| A MINHA VIDA SEM DROGAS |
| Passaram 7 meses enquanto estive separado da pessoa com quem vivia. No inicio desse periodo , nao conseguia estar em lugar nenhum. Um amigo emprestou-me uma auto caravana e parti � procura de tranquilidade, contudo, quando chegava ao destino tra�ado n�o me sentia bem e voltava para as Caldas. Isto durou semanas, sem no entanto, tocar em drogas. Decidi procurar ajuda e recorri a uma psic�loga, onde andei uns meses e onde aprendi muita coisa sobre mim, e como viver com alguns defeitos de car�cter que tenho. Finalmente comecei a sentir-me melhor e recomecei a trabalhar, passados alguns dias pedi um empr�stimo � minha m�e e comprei um carro. A minha vida pouco se alterou: continuava com as minhas actividades na Associa��o, jogava futebol nos veteranos do Caldas Sport Club, e sa�a aos fins de semana com amigos, at� que um dia tive um acidente de via��o e o carro foi para a sucata: Eu parti um pulso e ainda hoje sinto que fui vitima de uma manobra perigosa de outro condutor, no entanto, fui considerado culpado pelas companhias de seguros. Foi duro ver-me sem o meu carro e de repente sentir que tudo era em v�o. Felizmente que nesse momento a minha auto estima ja estava bastante consolidada e consegui reagir, continuava sem consumir qualquer subst�ncia de forma a alterar o meu comportamento ou procurar sensa��es. Decidi que devia demonstar a mim pr�prio e aos outros que era forte e que conseguia reagir, falei com a minha familia e comuniquei-lhes que tinha decidido comprar outro carro, e que tinha que ser igual ao outro. A minha m�e disse que n�o queria o dinheiro que me emprestara abrindo-me assim a possibilidade de pedir um empr�stimo ao banco, foi o que fiz. Ainda n�o estava completamente recuperado do meu pulso e j� eu tinha um carro igual ao outro, mesma marca, modelo e ano de constru��o. Gra�as ao meu comportamento a minha rela��o com a minha companheira estava a melhorar e come�amos a encontrar-nos, a conversar, e voltamos a viver juntos. Eu era outra pessoa, com outra forma de estar e de agir para com os outros, embora reconhe�a que sou muito duro e frio em algumas situa��es, o que por vezes, faz pensar que sou egoista e que s� penso em mim. Passado um ano decidimos casar e ter filhos. Casamos no dia 27 de Julho de 2002. Foi um casamento lindo, como eu sempre sonhara. Foi uma cerim�nia de muita l�grima. Minhas, por conseguir realizar mais um sonho, por ver a felicidade dos meus pais e irm�, por ver todos os amigos que consegui reunir; dos outros, por verem a emo��o que eu transmitia. Passados cinco meses a minha mulher descobriu que ainda n�o queria ter filhos e que tinha necessidade de fazer "coisas" na vida. O meu mundo desabou, pensei em tudo: suicidar-me, voltar a consumir, desaparecer para parte incerta. Passei duas semanas de agonia e tristeza, at� que no dia 2 de Dezembro de 2002 nos separamos. |
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