| A Realidade Civil
Hoje, a realidade mostra-nos que a aus�ncia de estruturas civis e de mecanismos de controlo isentos motiva a desresponsabiliza��o do estado para com os seus cidad�os, criando um vazio facilmente ocupado pela alternativa quase monopolista das estruturas clericais. Quando a Mesquita �, muitas vezes, o �nico edif�cio com �gua corrente e o p�lo educativo da comunidade, torna-se compreens�vel que as sociedades locais acabem por gravitar em torno da mensagem fundamentalista wahabita. Este facto � t�o pior quanto se pensarmos que mais de metade da popula��o � menor e encontra-se em idade escolar, precisamente junto das madrassas locais. Vendo os seus ensinamento ser disseminados pela popula��o saudita, o poder e intoler�ncia wahabita estendem-se a todos os sectores da sociedade, com maior incid�ncia a todos os que professem uma religi�o diferente. O governo n�o reconhece qualquer respeito pelas minorias religiosas do reino, sejam estas sauditas ou estrangeiras. Em Abril de 2000, a comunidade ismaelita xiita manifestou-se contra o encerramento de uma mesquita na prov�ncia de Najran, originando uma onda de deten��es e de viol�ncia policial dirigida a esta comunidade. A comunidade xiita, em geral, tem tamb�m manifestado o seu descontentamento para com a forma discriminat�ria com que s�o tratados, seja atrav�s de discursos de �dio lan�ados das mesquitas sunitas, seja nas escolas que os seus filhos frequentam. Para al�m dos mu�ulmanos n�o sunitas, os crist�os s�o igualmente perseguidos, sendo-lhes proibido o culto em locais p�blicos e a constru��o de igrejas. Mesmo aqueles que sejam acusados de propagar o cristianismo s�o detidos, agredidos e, em alguns casos, pressionados � convers�o ao islamismo. Tudo isto com o conhecimento e coniv�ncia governamental. O exemplo mais gritante de desconsidera��o para com uma parcela da popula��o, mesmo que demograficamente seja uma maioria, reside no modo como as mulheres continuam a ser tratadas. Estas continuam a necessitar da autoriza��o de um homem, que lhes seja pr�ximo, para se deslocarem no pa�s ou para fora deste, para conseguirem emprego ou at� serem admitidas num hospital. A condu��o de ve�culos cont�nua vedada a mulheres e o acesso a escolas superiores e � vida profissional encontra-se restringida. |