Os Monólogos da Vagina

"Os Monólogos da Vagina", é uma peça de teatro, baseada
na peça que grande sucesso fez na Broadway - "The Vagina
Monologues" - escrita por Eve Ensler; aqui adaptada e
dirigida pelo competente Miguel Falabella.
Um libelo neofeminista sim, mas também um grito de alerta
e protesto contra todas as formas de violência contra a mulher.
Seja a violência criminal, a social, a sexual, e - um crime não
menor - a violência doméstica. Essas muitas vezes sofridas
amargamente no silêncio de quatro paredes. Assumir a vagina
é antes de mais nada assumir sua condição mulher. Porém, se
por um lado encontrá-la não é difícil, embora nem sempre seja
fácil, já assumi-la é uma outra história. Muitas vezes podadas
numa educação castradora, e o que é ainda, infelizmente muito
mais comum, mesmo nos dias atuais, criadas sem educação
alguma, muitas mulheres esquecem que assumi-la é incentivar
a auto-estima para não ter vergonha do que é parte do seu
corpo.
Muitas ficam dias, semanas, meses e anos sem nunca olharem
para a sua. Mero e descabido excesso de pudor, ignorância,
falta de interesse pelo próprio corpo até, e pelo prazer. Se você
não valoriza-la, não espere que os homens o façam. Poucos,
muito poucos o fazem, e menos ainda sabem como fazê-lo.
Muitos nem ao menos sabem o que ela é; Como é, e o que fazer
com ela quando a tem por perto. Na verdade, a grande maioria
adora, dela usar e abusar, mas poucos valorizam e respeitam-na
como deveriam.
Portanto cuide você, dela !
Ela é apenas sua e de mais ninguém.
Na verdade o mundo precisa, e muito, do feminismo para que
a libertação da mulher, seja uma realidade; e seria insano não
pensar com profundidade, quão grande é essa necessidade.
Um chamado pelo fim da violência de todas as formas contra a
Mulher; a peça de teatro cuja estréia se deu aqui no Brasil, na
semana do dia Internacional da Mulher em 2001, é antes de
tudo um eco em favor das que não tem quem as defenda e
muitas vezes sequer podem ou conseguem se defender.
Quantas mulheres sofrem alguma violência, e quando procuram
ajuda da sociedade, ouvem: - "...mas você facilitou!", você
deu razão ou motivos para, ... - ...e por aí vai.
Muitas vezes é o próprio marido, propositalmente, que inicia
todo um ciclo de violência doméstica, sexual, psicológica, e
porque não até a financeira, para não falarmos da econômica;
muitas vezes silenciosa, outras escancarada e odiosamente às
claras, como que desafiando todo e qualquer princípio e bom
senso. Apenas porque têm de alguma forma, seja pela lentidão
da justiça e da burocracia sócio-estatal, e porque não, dos
órgãos responsáveis em proteger os integrantes de uma
sociedade; a certeza da quase impunidade ou o que é mais
comum, do abandono da queixa e da ausência de providências
concretas para coibir quaisquer formas de violência gratuita.
À mulher, cabe se defender dos agressores e, como muitos
sabem, da própria sociedade que lhe agride, quando chamada
a cumprir seu papel de guardiã, e que deveria sem nenhuma
esfarrapada desculpa, defender aquela que é muito mais a
razão de ser da própria sociedade, do que os machos que se
dizem seus representantes. Enfim, ela se vê freqüentemente
abandonada e nada mais lhe resta, a não ser se defender com
unhas e dentes; dessa sociedade que a ela mulher, sempre
cobrou e continua a cobrar, muito mais do que dá de retorno.
Cobra muito mais do que deve, e não lhe dá a chance muitas
vezes de ser FELIZ, lhe negando o direito ao próprio corpo,
apenas por ela ser MULHER!
Assim é que o "Os Monólogos da Vagina" é também um grito,
já que cai como uma luva, contra a opressão machista,
principalmente nos países sub-desenvolvidos do terceiro
mundo, dos quais, infelizmente, ainda somos parte. Mas
também serve ao homem brasileiro, cuja herança de
comportamento sócio-familiar, herdada da nossa miscigenação
multi-étnocultural, e que por isso deveria ser um comportamento
senão exemplar, mas avançado e inteligente, é na verdade, nada
mais que a propagação e continuidade de costumes viciados,
vistos em sociedades menos evoluídas. Isso para não falar de
homens de conhecidas etnias, para quem em umas, as mulheres
são meros objetos do prazer, mesmo quando são suas esposas;
e em outras muitas vezes são tratadas como animais de
estimação, ou consideradas de menos valor que os mesmos.
Será que eles sabem o que significa a palavra "esposa"?
Provavelmente não!!!
"Vagina, por mais repetida que seja, ela nunca soa como a
palavra que você tem vontade de dizer." (Eve Ensler).
Sendo um libelo neofeminista ela - a peça - não é, e não faz
parte de nenhum movimento, anti-homem. Afinal eles fazem
parte do mundo feminino. Devem apenas respeitar o que
sequer ousam querer conhecer como deveriam.
Portanto, nunca esqueça : Você tem a sua ; e ninguém tem
o direito de traçar normas por você.
Ainda hoje, em pleno século XXI, é necessário quebrar os
grilhões, os tabus, da opressão feminina, impostos pela
própria sociedade. Lute por sua libertação, lute por seus
direitos. Acima de tudo lutar pela sua defesa contra todas
as formas de violência é um direito do qual você NUNCA
deve abrir mão. É o feminismo deste começo de século que
começa a se mostrar. Barreiras precisam ainda serem
vencidas, quebradas.
Nunca seja submissa; sem ser permissiva, vá a luta, não
abra mão do prazer. Mas exija respeito acima de tudo;
e não se deixe ser mero instrumento de uso do prazer,
achando que está usando quem te usa. Grite, chore,
reclame, esbraveje, esperneie se for o caso; mas não se
entregue e nem se deixe vencer. Seja pelo medo, pela
opressão, pela vergonha de ser incompreendida, ser
apontada aqui e ali, até como uma reacionária, provocadora,
insatisfeita, e tantos outros adjetivos poucos usuais.
Os Direitos são seus. Portanto não deixe de persegui-los!!!
Esta página é para Você Mulher.
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Mulher lutadora, que nunca se entrega.
Mulher educada, mas brava, e que sabe quando precisa, se impor.
Mulher sensata que sempre procura ouvir e ponderar.
Mulher guerreira que não recua.
Mulher imbatível, e sempre altiva.
Mulher vencedora que está sempre a postos.
A Mulher que sempre será Você !!!
Mas também para você Mulher, oprimida, maltratada,
incompreendida, muitas vezes abandonada, esquecida e
até mutilada.
Não há como pensar em um mundo sem Mulher;
É delas o charme, a beleza, a sinceridade, a maternidade e a vida.
E o que seria dos homens se não fossem elas!
Mulher, paixão que ama o ser amado, tanto quanto ama seus filhos.
Mulher, sexo forte e inteligente.
Tú és mulher, e isso basta.
(Jorge Oliveira)
Sempre é tempo de desejar mais uma vez:
Always is time to wish you once again:
Feliz Dia Internacional da Mulher !!!
Happy Woman International Day!!!
Carpe Diem !

08 de março de 2004