| Urbi et Orbi - 19/11/2001 Uma Europa Desunida Num Mundo de Alian�as Em menos de uma semana, a Alian�a do Norte passava a controlar 80% do territ�rio afeg�o, contra os 10% que ocupava anteriormente. Em oposi��o �s pretens�es norte-americanas, que prefeririam ver a capital afeg� ser ocupada por tropas de uma for�a multinacional, ap�s a conquista de Mazar-I-Sharif seguiu-se Cabul e ap�s esta, toda a faixa de prov�ncias junto � fronteira com o Ir�o, circunscrevendo a ac��o taliban �s prov�ncias mais a sul de etnia pashtun, justamente a etnia dominante nas for�as dos estudantes de teologia. A import�ncia dos esfor�os de guerra por parte de norte-americanos e brit�nicos nesta ofensiva militar n�o � ainda clara, uma vez que o fluxo de informa��o relativo a este conflito desde o inicio que se encontra condicionada, n�o devemos, no entanto, esquecer que para nenhuma das partes � favor�vel deixar os cr�ditos por m�os alheias, mesmo que para os recentes �xitos militares tenham contribu�do em igual medida estrat�gas afeg�os e estrangeiros. Por um lado, temos uma j� longa e esfor�ada oposi��o ao regime repressivo dos taliban materializada na Alian�a do Norte, um grupo h�brido de senhores da guerra que at� h� poucos anos se digladiavam pelo controlo de territ�rio afeg�o e que foram, pelo terror que impuseram, raz�o suficiente para o sucesso dos estudantes de teologia no seio de uma popula��o amedrontada e sequiosa de ordem. Por outro lado, do ponto de vista dos governos aliados envolvidos mais directamente nesta guerra, tem-se um jogo de balan�as cujo equil�brio � prec�rio, um equil�brio entre uma frente interna em continua desmotiva��o face � participa��o num conflito contra um dos pa�ses mais pobres do mundo, uma frente externa motivada por uma alegada uni�o internacional para a guerra ao terrorismo e legitimada pelos ataques de 11 de Setembro e ainda uma terceira frente, a frente da realpolitik, onde os estados se movimentam tendo em vista a prossecu��o dos seus interesses ego�stas, n�o podendo aqui deixar de fazer-se refer�ncia aos interesses existentes nas reservas energ�ticas de petr�leo e g�s da zona. Para al�m destas tr�s frentes para os governos aliados, para aqueles que integram a Uni�o Europeia acresce uma outra, uma frente caracterizada pela compatibiliza��o entre interesses nacionais e interesses europeus. Est� ainda presente na mem�ria de todos o pol�mico jantar patrocinado pelo Primeiro Ministro ingl�s, Tony Blair, onde tendo por pano de fundo um objectivo comum, a coordena��o de pol�ticas de um direct�rio europeu mais envolvido no conflito afeg�o, se acabou por ferir o ainda recente, inexperiente mas ambicioso conceito de Pol�tica Externa e de Seguran�a Comum. Contra este encontro de imediato de levantaram vozes dos pa�ses mais pequenos, a par da pr�pria Comiss�o Europeia, que a� viram o perigo de ver desperdi�ada a oportunidade da Uni�o Europeia se apresentar como uma for�a una e coerente, uma posi��o que, sendo necess�ria para a evolu��o do projecto europeu, faria face � tenta��o de posi��es unilaterais em torno de uma quest�o que suscita diferentes reac��es por entre os diferentes estados europeus. Apesar de todas as diferen�as, a Alian�a do Norte encontrou uma plataforma de entendimento e apresenta-se hoje como uma for�a organizada e una em torno de um objectivo, a derrota dos taliban e a consequente estabiliza��o e democratiza��o do Afeganist�o. As for�as aliadas encabe�adas pelos Estados Unidos, no terreno funcionam de forma concertada tendo como fim a captura de Osama Bina Laden e o desmantelar da rede da organiza��o terrorista al-Qaeda. J� � Uni�o Europeia falta a vontade pol�tica dos estados membros em agir em conjunto, sendo as motiva��es individuais ainda as maiores inimigas de um projecto que apesar de integrativo se pauta pelas retic�ncias de alguns estados que preferem manter-se � margem na altura da aposta mesmo que sejam os primeiros quando se trata de colher os frutos das pol�ticas comunit�rias. Nuno Filipe Mendes |