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Sexta-feira,
30 de outubro de 1998

Comédia `Iepe' busca raízes da cultura popular medieval

Espetáculo, da Fraternal Cia. de Artes e Malas-Artes, volta amanhã ao Teatro Ruth Escobar

RICARDO DE SOUZA

Poucos dramaturgos conhecem a cultura popular como Luis Alberto de Abreu. Com a sua Fraternal Companhia de Artes e Malas-Artes, há anos ele leva aos palcos belas montagens baseadas em textos garimpados no berço da história da cultura popular: a Idade Média. Um dos mais aclamados foi a comédia Iepe, que reestréia amanhã, às 21 horas, na Sala Gil Vicente do Teatro Ruth Escobar.
Com direção de Ednaldo Freire, o espetáculo é uma adaptação de um clássico do teatro escandinavo do século 18. A história narra as aventuras de Iepe, um camponês pobre e beberrão que é transformado em nobre. "O texto remete a uma festa da Idade Média chamada Coroação dos Tolos, que se manteve forte no imaginário popular", conta Freire.
Segundo o diretor, a peça é uma parábola sobre o poder. Quando percebe o que tem em mãos, Iepe torna-se um déspota, provando que o poder absoluto corrompe absolutamente. Quando os que o levaram à nobreza notam o mal que fizeram, devolvem-no ao lugar de onde saiu.
O espetáculo - que estreou em abril e recebeu um público de aproximadamente 12 mil pessoas - é o último capítulo do projeto de pesquisa teatral em torno das raízes da comédia popular, que já resultou em outras quatro montagens: O Parturião, O Anel de Magalão, Burundanga e Sacra Folia. "Nosso objetivo é fazer um mapeamento dos heróis da cultura popular para buscar a nossa cultura", explica Freire.
O próximo projeto da Companhia de Artes e Malas-Artes é a montagem de um espetáculo cujo protagonista é inspirado no personagem alemão Till Eulenspiegel, uma espécie de Pedro Malasartes germânico.

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