Urbi et Orbi � 06/06/03

12 anos de cidade, 10 anos de n�meros

Foi em 1991 que a nossa vila se viu elevada a cidade. No mesmo ano decorreram os �ltimos censos nacionais do s�culo XX. S� 10 anos depois voltar�amos a ter novos censos.

Convidado a redigir algumas linhas sobre a eleva��o de Almeirim a cidade, decidi afastar-me da critica meramente opinativa, ainda que muito certamente sempre construtiva, para recorrer a uma interpreta��o mais factual da realidade almeirinense. Assim, dei por mim a navegar no site do Instituto Nacional de Estat�stica, onde se encontram dispon�veis alguns dados relativos ao quadro geral do pa�s, da regi�o da Lez�ria do Tejo e ainda do concelho de Almeirim. A�, o choque dos n�meros entre os censos de 1991 e de 2001 possibilitam identificar a evolu��o de cada uma destas dimens�es geogr�ficas durante a d�cada de 90, precisamente durante 10 dos 12 anos em que Almeirim � cidade.
Debru�ando-nos sobre os dados, constatamos que neste per�odo, a varia��o nacional para a Popula��o Residente saldou-se por um aumento de 5%, tendo a varia��o da Lez�ria do Tejo sido de 3.4% e a do concelho de Almeirim de 2,7%. Neste ponto ainda, relativamente � faixa et�ria dos seus residentes, refira-se que entre os 0 e os 14 anos houve uma diminui��o de �16% a n�vel nacional, de �16,8% a n�vel regional e de �17,5% a n�vel local. J� na faixa et�ria que decorre a partir dos 65 anos de idade, houve uma acr�scimo m�dio de 26,1% de Popula��o Residente no pa�s, contra 22,7% na Lez�ria do Tejo e 27,2% em Almeirim. Deste modo, e com base nestes dados, � poss�vel afirmar que para al�m da taxa de crescimento da popula��o residente local estar a aumentar quase em metade da m�dia nacional, esse crescimento � sustentado pelo aumento do n�mero de pessoas com mais de 65 anos de idade.
Quanto � iliteracia, refira-se muito resumidamente que a taxa de analfabetismo nacional em 2001 era de 9%, na regi�o era de 13% e no nosso concelho de 14,7%. Ora, n�o bastando a crescente diminui��o da popula��o juvenil residente em Almeirim, a taxa de analfabetismo local � superior em quase 5% � taxa nacional.
Passando para os dados relativos � Popula��o Residente Economicamente Activa, entre 1991 e 2001 Portugal viu a taxa de actividade aumentar 3,6%, a Lez�ria do Tejo 3,8% e Almeirim 1,8%. Ainda nesta �rea, mas quanto � Popula��o Residente Desempregada, saliente-se, para o mesmo per�odo, uma aumento nacional m�dio de 0,7%, um aumento regional de 1% e um aumento local de 3%.
Como disse inicialmente, n�o pretendo tecer aqui nenhuma critica ou opini�o, mesmo que para tanto conte com os dados do Instituto Nacional de Estat�stica. Assim, limitar-me-ei a constatar os factos que os n�meros relatam. Limitar-me-ei a constatar que o crescimento populacional almeirinense � cerca de metade da m�dia nacional e que � maior o aumento do n�mero de pessoas com mais de 65 anos, do mesmo modo que  � maior o decr�scimo da popula��o juvenil. Limitar-me-ei a constatar que o analfabetismo � superior em mais de 5% � m�dia do pa�s. Limitar-me-ei a constatar que a popula��o activa cresceu menos 2% e que a taxa de desemprego subiu igualmente mais 2% quando comparadas com os valores m�dios da regi�o.
Com ou sem criticas, dados ou constata��es, a verdade � que estes factos encontram-se presentes no nosso dia-a-dia e sentem-se em todos os momentos em que se vive Almeirim. Para evitar n�meros semelhantes nos censos de 2011, � necess�rio come�ar a trabalhar hoje e assumirmos a responsabilidade, todos n�s, de transformar-mos Almeirim num concelho com futuro, onde n�o baste envergar o t�tulo de cidade mas onde este seja o reconhecimento de um real esfor�o colectivo recompensado.

Nuno Filipe Mendes
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