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14 de novembro de 1997

Fraternal Companhia reestréia auto de Natal brasileiríssimo

O espetáculo está no Teatro Ruth Escobar com entrada grátis para maiores de 60 anos



Oespírito natalino chega à cidade trazendo algo mais do que compras, neve artificial e papai noel. Reestréia amanhã no Teatro Ruth Escobar, Sacra Folia, um auto de Natal brasileiríssimo de Luís Alberto de Abreu, encenado pela Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes, sob direção de Ednaldo Freire. O espetáculo fica em cartaz até 21 de dezembro e a entrada é grátis para maiores de 60 anos.

Sacra Folia é uma das quatro peças criadas pelo autor para a companhia, dentro do projeto Comédia Popular Brasileira, que ano passado recebeu o Prêmio Especial da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA).

Burundanga, O Parturião e O Anel de Magalão são as outras peças da tetralogia que será publicada em livro, com lançamento previsto para o início de dezembro, numa edição patrocinada pela Siemens, empresa que mantém o grupo.

Sacra Folia conta a história da perseguição da sagrada família, que, ao fugir de Herodes, erra o caminho e vem parar no Brasil. O anjo Gabriel escolhe Matias Cão, dono de uma tropa de jegues, para conduzir José, Maria e o Menino Jesus de volta ao Egito. O atrapalhado João Teité, ex-sócio de Matias, entra na história e eles acabam chegando a Belém... do Pará. Perseguidos por Herodes, o demônio e soldados, percorrem todo o Brasil em meio a muitas trapalhadas.

O nonsense torna-se fonte de humor nessa história que mistura o sagrado e o profano. O público vai conhecer João Teité, o mineirinho que pensa ser esperto, mas sempre se dá mal, e Matias Cão, o que apronta e tira proveito, personagens comuns às quatro peças.

Humor e emoção

- "Quando decidimos criar um projeto de comédia brasileira, fomos buscar inspiração nessa larga tradição de personagens fixos que vem da comédia de arte italiana, passa por Carlitos e chega até Os Trapalhões", comenta Ednaldo Freire.

A companhia reelabora o tradicional auto de natal, misturando elementos do circo-teatro, do reisado e até mesmo de desenho animado. Ainda que o humor predomine, a emoção também está presente, como no paralelo entre a matança dos inocentes comandada por Herodes e o extermínio dos meninos de rua na Candelária, no Rio.
A Fraternal já ensaia uma nova peça, também de Abreu, sobre um herói popular dinamarquês. "Trata-se de uma comédia épica, que, se por um lado traz personagens diferentes dos que temos criado, por outro vai mostrar que o herói popular tem o mesmo espírito, em qualquer civilização."
A Fraternal Companhia nasceu como um grupo teatral de funcionários da Siemens, sem maiores pretensões, e surpreendeu com seu talento. Agora, sonham dedicar-se integralmente ao ofício. "Queremos estar sempre apresentando nosso repertório e pesquisando", comenta Freire. (B.N.)

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