lognucn1.JPG (57864 bytes)

Ex-libris

O Estado de S. Paulo
NetEstado
25 de abril de 1997

Luís Alberto de Abreu finaliza seu novo texto

Dramaturgo dá cores brasileiras a `Camponês Jeppe', clássico dinamarquês do século 18



JÚLIO GAMA

Para dar continuidade ao Projeto de Comédia Popular Brasileira, o dramaturgo Luís Alberto de Abreu finaliza nos próximos dias a adaptação de O Camponês Jeppe (leia-se Iep). O texto é um clássico do teatro dinamarquês, de autoria desconhecida, montado repetidas vezes em palcos escandinavos desde o século 18. Se alguém perguntar qual a relação entre um personagem do outro lado do mundo com a cultura popular brasileira, encontrará a resposta no próprio Jeppe.

"Ele é um beberrão, glutão, tolo e ingênuo", conta Abreu. "É universal." Nessa montagem, o dramaturgo (premiado pela Apetesp no ano passado pelo conjunto da obra) busca correspondência na cultura brasileira de personagens populares de todo o mundo. Jeppe seria o nosso Mazzaropi. "Vou tropicalizar o personagem, dar mais agilidade e tirar o tom moralista que ele recebe na região de origem", adianta. Tropicalizar, em bom português, significa tirar Jeppe da atmosfera cinzenta e fria da Dinamarca e colocá-lo num cenário festivo, boa parte dentro de um bar.

Eis a história de Jeppe: Casado com uma lavadeira, feia e autoritária, ele não suporta mais seus desmandos. Sai para comprar sabão para a mulher, pára num bar e começa a beber. Gasta o dinheiro do sabão em cerveja e, com medo da mulher, decide não voltar para casa. Passa a noite embriagado sobre montes de esterco.

Um barão que passava pelo local decide fazer uma traquinagem com Jeppe. Leva o personagem, desacordado, para o palácio e o veste com as roupas de um nobre. Na manhã seguinte, Jeppe é convencido de que é um barão e assume tal personalidade. O pacato camponês transforma-se num tirano, manda decapitar quem desobedece suas ordens e não há quem o convença de que tudo não passa de brincadeira. É embriagado outra vez e levado para a estrebaria vestido novamente como camponês. A surra de vara que recebe da mulher o traz à realidade.

Abreu conheceu a história de Jeppe em 1986, quando co-produziu o espetáculo E Morre a Floresta com um autor dinamarquês, que lhe mandou a obra em inglês. O texto foi traduzido por Abreu em 1987 e aguardou na gaveta a oportunidade de iniciar as pesquisas dos tipos da comédia universal. "Os grandes atores escandinavos fazem o papel de Jeppe", diz.
O espetáculo será montado em outubro, em São Paulo, pela Fraternal Cia. de Arte e Malas-Artes. Não mais no Teatro de Arena Eugênio Kusnet porque o contrato de um ano termina em abril. Com patrocínio da ADC-Siemens, Abreu montou no Eugênio Kusnet quatro espetáculos por conta do Projeto de Comédia Popular Brasileira: O Anel de Magalão; Burundanga, a Revolta do Baixo Ventre; Sagrada Folia e O Parturião, ainda em cartaz.

Para o próximo ano, Abreu planeja ampliar o projeto de encenação de autos. Devem ser quatro por ano: o Auto da Paixão e Páscoa, na Semana Santa; Auto Caipira, em julho; Auto da Primavera, em setembro e o Auto de Natal. O Auto de Natal já foi montado pela Fratenal Cia. de Arte e Malas-Artes no ano passado e deve ser repetido em dezembro.

Copyright 1997 - O Estado de S. Paulo - Todos os direitos reservados

DOS DEZ [Muito Prazer] [Trabalhos] [Projetos] [Notícias] [Fale Conosco

Hosted by www.Geocities.ws

1