`Bar Doce Bar', comédia musical de Luís Alberto de Abreu, estréia hoje no Teatro
Ruth Escobar
RICARDO DE SOUZA
Especial para o Estado
Acondição de ambiente freqüentado por homens tornou o bar o cenário ideal da peça Bar
Doce Bar, comédia musical do dramaturgo Luís Alberto de Abreu, que estréia hoje, no
Teatro Ruth Escobar (Rua dos Ingleses, 209, 289-2358). O espetáculo, encenado pelo
Núcleo Zambelê e com direção de Ednaldo Freire, faz uma divertida análise do mundo
masculino e tem direção musical de Márcia Rizzardi.
Bar Doce Bar nasceu durante um bate-papo de Abreu com os integrantes do Zambelê,
que pretendiam realizar um trabalho que envolvesse o universo dos homens. "Não
havia, até essa conversa, nenhuma idéia pré-estabelecida sobre o tema", conta
Abreu, que também é autor de sucessos como Bella Ciao e O Livro de Jó.
"O texto trabalha com as várias maneiras do homem moderno em ver o mundo, sua
perplexidade frente ao amor, casamento, filhos, trabalho e solidão", resume.
A peça conta a história de um grupo de seis amigos, da adolescência à maturidade. O
ponto de partida é o garçom do bar, que discorre sobre o que existe no imaginário do
homem e a necessidade que ele tem de se agregar. "Essa é uma das principais
características dos homens, pois se você colocar dois desconhecidos numa sala, após uma
hora eles já estarão conversando e tomando cerveja juntos", acredita Abreu. A
agitação das grandes cidades é outro tema da peça.
A ausência de personagens femininos não significa que as mulheres tenham pouca
importância no espetáculo. Muito pelo contrário. O diretor Ednaldo Freire acredita que
o homem é emocionalmente dependente da mulher, mas não tem coragem de se abrir com ela e
mostrar seus medos. "Pelo menos não os homens da minha geração e da do Abreu, que
estão hoje na faixa dos 40", confessa.
O trabalho mais recente de Luís Alberto de Abreu foi a peça Burundanga, a Revolta do
Baixo Ventre, que abriu, em julho, o Projeto de Comédia Popular Brasileira,
desenvolvido pela Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes. O projeto será concluído
com mais três peças: O Anel de Magalão, O Parturião e Sacra Folia. Esta última
é um auto de Natal que estréia em dezembro no Teatro Eugênio Kusnet.
Em Bar Doce Bar, o autor permeia o texto com o uso dinâmico da palavra, uma das
características de seus trabalhos. "A palavra para mim é um fundamento extremamente
importante no teatro, só estando abaixo da ação dos personagens", conclui o
diretor.

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