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Deixe meu País !

Senhor político, por favor vá  embora. DEIXE o meu país ! Ah! mas o senhor ( o Senhor é mera cortesia que minha educação me manda usar ) vai dizer: "mas eu também sou brasileiro e portanto o país também é meu ! Engana-se o senhor. Se o senhor e demais legisladores e muitos dos executivos dos vários escalões fossem brasileiros, primeiro pensariam no POVO; esse sim, brasileiro até a alma, no País; e por último na sociedade. Nesta exata seqüência. Mas como pensam, quase todos, com raras exceções, primeiro em sí e no próprio bolso e interesses, certamente o senhor nunca foi e jamais será brasileiro.


Se brasileiro o senhor fosse, não pensaria em penalizar o povo, não porque criar impostos dôa no estômago do povo, mas dói muito mais o MAU uso que fazem do orçamento que votam segundo seus interesses. Isso dói. Dói ver que não se tem um serviçoo de saúde decente, uma escola até o terceiro grau decente e suficiente desde os primeiros passos, para todos. Dói ver a legião dos sem-emprêgo, sem-casa, sem-chance de um dia vir a ter uma vida DECENTE. Não apenas uma gaiola para dormir apertado e sem conforto algum, que não raras vezes, quando consegue negociar sua compra, termina perdendo-a para os banqueiros que sempre são ajudados - por serem mais espertos que incompetentes - ; com o dinheiro do próprio POVO, além é claro de espoliá-lo com juros escorchantes.


Sim, o senhor vai dizer também: Mas não sou eu que faço tudo sòzinho. Realmente! ... o senhor sempre está acompanhado de seus pares ou de partidários, quando não de amigos, ou para usar uma palavra de que gostam, de correligionários do executivo.


O senhor também vai dizer: Mas eu tenho o direito de aqui estar e ficar pois fui eleito pelo POVO, com o voto do povo e para trabalhar pelo e para o POVO. Realmente ! O senhor foi eleito sim pelo povo e com o voto do povo. Mas trabalhar, quantas vezes o senhor realmente trabalhou pelo menos as quarenta (40) horas que os que ainda conseguem ter algum tipo de trabalho e outros um emprego (sim, porque há uma diferença entre um e outro. Há muito, mas muito mesmo, emprego justamente remunerado já não existe, e trabalho que não seja uma espoliação, embora não possam sequer ser classificados de emprêgos, são poucos e há os que nunca foram e jamais poderão ser chamados de emprêgo. Apenas um trabalho mal remunerado no nível mínimo da linha da sobrevivência); mas voltando aos brasileiros com alguma ocupação e registro de trabalho, são obrigados por lei, criada ainda no século passado, são obrigados a cumprir. Não que trabalhar quarenta horas semanais mate alguém, até porque existe empresários sérios que trabalham isso ou até mais, mas o povo, sofrido, espoliado pelos capitães da economia e do poder, pelos políticos, seja no legislativo ou no executivo, está sobrevivendo e trabalhando muitas vezes muito mais que apenas oito ( 8 ) horas diárias, de semana a semana, sem sábado e muitas vezes sem o domingo para cuidar de sua vida pessoal, porque descansar mesmo o povo não descansa; enquanto o senhor pouco comparece ao seu lugar de trabalho, e quando faz o faz pouco.


Um povo que tem a ilusão de ser chamado de classe-média pelo senhor e seus pares. Como se classe-média fosse os que passam fome muitas vezes, não tem acesso a um lazer - e olhe que estou indo longe -, quando deviam ter primeiramente um atendimento médico decente, uma escola também decente e suficiente, sim porque nem todos tem escola decente; e suficiente menos ainda. Segurança para ir e vir? Nem pensar. Os bandidos estão aí, sem colarinho ou com colarinho branco ou seja de que cor ele se mostre. Uns nos assaltam e matam esfolam de arma na mão, outros com a caneta e suas idéias nefastas, projetos discutíveis, que muitas vezes embora exeqüíveis, estão fora da realidade da atual economia, mas que são tocados em frente, porque antes de favorecerem o povo, o país e a sociedade, favorecem ao senhor. E quando favorecem primeiro ao país pelo menos, correm o risco de ser engavetados, paralisados ou literalmente rejeitados.


Como se classe média fosse quem ganha parcos (em torno de) R$ 1.300,00 ou US$ 500.00 ; para falar a palavra da moda com o que pagamos o que devemos e compramos ou temos a ilusão de comprar. Desde o combustível que move o ônibus (ônibus ? piada !) que nos leva, passando pela energia elétrica, ah ! a energia elétrica , um setor da economia, que a exemplo de outros, o senhor junto com seus pares nunca deram a mínima. Mas que, quando decidiram que não se podia ler a não ser a luz de velas, ver TV, um filme - para os que tem um vídeo em casa - e tomar banho as pressas, jamais deixaram de usá-la no limite do seu conforto, excluindo apenas alguns exageros etc. Lembro de um dia estar num aeroporto e ouvir de um distinto cidadão - político - que: "eu consumia uns oitocentos e tantos kilowatts, mas estou conseguindo ficar dentro da meta de redução dos vinte-por-cento" ; enquanto o POVO é obrigado a se submeter a um racionamento, porque os políticos gastaram onde não deviam, afundaram o país desde os anos 80 na mais profunda recessão que jamais se viu, e ficaram palitando os dentes porque nunca lhes faltou nada. Nem emprego. Pelo contrário, aumentaram a despesa do já magro Tesouro Nacional; criando munícipos que já nasceram deficitários, uma vez que não tem renda suficiente para serem unidades autônomas. Mas que para o deleite dos seus irresponsáveis políticos passaram a viver da verba orçamentária que a União lhes destina.


Mas voltemos ao senhor,o político, que o assunto não é energia elétrica, mas o excesso de político que este país tem. E como eu dizia, o senhor vai dizer que a economia não deslancha por culpa da crise global mundial. Não senhor político, a economia não deslancha neste país, rico naturalmente como todos sabem e vêem, por sua culpa que atrapalha, por culpa do governo que é um desgoverno. Ela não deslancha porque então o povo teria um padrão de vida melhor, teria muitíssimo menos desempregados, muito menos, sem-teto, com-fome, sem-escola, sem-saúde, sem-vergonha, teríamos muito mais segurança, hospitais e saúde, escola educação e cultura. Sim porque não basta ter apenas escola, é preciso que se tenha educação, e educação política para não elegerem gente do seu tipo, e claro cultura, pois sem cultura uma sociedade é uma sociedade morta.


Pois bem senhor político. Deixe o Meu País. Mas se não deixá-lo de mala-e-cuia, deixe pelo menos o país respirar. Deixe a economia andar. Pare de criar isso e aquilo que vai favorecer apenas a classe dominante, os políticos como o senhor e os executivos mandões da política nacional, os barões e potentados da economia sejam eles de que estirpe empresarial forem. Pare de fazer conchavos e aprovar ou modificar o que pode beneficiar o povo, o país e a sociedade, apenas segundo interesses próprios e do poder mandante. Pare de criar leis que o senhor nunca teve intenção de cumprir - lembra do depósito compulsório sobre compra de veículos e combustíveis? Pois é ele seria, "seria" devolvido e até hoje nunca foi... Criaram depois até um dispositivo legal para devolvê-lo, espera, mas a devolução já não tinha sido prevista na Lei que o instituiu? Ah ! Mas como eu dizia antes, o senhor e seus pares não gostam de cumprir as leis que criam, na maioria das vezes contra o povo. Lembra do F.G.T.S. ? Pois é o próprio governo espoliou o trabalhador e depois fugiu da raia. Inventou que ia devolver, e de repente devolve uma parte, corroída pela inflação. E o povo cobra esses desmandos de quem? Quem responsabiliza o senhor e seus pares do executivo? NINGUÉM ora ! Somos inatingíveis e temos imunidade, para que vamos nos preocupar ?


Como o senhor, eu também vivi no século passado, e vim de uma época em que houve um pequeno intervalo de tempo que se podia estudar. Onde a previdência social custava pouco mais de dez (10%) por cento do custa hoje aos bolsos do contribuinte, mas era eficiente e suficiente. Ah! Já sei o senhor vai argumentar que a população cresceu e a economia encolheu. Claro, encolheu por sua culpa. Mas os desmandos estão aí e quando descobertos e postos a público, raramente chegam onde deviam chegar. Terminam virando pó, pizza. Afinal este é o país do futebol, da praia, da batata-frita, do carnaval, da mincareta , do chopp e da alegria. O POVO engana-se a sí próprio.


Faz falta hoje homens como os do passado, Campos Sales, Oswaldo Aranha Rui Barbosa, para ficarmos em uns poucos. Não que naqueles tempos não houvesse desmandos e coisas erradas. Já vem de longe, mas havia muito menos. Houve quem conseguisse pagar a dívida externa um dia e passar o governo com dinheiro no caixa e sem contas penduradas.


Portanto senhor político deixe o povo em paz, deixe ele tentar viver e sobreviver, e não atrapalhe as próximas eleições, com promessas vãs, que jamais teve intenção de cumprir, ou com outras inexeqüíveis.


Até logo senhor político. Um dia quando eu crescer, quando eu for tão grande como o senhor, cobrarei do senhor e seus pares o que me é de direito. Porque acima de tudo sou brasileiro como tantos outros, e mal ganho para sobreviver, mas ja paguei impostos bem mais que os que pago hoje. Sim, além de ganhar relativamente bem, há décadas, eu consumia muito bem e meu consumo sustentava muito mais ao senhor e seus pares. Até outro dia senhor político. Mas pense no que sugerí. DEIXE MEU PAÍS ! Crescer pelo menos, dar condições de vida decente para seu POVO.


( Jorge Oliveira Nov. 2001 )


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