Peça busca raízes da comédia brasileira
`O Parturião', de Luis Alberto de Abreu, estréia hoje no Teatro Eugênio Kusnet
Dois empregados de famílias rivais unem-se para enganar os respectivos patrões. Essa é
a história escolhida para encerrar o Projeto de Comédia Popular Brasileira, da Fraternal
Companhia de Artes e Malas-Artes. O Parturião estréia hoje no Teatro de Arena
Eugênio Kusnet (Rua Teodoro Baima, 94, 256-9463) e fecha a quadrilogia de textos de Luis
Alberto de Abreu montada pelo grupo dirigido por Ednaldo Freire.
O Projeto de Comédia Popular Brasileira começou no ano passado com a proposta de
recuperar figuras e temas da comédia-de-arte italiana e uni-los a manifestações da
cultura do Brasil. Além desse Parturião, a trupe já montou Burundanga, O
Anel de Magalão e Sacra Folia.
O Parturião é uma comédia sobre dois criados, João Teité e Matias Cão, que
armam um plano para enganar os patrões - um chefe é português, o outro é italiano e os
dois são rivais entre si. Entre outras coisas, eles decidem convencer o português de que
ele está "grávido".
"As raízes da nossa dramaturgia estão na comédia-de-arte", explica o diretor
Ednaldo Freire. "O que nós fazemos é encontrar os correspondentes brasileiros aos
arquétipos criados no século 17." No caso de O Parturião, o que se faz é
pôr em cena, além dos portugueses e italianos, outros personagens típicos da cultura
brasileira como um mineiro e um nordestino.
Depois de ter apresentado três peças e estar entrando no quarto espetáculo do Projeto
de Comédia Popular Brasileira, Ednaldo Freire tira suas conclusões. "É
interessante perceber que, às vésperas do século 21, essa forma de teatro ainda dá
certo", afirma. O diretor cita vários outros exemplos contemporâneos conhecidos que
foram beber na fonte da comédia-de-arte: Charles Chaplin, O Gordo e O Magro, Oscarito e
Grande Otelo e até Os Trapalhões. (Beatriz Velloso)

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