tudo. Prá finalizar: Eu achei o Máximo. Foi muito maneiro o pavilhão brasileiro. Quem o bolou está de parabéns. Prá muitas pessoas, estrangeiros e brasileiros, deve ter sido um lixo. Talvez quisessem ver mulher dançando pelada ou o futebol do Ronaldinho ou a visão do futuro do Brasil sendo uma potência mundial... mas SINTO MUITO. Não teve isso. Ao contrário mostrou um povo que não tem uma história definida (pois sua história é riquíssima e muito ampla pra ser definida) e tenta ser feliz na sua pobreza. O pavilhão foi simples, porém DEMAIS. Infelizmente não tirei nenhuma foto lá, vai ficar guardado na minha memória como uma doce lembrança e é impóssivel eu mostrar a você a beleza daquele lugar. Creio que muitas pessoas se divertiram prá caramba lá. A molecada mexeu em tudo. Tinha uma coisa ou outra quebrada ou faltando pois quando alguém se dispõe a deixar o pessoal meter a mão em tudo, sempre aparece um bruto com a forca de um elefante e quebra ou um malandro que quer ser esperto e rouba. Mas, caracas, valeu a pena. Só prá acabar.
Domingo acabou o horário de verão na Alemanha. Ao invés de atrasar o relógio eu adiantei. Resultado. Acordei ás 5 e cheguei na estacão de trem 2 horas antes do trem. Prá terminar a brincadeira ainda perdi o segundo trem da conexão. Entrei numa fila para a mudança de trem e 40 minutos depois, faltando apenas 5 minutos para eu pegar o segundo trem, o atendente me fala:
-Você não precisa ficar nessa fila. Não é necessario reservar de novo Natação Campeão Clique a barra de VOLTAR de seu navegador, tô com prequica de botar um atalho aqui. |
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