| O wahabismo e o exerc�cio do poder
Desde a conquista de Riade, em 1902, at� � instaura��o oficial do Reino da Ar�bia Saudita em 1932, o regime teocr�tico imposto pelos mutawas revelou-se essencial na pacifica��o nacional, servindo a imposi��o da nova realidade politica do territ�rio. O sucesso desta rela��o entre o poder pol�tico e a religi�o em muito foi ajudado pelo facto do wahabismo determinar que a lealdade deveria ser total ao soberano que adoptasse o Cor�o como lei. Para o monarca que assumira o t�tulo de Guardi�o das Duas Mesquitas Sagradas, a necessidade desta rela��o mostrava-se desde logo vital. A adop��o do t�tulo de Iman por parte de Ibn Saud, ap�s a conquista de Riade, mais n�o � que uma tentativa de legitimar o novo poder politico pela sua associa��o ao poder religioso. Por outro lado, os mutawas assegurariam o seu futuro ao lado de um regime que lhe era favor�vel. Os mutawas tiveram tamb�m um papel crucial na origem do exercito ikhwan, com o qual Ibn Saud conquistou o seu reino. As tribos n�madas foram for�adas a estabelecerem-se em aldeias. Aqueles que se sedentarizaram viram-se confrontados com a doutriniza��o wahabita por parte dos mutawas. A estes n�madas convertidos deu-se o nome de ikhwan, ficando conhecidos pela sua for�a na luta a todos os que se opunham ao regime e ao wahabismo. Com os ikhwan do seu lado, as tens�es entre o poder central e as tribos, que havia sido o calcanhar de Aquiles da Casa de Saud, acabariam suavizadas, se bem que se mantivessem as diferen�as hist�ricas entre o monarca e as tribos sauditas. A par da press�o moral exercida pelos mutawas, os ikhwan for�avam a aplica��o da lei isl�mica, n�o poucas vezes com recurso � for�a. Esta s�rdida rela��o de complementaridade serviu os interesses do poder real at� 1927, quando se d� a revolta dos ikhwan. A lealdade destes ao poder real encontrava-se grandemente dependente da prossecu��o das campanhas militares. Contudo, ap�s ter conquistado aquele que � hoje o territ�rio saudita, Ibn Saud sabia que n�o poderia levar as suas conquistas at� dentro do Imp�rio Brit�nico, pelo que deteve-se nas suas campanhas. Desmobilizados, os ikhwan revoltaram-se contra Saud, que teve de recorrer � ajuda da Inglaterra na sua conten��o. Esta revolta demonstrou bem o quanto dividida se encontrava ainda a sociedade saudita, refor�ando a depend�ncia da casa real pelo clero wahabita, que se revelava ser o �nico sector aliado com a for�a necess�ria para prevenir revoltas internas. |