| Novos actores, novos equil�brios
Contudo, o poder wahabita n�o � imune � influ�ncia das press�es internas e externas, sobretudo porque estes continuam em grande parte dependentes do poder real. Da mesma forma que, h� cem anos, a Casa de Saud buscou apoios no sentido de legitimar o seu poder, hoje, numa realidade onde a interdepend�ncia se processa ao n�vel econ�mico, os la�os existentes estendem-se muito para al�m das fronteiras sauditas. Os la�os existentes entre a casa real e o resto do mundo imp�em novas responsabilidades � sua ac��o. A primeira Guerra do Golfo, o fim da Guerra-Fria e, sobretudo, a realidade mundial p�s-11 de Setembro ampliaram a press�o para a adop��o de reformas. Ainda que ciente do peso dos mutawas, a rela��o entre estes e o poder politico � hoje vista pelo governo com um elemento destabilizador das rela��es com o exterior. Como no in�cio, a busca de um novo equilibrio parece ocorrer numa primeira fase a n�vel local, precisamente onde o clero tem mais poder. As elei��es municipais de 2005 constitu�ram o primeiro exerc�cio de democracia que o pa�s viu desde a sua funda��o. Para al�m disso, o sistema judicial sofreu tamb�m grandes altera��es em meados de 2003, quando um novo C�digo de Procedimento Criminal especificou, pela primeira vez, procedimentos legais espec�ficos, proibiu a tortura e estabeleceu que todas as deten��es deveriam ser justificadas perante o detido. Exercendo o poder de facto como soberano da na��o desde h� dez anos, o novo rei, Abdullah bin Abdul-Aziz, dever� prosseguir com reformas no sentido de aproximar os valores de governa��o daquilo que � exigido pela comunidade internacional. A quest�o central reside na rapidez e efic�cia da implementa��o de tais reformas. Voltando aos exemplos anteriores, no respeitante �s elei��es municipais, o acto eleitoral foi vedado � participa��o feminina. Para al�m disso, a exist�ncia de partidos politicos continua proibida, encontrando-se a oposi��o ao regime reduzida a poucos grupos residentes fora do pa�s. J� no que toca � justi�a, a adop��o do novo C�digo de Procedimento Criminal �, sem d�vida, um passo no sentido certo. Contudo, certo � que a sua transposi��o para a pr�tica continua a carenciar de reformas estrtuturais, por forma a permitir a existencia de elementos que possam servir de contrapeso � ordem instalada. Em ambos os casos, a lacuna das reformas parece encontrar-se no refor�o da sociedade civil enquanto actor na regula��o social para l� do poder wahabita. O soberano saudita parece entender que a rapidez do processo de reforma estar� dependente da efic�cia com que as reformas ser�o, gradualmente, implementadas. No entanto, falha na constata��o do facto que tal efic�cia encontra-se dependente da cria��o simultanea de mecanismos de controle dessas mesmas reformas. � aqui que a sociedade civil deveria surgir como elemento de regula��o. N�o obstante os passos que se possam dar no sentido de reformar a sociedade saudita, enquanto se mantiver o mon�polio e controlo sobre os m�dia, enquanto for restringido o acesso � internet e enquanto o associativismo for proibido, o poder dos mutawas prosseguir� intocado, assim como a intoler�ncia social wahabita. Com a revolta ikwan a Casa de Saud passou a aceitar que sem o wahabismo n�o existe base de sustenta��o ao poder saudita. Muito dificilmente se conseguir� atacar a estrutura fundamentalista wahabita sem que se coloquem em risco as pr�prias funda��es do estado. Face a isto, a pergunta que fica no ar � �Ser� que existe um interesse verdadeiro por parte do governano saudita em implementar reformas? Ou ser� que todos os progressos conseguidos mais n�o s�o que ac��es vazias de sentido tendentes ao aplacar das press�es internacionais?�. |