Urbi et Orbi � 18/03/2001

A import�ncia do associativismo juvenil a n�vel local

O associativismo juvenil representa hoje em todo o mundo a outra face da moeda que � o crescente individualismo, motivado pela descaracteriza��o cultural provocada por vagas de padr�es culturais impostos pela globaliza��o. As associa��es locais tomam aqui a posi��o de charneiras no que se pretende ser a alternativa a um modo de vida que, ainda que estranho aos valores locais, se adapta e integra no nosso dia-a-dia.
Se at� recentemente as actividades em comunidade eram partilhadas e vividas por um todo, se at� h� pouco tempo as fogueiras de S. Jo�o abrilhantavam muitas das ruas e congregavam os esfor�os de todos os que a� moravam, sendo a partilha deste momento o ponto alto das noites de ver�o, hoje, com o individualismo a marcar a ordem do dia, torna-se habitual desconhecermos quem s�o os nossos vizinhos. O estilo de vida praticado nas grandes cidades, ao qual apont�vamos o dedo, � cada vez mais o nosso e, n�o sendo poss�vel nem desej�vel virarmos as costas ao mundo que nos rodeia, compete a n�s tomarmos estes novos tempos como mais um passo da nossa hist�ria, sem no entanto deixar de guardar o melhor que o nosso passado e a nossa cultura t�m.
Neste �mbito, as associa��es juvenis surgem na linha da frente, cultivando a uni�o da comunidade em torno de interesses t�o diferentes como o desporto, o folclore ou o escutismo. A partilha de tais valores, ainda que desiguais, conduzir�o � forma��o das mulheres e homens que amanh� guardar�o em si o que de melhor uma sociedade pode ter, a sensa��o verdadeira de uni�o em redor do que nos est� mais pr�ximo, a seguran�a de uma verdadeira viv�ncia em comunidade.
Sendo a maioria destas associa��es independentes do poder governativo, este, atrav�s do poder local, n�o se deve abstrair das responsabilidades que lhe caem sobre os ombros, a responsabilidade de apoiar em igual medida e consoante as necessidades tais organiza��es a par de promover junto da popula��o a imagem e actividades destas mesmas. � certo que o associativismo se encontra dependente, ou deveria, sobretudo da livre empresa e organismos n�o estatais, no entanto � tamb�m certo que o contributo deste para a educa��o dos mais jovens mun�cipes e manuten��o de uma identidade local, servindo como elo de preven��o ao �xodo para os locais de estudo e trabalho fora da localidade, deve ser reconhecido pela autarquia.
O associativismo juvenil acaba assim por funcionar como sustent�culo da comunidade a dois n�veis, educando segundo moldes que possibilitem a seguran�a de uma coes�o e diferencia��o cultural local a par de servir de elo de liga��o a todos os jovens valores que, n�o encontrando outras raz�es para permanecer na localidade que os viu nascer, v�em nas organiza��es em que cresceram raz�es fortes para continuarem ligados � comunidade. No associativismo, como noutras �reas, a li��o a tirar � a mesma, a educa��o � mais que um investimento individual, � um investimento de toda a sociedade para toda a sociedade, assim, n�o basta educar, � que saber colher os frutos deste investimento.

Nuno Filipe Mendes
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