| A raiz da import�ncia wahabita
Ao partir para a constru��o do novo estado, o principal entrave aos planos de Ibn Saud centrava-se no facto da sua base de apoio limitar-se a uma pequena comunidade localizada no centro da peninsula, o Najd. Faltavam-lhe ent�o os la�os com as tribos n�madas. � aqui que o wahabismo assume import�ncia na constru��o da na��o saudita. Historicamente, o movimento wahabita surgiu na Ar�bia do s�culo XVIII, pelas m�os de Muhammad ibn Abd al-Wahab. Nascido numa fam�lia de religiosos intelectuais, al-Wahab, prop�s uma interpreta��o radical do Isl�o contra o que considerava ser a degrada��o do islamismo. Recriminou a excessiva venera��o ao Profeta Maom�, proibiu o culto a homens santos ou o recurso � sua intermedia��o para chegar a Deus. Baniu ainda a m�sica, a dan�a, o �lcool e o fumo, imp�s uma condi��o de segunda classe �s mulheres, tornou obrigat�ria a participa��o dos homens nas ora��es e insistiu na validade das puni��es f�sicas. Ad�lteros seriam apedrejados, ladr�es teriam o bra�o amputado, e a pena de morte seria executada em lugares p�blicos. Ibn Saud tinha consci�ncia da import�ncia das popula��es locais. Assim, a realidade demonstrou a necessidade de pacificar os territ�rios j� habitados atrav�s da manuten��o das rela��es de poder j� existentes. Apadrinhado pela casa real, o sistema de autoridades clericais assegurava a manuten��o da ordem e, sobretudo, a fidelidade das elites locais. � assim que o wahabismo vai estabelecendo-se como doutrina isl�mica no seio da Casa real. A gest�o nacional tornou-se na pr�tica governativa de um poder terreno e divino. Isto era mais vis�vel a n�vel local, onde competia a um mutawa, um especialista em jurisprud�ncia e tradi��o isl�mica, a aplica��o dos princ�pios da f� na regula��o social. Os mutawas adquiriam os seus estudos atrav�s dos ensinamentos de estudiosos religiosos, os ulama. Contudo, divergiam largamente destes por limitarem-se a aplicar os princ�pios isl�micos a partir do ponto de vista radical wahabita. Em confronto directo com o que era praticado pelos ulama, na maioria intelectuais moderados, os mutawwas consideravam as outras ci�ncias do Isl�o como luxos intelectuais desnecess�rios � sociedade. |