Urbi et Orbi � 16/04/03

Esta pobre e �nclita gera��o

Sempre que vejo algu�m partir para fora do pa�s, por for�a das necessidades, fa�o-me a mesma pergunta �onde � que Portugal errou?�. Neste m�s de Abril, Portugal e Almeirim perderam mais um filho. Mais um que partiu em busca dos seus sonhos.

Se at� recentemente a emigra��o nacional caracterizava-se pela partida de nacionais com poucas qualifica��es,  hoje, a emigra��o caracteriza-se pela fuga de �c�rebros�, deitando a perder todo o investimento p�blico realizado na instru��o destes indiv�duos e, ainda para mais, colocando em cheque o futuro de um pa�s que v� alguns dos seus melhores filhos realizar-se al�m fronteiras, para g�udio dos pa�ses de acolhimento.
Poder�amos, com relativa facilidade, apontar o dedo � actual conjuntura de crise econ�mica, no entanto, entendo que esta fuga prende-se a raz�es bastante mais profundas, n�o se pautando pelos ditames dos mercados internacionais mas sim pela forma atabalhoada com que se tem lidado com a educa��o nacional no �ltimos anos. Existem duas acep��es que escapam por completo a todos aqueles que, buscando uma panaceia imediata para o problema j� cr�nico da educa��o, decidem de ano para ano, de mandato para mandato ou de ministro para ministro alterar por completo todas as regras que ditam o modo de como mais alguns milhares de jovens se podem candidatar ao ensino superior. Escapam a t�o doutos e impacientes governantes as m�ximas, assaz �bvias, que o crescimento econ�mico nacional encontra-se directamente ligado � for�a laboral de todos os sectores produtivos e que o fim �ltimo de uma qualquer pol�tica educativa deve ser a integra��o bem sucedida do estudante no mercado de trabalho. Em suma, poder�amos afirmar que a base do crescimento econ�mico nacional encontra-se na educa��o.
Ciente destes princ�pios basilares estava a Irlanda, que at� h� n�o muitos anos atr�s concorria com Portugal para os �ltimos lugares de diversos �ndices de desenvolvimento no seio da ent�o CEE e que agora, apelidado de Tigre Europeu, se destaca com as mais elevadas taxas de crescimento econ�mico nas fronteiras da UE. A Irlanda apostou numa pol�tica e numa ac��o educativa ponderada, mantendo-a governo ap�s governo e corrigindo-se erros sem que houvesse necessidade de fazer desmoronar toda a estrutura. Portugal optou por sucessivas remodela��es.
Para a concretiza��o da hoje t�o em voga boa gest�o nacional, imp�em-se a necessidade da adop��o de uma pol�tica de educa��o/trabalho coerente. Uma pol�tica que se reveja numa ac��o promotora de uma educa��o que prepare e dirija o aluno para o mundo do trabalho. Uma pol�tica motivadora, que garanta a exist�ncia de mercado para todos aqueles que durante v�rios anos da sua vida se dedicaram � aprendizagem de uma mat�ria, para s� depois tomar consci�ncia que a esta n�o correspondia um oficio.
S� agora se pondera a centraliza��o da for�a de trabalho nacional, pela obriga��o de inscri��o de toda a popula��o em idade activa nos centros de emprego. Gostaria de acreditar que esta medida laboral se visse acompanhada de uma nova mas decisiva revis�o do sistema educativo, uma revis�o que passasse pelas tomada de medidas pouco populistas, como o encerramento de cursos e escolas excedent�rias ou com pouca qualidade, mas que por outro lado se decidisse pela abertura de mais vagas noutros cursos, onde a necessidade do mercado de trabalho seja maior. Gostaria de acreditar que n�o mais tantos e tantos alunos se sentissem defraudados pelas expectativas geradas por um sistema que reconhece e aprova cursos, mas que n�o prev� a entrada dos seus alunos no mundo do trabalho. Mas o que eu gostava mesmo, era de acreditar que existe um esfor�o continuado no evitar que existam mais portugueses a abandonar o pa�s contra a sua vontade, por acreditarem que c� n�o encontram as condi��es para a prossecu��o do seu trabalho. Tudo isto num pa�s onde ainda h� tanto para fazer e onde todos somos poucos.

Nuno Filipe Mendes
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