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Minha Irmã

de Marcos Barbosa

Minha Irmã Peça curta de Marcos Barbosa Fortaleza, março de 1999 Minha Irmã

O quarto de Amália. A escuridão é absoluta. Ruídos que vêm da cozinha dão conta de que alguém prepara o café. Falta pouco para o dia nascer. O quarto é lentamente iluminado e vê-se então Amália, em sua cama. Ela presta atenção nos sons. Há muito está acordada.

AMÁLIA. Emília! (pausa) Emília! (pausa mais longa) Ô, Emília!

EMÍLIA. (fora de cena) Que foi? AMÁLIA. Minha irmã, traga uma bocadinho d’água... Minha garganta está tão seca...

EMÍLIA. (fora de cena) Vai já... Uma espera longa. Com grande esforço, superando um aceso de dor, Amália senta-se, apoiando-se no espaldar da cama. Outros ruídos na cozinha. Emília não chega.

AMÁLIA. Emília! Emília entra trazendo um copo d’água.

AMÁLIA. Ô, minha irmã... desculpe eu ficar chamando, mas não é por desaforo não... Estou quase morta de sede... (recebe o copo d’água e, fitando Emília, toma um pequeno gole e devolve o copo) Pode ir embora, viu? Vou ver se durmo...

EMÍLIA. Fique logo acordada, minha irmã... O dia clareia já-já.

AMÁLIA. Estou tão cansada... Deixe eu me deitar um pedacinho... Depois você me chama...

EMÍLIA. Vou já colocar a mesa. Espere só o dia nascer...

AMÁLIA. Tive até febre esta noite. Olha o lençol, lavado de suor... A garganta está tão seca de um jeito que mal consigo falar.

EMÍLIA. É só mais meia hora. AMÁLIA. Você fica aqui e espera?

EMÍLIA. Fico. Sempre fico, minha irmã... AMÁLIA. Acordou mais cedo por quê?

EMÍLIA. Estava arrumando as coisas. AMÁLIA. O vizinho de baixo reclamou de novo?

EMÍLIA. É um menino. Fui falar com ele outro dia. Tem que entender que gente velha, criada em fazenda, não sabe dormir até seis.

AMÁLIA. Que velha que nada, Emília! Você está neste estado é por conta desta sua vida, que você nunca foi muito ordeira. Desde criança só se meteu em disparate. Parece até castigo... O nome disso é cansaço... (pausa) Eu é por que não posso ajudar, vivo doente... Tudo que é de mal me aparece.

EMÍLIA. Um dia você melhora.

AMÁLIA. Melhoro não. E você pare de dizer que é velha. O que lhe falta é vontade de viver! Você tem é que tomar tento, minha irmã... Quem vê diz que você é a doente e eu a sã. Uma pausa.

EMÍLIA. O menino lá de baixo é sobrinho do Alencar.

AMÁLIA. (tentando associar o nome à pessoa) Alencar?

EMÍLIA. O da fazenda Baixio, nosso vizinho.

AMÁLIA. Que vizinho, minha irmã? (enfatiza) Nossa casa agora é isso aqui... (nostálgica) Aquela nossa vida acabou faz é tempo... E não teve quem desse jeito. Tomada pela melancolia, Amália entrega-se por alguns instantes às lembranças.

EMÍLIA. E se a gente fosse esse ano pra festa da padroeira?

AMÁLIA. De que jeito, Emília, se nem a casa da Sede tem mais?

EMÍLIA. Por lá ainda tem muita gente nossa...

AMÁLIA. Vou nada, minha irmã! Vou não, que a pior coisa que tem é ficar de favor na casa do alheio... (Amália percebe o efeito negativo desta declaração sobre Emília, pausa) Está vendo que não tem cabimento fazer essa viagem só para ver a missa... (desinteressada) Todo ano é igual...

EMÍLIA. Tem a quermesse...

AMÁLIA. Quem gosta de quermesse é você. (lembrando) Eu toda vida ficava era em casa esperando, para ver se você trazia alguma coisinha que não lhe fosse do agrado... Emília anda pelo quarto, tenta não alimentar a conversa.

AMÁLIA. Esse menino lá de baixo é mesmo sobrinho do Alencar?

EMÍLIA. Legítimo.

AMÁLIA. Eita, mundo pequeno... Bem capaz de ele também ser de lá...

EMÍLIA. É sim... Veio para cá estudar, mas nasceu por lá mesmo.

AMÁLIA. O mundo está cada vez mais miúdo... Não tem mais pra onde se esconder. E olhe que com tudo isso ainda tem quem suma! Emília percebe a indireta, mas dissimula.

AMÁLIA. Esse aí está parecendo o vestido daquela fazenda que eu lhe dei... Amália, um pouco acanhada, confirma com a cabeça. Satisfeita, mostra o vestido.

EMÍLIA. Bonito, né? AMÁLIA. Por isso é que você nunca tem uma roupinha melhor quando precisa, minha irmã. Usa tudo em casa...

EMÍLIA. (faz menção de sair) Vou botar o café na mesa.

AMÁLIA. Espere o dia nascer...

EMÍLIA. Mas você já acordou...

AMÁLIA. Porque você não me deixou cochilar. (pausa) Eu devo mesmo dar muito trabalho...

EMÍLIA. Dá não. Mas você tem esse mal na espinha... É seu destino, minha irmã. Sua cruz...

AMÁLIA. Faço tudo pra não incomodar.

EMÍLIA. Não incomoda.

AMÁLIA. E o quanto eu posso, Emília, eu tento agradar.

EMÍLIA. Eu sei.

AMÁLIA. Mesmo porque quando você veio morar aqui, foi minha maior felicidade... Você não gosta de lembrar, mas para mim não teve coisa melhor que poder te ajudar... (pausa) Família é isso, minha irmã. Porque você já viu que um marido pode faltar quando se precisa, mas a família está ali, do lado, de um jeito ou de outro. (pausa longa) Você anda procurando por ele, não é? Amália encara Emília, que evita o olhar.

AMÁLIA. Andou procurando o Amaro, que eu sei... Outra pausa. A menção deste assunto deixa Emília claramente desconfortável.

EMÍLIA. (aproximando-se de Amália) Anda, vou te ajudar a levantar. A gente toma logo este café...

AMÁLIA. Deixe nascer o sol.

EMÍLIA. E para quê o sol, minha irmã?

AMÁLIA. É que a luz da cozinha me incandeia. Eu fico tontinha...

EMÍLIA. A gente já está de conversa faz é tempo...

AMÁLIA. Você que me acordou com o barulho. Às vezes até uma meia-hora de sono me ajuda.

EMÍLIA. Quer ir no banheiro?

AMÁLIA. Agora não.

EMÍLIA. Pois deite um pedaço. Depois eu venho chamar. É bom que você descansa. Emília vai em direção à porta, mas é interpelada por Amália e vira-se.

AMÁLIA. Vai ser difícil conseguir dormir, minha irmã... Depois que a gente desperta, já viu... Emília desiste de sair. Por um tempo, não dizem nada.

AMÁLIA. Você foi no banco ontem?

EMÍLIA. Vou hoje...

AMÁLIA. Sabe onde está o cartão?

EMÍLIA. Sei.

AMÁLIA. Agradeço todo dia a Deus por a gente ainda contar com esse dinheirinho, minha irmã... É uma pensãozinha pouca, mas dá para o de-comer.

EMÍLIA. É um dinheiro bom, Amália.

AMÁLIA. Deus foi que olhou pela gente. Todo mal tem seu bem...

EMÍLIA. Graças a Deus.

AMÁLIA. Graças a Deus... Que se naquela hora difícil eu não estivesse ali e não pudesse ajudar... Como é que ia ser? E mesmo quando o outro fez o que fez...

EMÍLIA. Vou botar água no fogo, minha irmã, pra ir logo adiantando o almoço...

AMÁLIA. Está cedo...

EMÍLIA. E eu hoje ainda não vou passar no banco, criatura?

AMÁLIA. Pensava que só abria às dez...

EMÍLIA. E a fila? (pausa) Quero ver se deixo pelo menos o tutano ajeitado.

AMÁLIA. (surpresa) Tutano? (pausa) As duas vezes que comi deste tutano eu fiquei doente, minha irmã... E você lembra, que você não é nem doida... (pausa, Amália está de fato magoada) Tanto que eu pedi para não comprar mais... Um negócio desse é a pura reima...

EMÍLIA. É não... Da vez passada foi que eu não escolhi direito.

AMÁLIA. Falei tanto que não comprasse...

EMÍLIA. Mas o dinheiro da feira foi muito pouco, Amália...

AMÁLIA. Se eu não dei mais foi porque não tinha! Nunca fui de esconder dinheiro! Você podia ter comprado carne-da-pá, ou mesmo um pedacinho assim de toucinho para temperar o feijão! Emília espera que Amália se acalme.

EMÍLIA. Estou com um negócio para te contar, minha irmã... (tomando coragem) O Amaro telefonou ontem à noite.

AMÁLIA. Fuxico besta, Emília! Parece criança...

EMÍLIA. Disse que parou de beber. Arrumou a vida dele. Está trabalhando de marceneiro.

AMÁLIA. Que conversa...

EMÍLIA. Será verdade?

AMÁLIA. Aquilo é um malfazejo, Emília! Olha o que ele fez com a tua perna...

EMÍLIA. Ele estava doente...

AMÁLIA. Estava era bêbado.

EMÍLIA. É mesmo que ser uma doença, Amália.

AMÁLIA. Isso é falta de vergonha! Doente sou eu, que vivo desse jeito. (pausa) Depois de vinte e seis anos, minha irmã, você ainda pensa nesse marginal. Sim, porque é um marginal!

EMÍLIA. Ele me chamou para voltar... Amália percebe o peso da ameaça. AMÁLIA. Chega aqui, me ajude a ir no banheiro.

EMÍLIA. Será só conversa dele?

AMÁLIA. Ele acabou com sua perna! (pausa) Até hoje você anda capengando... Você é coxa por causa dele...

EMÍLIA. Do jeito que você fala, minha irmã...

AMÁLIA. (enérgica) Falo porque foi! Não foi?

EMÍLIA. (muito triste, relembra por alguns instantes e admite) Foi...

AMÁLIA. Você não muda! Parece que não aprende! Só não ficou aleijada porque, graças a Deus que está no céu e à Virgem Santíssima, eu estava lá pra pastorar, mas toda sorte de ruindade ele lhe fez! E nossa mãe, coitada, ainda viveu para ver ele dar na sua cara, como quem dá na cara dum bicho! Uma pausa. A tristeza de Emília é comovente. Amália percebe que foi além dos limites.

AMÁLIA. (amenizando a situação) Quando você for no banco, pode tirar o dinheiro da sandália, viu?

EMÍLIA. Precisa não...

AMÁLIA. Precisa sim. Não deixei comprar antes porque o dinheiro não dava. A gente tem que se precaver para uma necessidade, minha irmã... Ainda mais eu, que sou como sou... (pausa) Mas é a vontade de Deus.

EMÍLIA. Se você se operasse...

AMÁLIA. Vontade eu tenho, mas cadê? Não tem cabimento eu deixar um bando de médico que não sabe de nada abrir meu corpo desse jeito.

EMÍLIA. Você é tão corajosa...

AMÁLIA. Não é por medo, não... Não vou é dar confiança a médico.

EMÍLIA. O remédio você toma.

AMÁLIA. Remédio é diferente. É pra aliviar... E só tomo quando a dor é muita. Amanhã você compra sua sandália e pronto.

EMÍLIA. Precisa não, Amália. Esta aqui ainda está prestando.

AMÁLIA. Está não. Quem sabe de você sou eu. Uma pausa. Emília pondera, em silêncio, sob o olhar de Amália.

EMÍLIA. (com cautela) Aquela sua mala grande ainda presta?

AMÁLIA. Você teve foi uma visagem ruim... Esta história do Amaro ter voltado é bem agouro... Mas deixe que eu vou me pegar com tudo que é de santo para te tirar dessa agonia.

EMÍLIA. Ele telefonou ontem à noite...

AMÁLIA. Foi não. E você precisa agora é pensar, Emília... Do jeito que está, parece até que volta pra ele! EMÍLIA. Já estou com cinquenta e quatro, Amália...

AMÁLIA. Esse negócio de idade é besteira. Você é forte, bonita... Muito bonita, minha irmã... Desde criança eu queria ser como você.

EMÍLIA. Besteira, Amália...

AMÁLIA. Besteira não, verdade. Ainda mais eu tendo passado a vida quase toda prostrada deste jeito... Não sei nem o que eu fiz para merecer este castigo...

EMÍLIA. Não é castigo não, minha irmã. É provação. Cada qual tem a sua.

AMÁLIA. (ressentida, após uma reflexão) É bem capaz da sua provação ser eu... Uma pausa. As duas irmãs se olham num longo e já raro instante de cumplicidade.

AMÁLIA. Eu devo ser mesmo que fel.... (pausa) Mas me diga, minha irmã, se eu tenho por quê viver rindo? Passei a vida toda prostrada, aceitando essa minha sina de ficar pra moça velha... (pausa) Faço o que faço é pra te ver feliz, Emília. Meu contentamento é te ver sã, bonita, forte... Vê lá se eu vou deixar judiarem de ti... Uma pausa. Esta confissão de Amália sensibiliza Emília.

EMÍLIA. (aproximando-se) Ainda quer ir no banheiro?

AMÁLIA. Não... Emília afasta-se.

AMÁLIA. Mas me ajude a me endireitar... Emília vai até Amália e tenta envolvê-la. Amália dá mostra de estar sofrendo uma dor muito forte. Emília solta a irmã, que volta à cama e soluça baixinho.

EMÍLIA. (apreensiva) Criatura de Deus... Foi alguma coisa que eu fiz?

AMÁLIA. (ainda chorando) Foi não, minha irmã... É só a pontada que está aumentando...

EMÍLIA. Não diga isso, Amália...

AMÁLIA. Digo porque é verdade... Mas Deus é justo e sabe que eu nunca fiz mal a ninguém para estar sofrendo essa vida de judiação que eu levo. Deus vai me aliviar...

EMÍLIA. Ô, minha irmã... Eu fico até agoniada...

AMÁLIA. Fique não... Enquanto você estiver aqui eu estou bem... Ruim era aguentar esta cruz sem você...

EMÍLIA. Não sei nem o que dizer... Uma pausa.

AMÁLIA. Minha irmã... Você me ajudando, eu dou jeito de fazer esta operação... (pausa) Pro seu gosto...

EMÍLIA. (pensa por um momento, faz menção de sair) Vou trazer o café para cá.

AMÁLIA. Precisa não. Essa conversa me deu foi fastio...

EMÍLIA. (olhando pela janela) Já está quase claro... Olha a fumaça da padaria... As duas olham longamente pela janela. A manhã começa a se insinuar.

EMÍLIA. Ele deixou o endereço. Disse que eu fosse lá hoje. Mandou eu pegar um taxi, que chegando lá ele paga.

AMÁLIA. Às vezes eu não sei o que passa na sua cabeça, minha irmã... Que história mais disparatada, meu Deus! (pausa) O que eu pude fazer para te ajudar, eu fiz... Quando você bateu naquela porta, toda marcada da surra, arrastada pelos vizinhos, quase sem poder andar, eu fiz das tripas coração para te ajudar.

EMÍLIA. Minha irmã...

AMÁLIA. Até minha enfermeira eu tive que dispensar... Arranjei um advogado para você... O negócio só não foi para frente porque você não quis...

EMÍLIA. Eu já agradeci tanto, Amália... Minha vida é, bem dizer, só você...

AMÁLIA. Porque eu sou doente. Você pensa que eu estou me fazendo, minha irmã? Que eu faço isso de desaforo?

EMÍLIA. Mas e a operação?

AMÁLIA. Criatura, deixa de ser ruim! Entende que é um perigo que eu corro... Que eu posso morrer, posso ficar entrevada...

EMÍLIA. Mas é para o seu bem, minha irmã!

AMÁLIA. (enérgica) Já acabei de falar, cristã, que você me ajudando eu tenho coragem... Mas como é que eu vou fazer um negócio desse estando só nesse mundo, sem ter quem olhe por mim? Eu sou sua família! Uma pausa. Amália tenta acalmar-se. A manhã está cada vez mais presente.

EMÍLIA. Vou pegar a mala grande e deixo a minha aqui.

AMÁLIA. (nervosa) Vai não, minha irmã, que eu não vou deixar você estragar sua vida dessa maneira.

EMÍLIA. Eu tenho cinquenta e quatro anos, Amália!

AMÁLIA. Eu quero é te proteger!

EMÍLIA. Você tem dinheiro... Pode arranjar uma enfermeira de novo. Eu fico vindo quando puder. Não vou abandonar você não...

AMÁLIA. (numa profunda tristeza) Você quer é me vexar... O que foi que eu te fiz, minha irmã, para você judiar de mim deste jeito? Oh, Senhor... Senhor, me mostre um caminho (chora).

EMÍLIA. (num suspiro de compaixão) Amália...

AMÁLIA. Tanto bem que eu quero a ti, Emília... Se você soubesse quanto...

EMÍLIA. (tentando acalmar a irmã) Você agora engendrou nessa sua cabeça que eu vou desaparecer, criatura...

AMÁLIA. Você não acredita em mim... Pensa que eu me faço de doente...

EMÍLIA. Que história, Amália... AMÁLIA. Se você soubesse do meu sofrimento...

EMÍLIA. Minha vida é toda pra ti, criatura!

AMÁLIA. Você só joga na cara... Quando foi que eu aleguei o dinheiro que eu te dou? Uma pausa. EMÍLIA. Todo dia, minha irmã...

AMÁLIA. Mentira! Já é dia.

Emília ajoelha-se perto da cama e retira a mala que está embaixo dela.

AMÁLIA. (controlando-se, tentando reconquistar a irmã) O que foi que eu fiz pra você me detestar desse jeito? Nenhuma resposta. Emília examina a mala, bate-lhe o pó.

AMÁLIA. A vida toda você só teve foi vergonha de mim... Nunca quis nem estar perto... Pelo seu gosto você não dava conhecimento nem de mim nem da nossa mãe, que Deus a tenha... Emília se levanta com a mala.

AMÁLIA. Você vai me deixar aqui, Emília? Vai deixar sua única irmã largada desse jeito, em tempo de morrer duma agonia, sem poder chegar nem no banheiro, sem poder chamar viv’alma? (pausa) Responde! (nenhuma resposta) Você sempre foi ruim deste jeito, mesmo... Matou nossa mãe de desgosto! Pois tomara que dê tudo errado, coisa ruim... que ele dê de garra de ti e te bata de novo... te espanque... Vou rezar tanto para ele beber, Emília... Vou ficar morta de feliz de ver tua cara na minha porta, toda quebrada... Emília vai em direção à porta do quarto.

AMÁLIA. Você vai fugir dele e vou te aceitar outra vez, minha irmã. Vou fazer até promessa, Nosso Senhor vai ser testemunha... Emília sai. Amália fala enquanto a luz cai até o blecaute.

AMÁLIA. Minha irmã! Minha irmã, volte aqui! Você é uma pessoa boa, não pode fazer uma ruindade dessas... Valei-me, Nossa Senhora! Isso é arte daquele malfazejo que tem parte com o cão... Me ajuda a sair da cama... Anda, criatura, me dá aqui o braço... Me ajuda a sair, minha irmã... Me ajuda... Me ajuda... Amália é tomada por uma crise de dores e passa a soluçar baixinho.

Cai o pano.

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