ISLA
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Liberdade Vs. Seguran�a

At� que ponto est� disposto a abdicar da sua liberdade e direito � privacidade para se sentir seguro? Creio que esta quest�o resume em si as d�vidas de quem vive rodeado de c�maras mas que sente viver em seguran�a. Neste aspecto, Londres assume-se como cidade paradigma de como uma metr�pole vigiada assegura uma melhor qualidade de vida aos seus cidad�os.
N�o se pode afirmar que o brit�nico comum n�o seja cioso do seu direito � privacidade, antes pelo contr�rio. Discute-se actualmente, e sem grande �xito, a introdu��o de um documento identificativo em tudo similar ao Bilhete de Identidade portugu�s. A receptividade tem sido pouca, mas certo � que, em todos os grandes centros urbanos e grandes vias de comunica��o, estas pessoas sabem ter todos os seus passos vigiados� e parecem n�o se importar.
Para al�m de ter que sair do quadro cultural luso para chegar um pouco mais perto dos valores que movem a sociedade brit�nica, creio que a melhor maneira de compreender este fen�meno est� na inexist�ncia hist�rica de limites �s liberdades individuais em Inglaterra. O reino j� n�o conhece o absolutismo h� quase mil anos, e o �ltimo rei que tentou invocar sobre si direitos na posse do parlamento viu a cabe�a cortada. Com um sistema representativo que evoluiu ao longo dos tempos, a popula��o nunca se sentiu dominada por qualquer poder central.
Quando confrontada com a quest�o do BI, a maioria dos brit�nicos questiona �Porque necessita o governo destas informa��es acerca de mim?�. Por outro lado, quanto ao saber que a sua vida � vigiada por um sistema Big Brother, a maioria limitar-se-� a dizer que �Quem n�o deve, n�o teme!�. Para o brit�nico, a privacidade � algo de muito pessoal que n�o deve cedida de �nimo leve, ainda que, na pr�tica, deixe de fazer sentido a partir do momento em que se sai � rua.
Outro factor que suporta a aparentemente pouca import�ncia dada � vigil�ncia de rua (ou CCTV, como � conhecida em Inglaterra), � a efici�ncia com que os meios s�o utilizados para protec��o da comunidade. � esta efici�ncia que acaba por legitimar o pr�prio abdicar de parte da privacidade de cada cidad�o. Muito certamente, caso n�o existissem provas dadas do bom funcionamento do sistema, n�o existiria tamb�m tal sujei��o � vigil�ncia por parte de todos aqueles que, apesar de n�o deverem, temem pela limita��o � sua liberdade individual.

Nuno Filipe Mendes
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