
A Fraternal Companhia de Arte e Malas-artes estréia amanhã a comédia Iepe, com texto de
Luis Alberto de Abreu e direção de Ednaldo Freire. A peça inaugura a nova fase do
projeto Comédia Popular Brasileira, criado em 96, que levou aos palcos a tetralogia
Burundanga, O Anel de Magalão, Sacra Folia e O Parturião. Em cena, a história de um
camponês beberrão que se tranforma em barão.
A peça é uma adaptação de um clássico do teatro escandinavo do século 18. Iepe
(pronuncia-se iépe) é "uma comédia épica, com muitas narrativas fantásticas,
recheadas de nonsense, que procuram semelhanças com os 'causos' da nossa cultura
popular", explica o autor, que já escreveu obras elogiadas, como O Livro de Jó, A
Guerra Santa e Bella Ciao.
No palco, a história de Iepe, um camponês pobre e beberrão que sai para comprar
sabão e gasta o dinheiro com bebida. Com medo de apanhar de sua mulher Néli, situação
corriqueira em sua vida, não volta para casa e acaba sendo seqestrado por um
barão, que resolve lhe dar poder e dinheiro.
Nessa montagem não há mais os arquétipos fixos - João Teité, Matias Cão,
Boracéia, Mané Marruá e outros - constituídos a partir de personagens da comédia
italiana (commedia dell'arte), que se repetiam nas peças da Fraternal Cia. Agora são
personagens novos. Dois atores dividem o papel de Iepe e duas atrizes, o de sua mulher.
"A base de Iepe é a experimentação que acontece desde a escolha do texto, até a
criação de cenário e figurino", diz Freire, que desde 81 dirige a companhia.
O cenário é apenas um pano negro de fundo. O efeito cenográfico vem do figurino, de
Luiz Augusto e Fábio Lusvarghi, composto por roupas alegóricas e exageradas.
Rita Norberto
Iepe - Estréia amanhã, às 21h, no Teatro Ruth Escobar - Sala Gil
Vicente (R. dos Ingleses, 209. Tel.: 289-2358). Ingressos: R$ 10,00 (estudantes e classe
teatral têm 50% de desconto. Grátis para a terceira idade).