Urbi et Orbi - 25/05/2001

Uma d�cada

H� 10 anos, a eleva��o de Almeirim � condi��o de cidade simbolizou o reconhecimento, por parte do poder central, dos esfor�os empreendidos durante a d�cada de 80 com vista ao desenvolvimento sustentado da localidade. Sustentado porque se no in�cio dos anos 80 a situa��o prec�ria da economia nacional remeteu a sua gest�o para as r�gidas, mas eficazes, medidas do Fundo Monet�rio Internacional, sentindo a ent�o vila as repercuss�es deste �apertar de cinto�, em 1991, quando Almeirim � elevada a cidade, a situa��o da economia local era j� outra, representava o paradigma de uma economia local auto-sustentada e em franco desenvolvimento.
N�o pondo em causa a boa ou m� aplica��o dos fundos comunit�rios em Almeirim, a import�ncia destes na constru��o de tal desenvolvimento � incontorn�vel, sobretudo se repararmos que a injec��o destes capitais deu-se com maior relev�ncia no sector agr�cola, justamente aquele que era j� a base da economia local. A partir desta base outros sectores desenvolveram-se, como o com�rcio e no seguimento deste os servi�os. A aflu�ncia de institui��es banc�rias � vila tornou-se o exemplo mais marcante da entrada e aplica��o de capitais.
Do ponto de vista social, este crescimento era not�rio pelas obras p�blicas que em tanto vieram enriquecer os almeirinenses. Uma Escola Secund�ria, que em boa hora vinha libertar os jovens alunos de desloca��es para a capital de Distrito, a par de uma Biblioteca Municipal, que preenchia as car�ncias h� tanto sentidas pela anterior Biblioteca Caloust Gulbenkian, eram sinais evidentes de que a cultura n�o estava esquecida. Os eventos desportivos multiplicavam-se, tanto a n�vel local como em acontecimentos de projec��o nacional, sendo os 20Km de Almeirim um bom exemplo.  O alargar da vila � zona norte, atrav�s da abertura de uma nova avenida e da planifica��o de uma zona habitacional, caracterizada pela diversidade de op��es quanto aos custos respeitantes � aquisi��o de casa pr�pria, demonstravam bem as inten��es da autarquia em integrar escal�es s�cio-econ�micos de diversos n�veis, facilitando a todos a possibilidade de usufruir dignamente da vida em sociedade num meio em pleno desenvolvimento. N�o h� d�vida que os anos que antecederam a eleva��o de Almeirim a cidade foram anos de ouro e que s� assim foi poss�vel tornar realidade a eleva��o da ent�o vila, ainda assim, conv�m n�o esquecer que a excepcionalidade destes anos s� foi poss�vel porque o capital proveniente da actividade produtiva local manteve-se no concelho.
O crescimento em qualidade de qualquer aglomerado populacional, quer seja cidade quer seja aldeia, caracteriza-se n�o tanto pela acumula��o de capital mas pela aplica��o do mesmo e pelo modo de como circula no meio. Sendo a aquisi��o de bens materiais a forma mais vis�vel desta aplica��o de capitais por parte das fam�lias, um maior bem estar econ�mico projecta-se inevitavelmente na procura e aquisi��o de bens que proporcionem um maior bem estar geral, assim, � de esperar que haja um abrandamento no crescimento da economia local quando a comunidade deixa de providenciar aos seus membros os bens que estes consomem. O que vemos hoje em Almeirim demonstra o quanto a n�o diversifica��o da economia local pode influenciar o seu saud�vel desenvolvimento. O investimento nos potenciais agr�colas locais deve ser mantido, premiando a qualidade sobre a quantidade, mas a diversifica��o da produ��o, explorando outros campos da industria e investiga��o, torna-se hoje vital � prosperidade e independ�ncia econ�micas.
Nos �ltimos 10 anos, vimos passar pela cidade industrias e universidades, olh�mos para estas como novos �mbolos ao crescimento de Almeirim, atrav�s da desloca��o de estudantes, de p�los de investiga��o e locais de trabalho para a nossa cidade. Hoje, a vis�o deste o�sis, que se revelou uma miragem, remete-nos para a realidade de uma popula��o de consumo e actividade pendular. De consumo porque realiza os gastos fora de Almeirim, de actividade porque a falta de perspectivas de vida, laboral ou estudantil, na cidade m�e leva os seus habitantes a procurar melhor sorte noutros locais.
Ainda assim, e n�o deixa de ser verdade, Almeirim continua em desenvolvimento. As Piscinas Municipais, as novas urbaniza��es e dezenas de obras por todo o concelho parecem demonstr�-lo, resta saber at� que ponto � que este desenvolvimento � saud�vel, ou seja, at� que ponto � que se mostra sustent�vel. Certamente, os pr�ximos 10 anos tomar�o a seu cargo a responsabilidade de avaliar a nossa cidade de hoje e a de conjurar  hip�teses ao seu desenvolvimento, esperemos que Almeirim siga o caminho certo e n�o o que aparente ser mais f�cil.

Nuno Filipe Mendes
Hosted by www.Geocities.ws

1