| Macuna�ma(1928) Autor: M�rio de Andrade |
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| 1- O AUTOR: M�rio de Andrade foi um dos principais participantes da Semana de Arte Moderna de 1922. Al�m de Macuna�ma (1928), publicou, entre outros: - Paulic�ia Desvairada (1922), obra de poesia em que faz experimenta��es com as vanguardas modernistas; - Cl� do Jabuti (1927), livro no qual aplica tradi��es populares pesquisadas por ele; - Amar, verbo intransitivo (1927), romance que critica a alta sociedade e sua hipocrisia; - A escrava que n�o � Isaura (1925), uma cr�tica ao passadismo; - Contos Novos (1946), obra inacabada com narrativas de inspira��o freudiana e de preocupa��o social. M�rio de Andrade, a partir da Semana de 22, se tornou uma figura decisiva do modernismo. Ele foi m�sico, pesquisador de etnografia e folclore, poeta, contista, romancista, cr�tico de todas as artes, ocupou v�rios cargos relacionadas com o desenvolvimento cultural. Nasceu em 1893 e morreu em 1945, aos 51 anos. 2- O BRASIL NA D�CADA DE 20: O Brasil, no come�o do s�culo XX, j� estava bem mais desenvolvido do que nos 4 s�culos anteriores. Havia f�bricas, cidades, com�rcio. A velocidade dos meios de comunica��o e do transporte impressionavam os brasileiros. Al�m de tudo isso, houve a cria��o do Partido Comunista, crescimento do movimento tenentista e a Semana de Arte Moderna. A Semana de Arte Moderna aconteceu no Teatro Municipal de S�o Paulo, nos dias 13, 14 e 17 de fevereiro de 1922. Jovens paulistanos apresentaram, em conjunto, suas id�ias de vanguarda. As ousadias modernistas n�o foram bem aceitas por todo o p�blico. 3- MACUNA�MA E A RENOVA��O DA LINGUAGEM LITER�RIA: A obra � um dos pilares da cultura brasileira, na qual M�rio de Andrade reelabora mitos ind�genas e vis�es folcl�ricas da Amaz�nia e do resto do Pa�s, para montar uma linguagem realmente brasileira. Macuna�ma concretiza as propostas de Oswald de Andrade de Antropofagia, que buscava uma rela��o de igualdade entre a cultura brasileira com as outras. Segundo o pr�prio autor, o livro �n�o passa de uma antologia do folclore brasileiro�. Re�ne lendas e mitos pesquisados pelo autor e utiliza linguagem popular e oral de v�rias regi�es do Brasil. Por isso a obra pode ser chamada de uma raps�dia. Al�m de mitos pesquisados por ele, M�rio de Andrade tamb�m cria seus pr�prios mitos para explicar, por exemplo, o surgimento do futebol e do truco. 4- S�NTESE DO ROMANCE: I- MACUNA�MA: Macuna�ma nasceu na floresta amaz�nica, descendente da tribo dos Tapanhumas e pregui�oso desde crian�a. Ainda era menino e j� �brincava� com Sofar�, mulher de seu irm�o Jigu�, e nessas �brincadeiras� ele se transformava num lindo pr�ncipe. II- MAIORIDADE: Macuna�ma � abandonado pela m�e no meio do mato. Pergunta a Curupira o caminho para casa e ele ensina-lhe o caminho errado, que Macuna�ma n�o segue por pregui�a. Macuna�ma escapa do monstro, encontra a cotia e, ap�s contar a ela como enganara o Curupira, ela joga em cima dele calda envenenada de mandioca, que o faz crescer. III- Ci, M�e do Mato: Ele encontra Ci, que tem um filho que morre prematuro ap�s mamar no �nico peito de Ci, envenenado pela Cobra Preta. O filho � enterrado e Ci resolve deixar esse mundo, mas antes d� a Macuna�ma seu muiraquit�. Ci sobe ao c�u e transforma-se numa estrela. IV- Boi�na Luna: O her�i se despede das Icamiabas e parte para as matas. Encontra Capei, um monstro, e na luta contra ele perde o muiraquit�. Ele descobre que o talism� foi parar na casa de Venceslau Pietro Pietra, dono de uma mans�o em S�o Paulo. V- Piaim�: Macuna�ma, junto com seus irm�os, Jigu� e Maanape chega a S�o Paulo. Descobre que Venceslau Pietro Pietra � o gigante Piaim� e se depara com a civiliza��o. VI- A francesa e o gigante: Macuna�ma se veste de francesa para consquistar o gigante, que n�o emprestou nem quis vender o muiraquit�, mas poderia d�-lo se a francesa �brincasse� com ele. Macuna�ma foge e percorre grande parte do territ�rio brasileiro. VII - Macumba: O her�i vai a um terreiro de macumba no Rio de Janeiro para pedir v�rios castigos para Piaim�. VIII - Vei, a Sol: Ainda no Rio de Janeiro, Macuna�ma encontra a Vei, deusa-sol, que quer cas�-lo com uma de suas filhas. Ele n�o cumpre sua palavra e brinca com uma portuguesa na jangada. Mianiqu�-Teib�, monstro de garras enormes com olhos no lugar dos peitos aparece e come a portuguesa, enquanto o her�i sem car�ter foge. XIX - Carta pras Icamiabas: Macuna�ma volta a S�o Paulo e resolve escrever uma carta pras Icamiabas, contando como era a vida em S�o Paulo. A carta � escrita num sat�rico estilo beletrista e ele termina pedindo �s suditas mais uma �gaita�. X - Pau�-p�dole: Enquanto Venceslau Pietro Pietra se recupera da surra que recebeu de Exu, Macuna�ma ocupa-se de estudar as duas l�nguas da terra, o �brasileiro falado e o portugu�s escrito�. XI - A velha Ceiuci: Macuna�ma fala para seus irm�os que tinha achato rasto de tapir junto � Bolsa de Mercadorias. Os dois irm�os acabam causando confus�o e Macuna�ma defende os irm�os. O her�i acaba fugindo e resolve ver como estava Piaim�. Faz uma aposta com o curumi Chuvisco para ver quem consegue assustar o gigante e sua fam�lia. O her�i sem car�ter perde e resolve pescar. Como n�o tem anzol, se transforma numa piranha para cortar a linha de um pescador ao lado. Ele acaba sendo preso pela feiticeira Ceiuci, mulher do gigante. Macuna�ma vira um pato que deveria ser comido. Na casa do gigante, ele brinca com a filha mais mo�a e foge. A fuga � surrealista e ele chega a passar por Manaus e Mendonza, na Argentina. XII - Tequetese, Chupinz�o e a injusti�a dos homens: Disfar�ado de pianista, Macuna�ma tenta uma bolsa de estudos na Europa, para onde Piaim� tinha ido. Ele n�o consegue e sai pelo Brasil com seus irm�os. Encontra um macaco comento coquinho bagua�u e pergunta a ele o que era, porque estava com fome. O macaquinho responde que estava quebrando os tealiqui�us pra comer. Macuna�ma resolve imit�-lo e cai morto. Acaba sendo ressuscitado por seu irm�o Maanape. XIII - A Piolhenta de Jigu�: Jigu� resolve se amulherar com Suzi, que passava todo o tempo namorando Macuna�ma. Quando Jigu� descobre, fica furioso, bate no irm�o e expulsa Suzi. XIV - Muiraquit�: O gigante volta e Macuna�ma resolve mat�-lo. Come cobra e coloca Piaim� balan�ando num cip�, at� que ele cai num buraco onde Ceiuci estava preparando uma macarronada. Macuna�ma pega o muiraquit� e volta pra pens�o. XV - A pacuera de Oib�: Macuna�ma e seus irm�os, transformados novamente em �ndios, resolvem voltar. O her�i leva consigo o que mais o tinha entusiasmado na civiliza��o: um casal de legornes, um rev�lver Smith-Wesson e um rel�gio Patek. Ele se encontra com Iriqui e com uma princesa que era um p� de carambola transformado pelo muiraquit�. Macuna�ma e a princesa s�o perseguidos pelo Minhoc�o Oib�, que � transformado num cachorro-do-mato por Macuna�ma. Como o her�i s� queria brincar com a princesa, Iriqui fica triste e sobe para o c�u, virada em estrela. XVI - Uraricoera: Macuna�ma chega a Uraricoera e percebe que a maloca da tribo tinha se transformado nua tapera arruinada. Uma sombra leprosa devora a princesa e irm�os. Macuna�ma passa seus dias numa rede e conversa com um papagaio, pra quem conta sua hist�ria. XVII - Ursa Maior: Vei, a Sol, para se vingar de Macuna�ma, faz ele acordar sentindo cosquinhas. O her�i se lembra que h� muito tempo n�o brinca e resolve ir tomar banho. Na lagoa ele v� uma cunh� muito linda e acaba mergulhando, atra�do pelos encantos da uiara. Esta devora uma perna, os brinco, as orelhas, os ded�es, o nariz, os bei�os e seu muiraquit� desaparece. Macuna�ma joga plantas venenosas na lagoa e consegue recuperar seus tesouros nas barrigas dos peixes. Ele reprega o que achou, mas n�o consegue reconquistar a perna e o muiraquit�. Ele vai a casa do Pai Mutum, que com pena dele, faz um feiti�o e o transforma na constela��o da Ursa Maior. Num balan�o que Macuna�ma faz da sua vida, deixa a mensagem de que n�o veio ao mundo para ser pedra, ou seja, nunca assumiu a disciplina r�gida e a lapida��o de car�ter. Ep�logo: O papagaio com quem Macuna�ma havia conversado conta a hist�ria pra um homem, que escreve o livro. 5- A FONTE PRINCIPAL: A principal fonte para o livro foi Vom Roroima zum Orinoco (Do Roraima ao Orenoco) de Theodor Koch-Gr�nberg. M�rio de Andrade mesclou narrativas da obra do alem�o com de outros livros e relatos orais. 6- O HER�I SEM NENHUM CAR�TER: Para M�rio de Andrade, em pref�cio n�o publicado no livro, �o brasileiro n�o tem car�ter (...) E com a palavra car�ter n�o determino apenas uma realidade moral n�o, em vez entendo a entidade ps�quica permanente...�. Assim, Macuna�ma n�o tem car�ter porque est� em constante mudan�a, passando por diversas metamorfoses durante a narrativa e muitas delas com toques surrealistas. 7- FOCO NARRATIVO: O foco narrativo � predominantemente em 3� pessoa. Entretanto, h� cortes na fala do narrador para dar vez � fala de personagens, principalmente de Macuna�ma. Essa t�cnica inovadora de M�rio de Andrade d� maior velocidade e continuidade � narrativa. 8- ESPA�O E TEMPO: As aventuras de Macuna�ma se d�o num espa�o e tempo m�gicos. Macuna�ma se contrap�e a uma sociedade moderna, fria e tecnol�gica. O her�i do presente entra em contato com personagens do passado, como os holandeses do s�culo XVII. Al�m disso, ele passa de um lugar para outro em instantes. Assim, em uma s� fuga ele pode sair de S�o Paulo, ir at� o Mato Grosso, Tocantins e Rio de Janeiro. 9- ENUMERA��ES E DESREGIONALIZA��O: Desde o come�o do livro h� v�rias enumera��es. Elas ocorrem normalmente sem v�rgulas e s�o um meio de desregionaliza��o da obra, porque concentram elementos de todo o Brasil. 10- LINGUAGEM - A CARTA PRAS ICAMIABAS: A carta pras Icamiabas � o que o autor chamou de �Intermezzo�. Nesse cap�tulo, Macuna�ma escreve para suas s�ditas para descrever a cidade de S�o Paulo. Assim, ao inv�s dos relatos de Pero Vaz de Caminha e outros descrevendo a terra desconhecida, � um �ndio que escreve para outros. Macuna�ma, na carta, tenta usar uma linguagem extremamente rebuscada e comete erros grosseiros. Em estilo pomposo, Macuna�ma anuncia o slogan que ele adota para explicar os problemas do Brasil: �Pouca sa�de e muita sa�va os males do Brasil s�o�. Al�m disso, Macuna�ma relata a diferen�a que existe entre a variante culta e a popular. A Carta pras Icamiabas � uma oposi��o � tentativa que M�rio de Andrade faz no livro de valorizar a linguagem popular. Ele queria experimentar processos de express�o para chegar em uma linguagem realmente brasileira. Ele deixava de acentuar algumas palavras, acentuava outras, escrevia certas palavras segundo o registro oral, usava formas de pontua��o diferentes, criando um estilo individual e inconfund�vel. |
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