lognucn1.JPG (57864 bytes)

Terça-feira,16 de dezembro de 1997

Livro reúne espetáculos de Luis Alberto de Abreu

`Comédia Popular Brasileira' será lançado hoje e traz peças escritas para a Cia. Malas-Artes


BETH NÉSPOLI

Será lançado hoje, no Teatro Ruth Escobar, o livro Comédia Popular Brasileira, que reúne as quatro peças criadas por Luis Alberto de Abreu especialmente para a Companhia de Artes e Malas-Artes: O Parturião, O Anel de Magalão, Burundanga e Sacra Folia.

A festa de lançamento começa às 20 horas com uma apresentação especial, grátis, da peça Sacra Folia. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria, a partir das 15 horas, e dão direito a um exemplar do livro. Após o espetáculo, haverá um coquetel com a presença do autor.

A edição da tetralogia faz parte das comemorações dos 150 anos da Siemens, empresa patrocinadora do livro e da companhia dirigida por Ednaldo Freire. A publicação contou ainda com o apoio da Prefeitura de São Paulo, por meio da Lei Mendonça, e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.

Comédia Popular Brasileira tem prefácio de Mariângela Alves de Lima e fotos de cena da companhia e será distribuído gratuitamente às bibliotecas públicas, centros culturais e escolas de teatro. Instituições e entidades interessadas devem fazer contato pelo tel. (011) 865-7226.


Parceria - Luis Alberto de Abreu e Ednaldo Freire são amigos de longa data e essa tetralogia é fruto de sua mais recente e bem-sucedida parceria. Como diretor da Companhia de Artes e Malas-Artes, Freire convidou o autor para juntos desenvolverem uma pesquisa teatral em torno da comédia popular brasileira.

Abreu optou pela criação de personagens fixos para as quatro peças, inspirados na Commedia dell'Arte - gênero teatral popular na França e na Itália do século 16. Tipos daquele tradicional gênero, como o Arlequim (bufão simples, mas astucioso), o Pantaleão (comerciante rico e autoritário), o Briguela (bufão mais arguto do que Arlequim), a criada, o casal de enamorados, estão presentes nessas comédias, porém recriados dentro do espírito da cultura brasileira.

Assim, Arlequim vira o mineirinho João Teité, sempre faminto, planejando espertezas e realizando trapalhadas, enquanto Briguela é Matias Cão, seu parceiro de confusões. A negra Benedita é a criada, quase escrava, cuja inteligência representa seu único trunfo, enquanto o coronel Marruá exerce o poder típico do coronelismo nordestino, um arcaísmo plenamente identificável pela platéia (leitor).


Herança - "Essas quatro peças abrem para os intérpretes incontáveis possibilidades de elocução e jogos corporais, mas são também leituras prazerosas", escreve a crítica teatral Mariângela no prefácio do livro. "Elas são escritas com o pressuposto de que, apesar da televisão, apesar da Internet, apesar dos atritos a que a metrópole submete o corpo e o ânimo da população, o público é detentor de uma rica herança e é possível reativar esse imaginário", afirma ainda num outro trecho.

Ao contrário do que se pode imaginar, o fato de escrever especialmente para a companhia e, portanto, conhecer as possibilidades de cada ator, não leva Abreu a facilitar a vida do elenco. "Procuro surpreendê-los a cada texto, propondo sempre novos desafios." Mas acrescenta que essa atitude é muito bem recebida pelos atores, cujo talento e disposição possibilitam uma relação dinâmica entre autor, diretor e elenco.

Com a criação da tetralogia Abreu considera ter encerrado um ciclo nesse trabalho. A nova peça por ele criada para a companhia, IEP, uma comédia épica, já não envolve os mesmos personagens, o que certamente exigirá um salto artístico da trupe. "IEP é mais anárquica do que essas quatro juntas", adianta Abreu.

Copyright 1997 - O Estado de S. Paulo - Todos os direitos reservados

DOS DEZ [Muito Prazer] [Trabalhos] [Projetos] [Notícias] [Fale Conosco

Hosted by www.Geocities.ws

1