AUTOR: PAULO GEOVANE MACHADO BRANDÃO
(É o segundo da esquerda)
Era
um dia comum como os outros. Um grupo iria ajudar a professora a desenvolver o
projeto. Todos empolgados porque ia ter uma crônica de autoria sua no livro. Era um entra e sai danado. Depois disso aquelas crônicas
iriam passar por uma grave revisão gramatical,
misericórdia! Era erro por cima de erro. Não é difícil fazer uma crônica,
por isso, se liga no que vem por ai.
“Crônica” parece coisa de outro mundo. Na criação de
uma dessas, surgem diferentes tipos de idéias, que na verdade pode ser
seu próprio cotidiano.
Para as pessoas que nunca escreveram, parece que é difícil,
mas não, escrevê-la na verdade é falar de seu próprio dia a dia, ou algo que
lhe chamou a atenção, pode ser qualquer coisa basta você deixar as idéias
fluírem.
Ás 12:00 hs é o único tempo que a equipe tem para
trabalhar nesse projeto, mal chego, e já vou botando minhas idéias em
andamento, escreve isso, corrige aquilo, durante esse tempo eu fico só. Depois
de um tempo as duas professoras que estão coordenando
o projeto chegam. Aí já viu, começa uma risadinha aqui outra ali e
pronto, tá feito.
Na organização das crônicas surgiram histórias uma
diferente da outra. Eram crises familiares, amorosas, e até mesmo crítica a
nosso presidente. Mas venhamos e convenhamos, ele poderia ser bem melhor.
Nessas criticas construtivas, amorosas, familiares
eram tantos erros que se você não tivesse a cabeça no lugar
poderia ficar neurótico ou até ter pesadelos de tanto mexer no
computador consertando-as.
Foi muito bom consertá-los, sabe porquê? Aprendi e vi, o
quanto os alunos têm uma criatividade sem fronteiras, onde o fim é o infinito,
pois sempre querem mais. Teve até choro de uma aluna porque não conseguiu
fazer uma crônica, só que depois de um tempo ela conseguiu. Sabe como? Em cima
das suas dificuldades.
Meu Deus! Tem umas crônicas que não querem abrir no
disquete, o jeito é digitar as que faltam tudo de novo, Haja paciência, para
complicar o computador está com vírus o que fazer? Será que é um complô
contra mim e a minha equipe? Estou tão empenhado nesse projeto mas preciso
ficar calmo, os computadores estão sendo vacinados. Puxa! Até que enfim
conseguimos.
Depois dessa correria para aprontá-las chegamos a um ponto
que nós coordenadores já estávamos cansados,
parecia que as coisas que aconteciam a nossa volta não tinha mais sentido, pois
o que importava era aprontar as danadas crônicas, que nos deu tanto trabalho
para serem consertadas e digitadas.
Quanta confusão! só
para relatar os fatos mais engraçados acontecidos durante uma semana de
trabalho no projeto. Eu já estava muito bala, pois fiz a primeira crônica e a
maioria do pessoal só botam defeitos, então para acabar com tudo isso, vamos
fazer uma rápida reprise.
Nos
primeiros dias só era alegria. Para falar a verdade as coisas que iriam ser
feitas seriam as mais fácies. Agora se prepare para a história dos dias
seguintes que vem por ai, por causa de tanto trabalho que deram
essas crônicas.
O que a gente mais fez foi rir sabe por quê? A professora
queria ser enforcada e ser pendurada na árvore do pátio
da escola porque achava que não iria dar tempo de entregar o esqueleto
do livro a tempo. Já a outra avisava:
- “se vocês destruírem meu lar,
eu vou morar na casa de vocês, pois já faz uma semana que eu não vou em casa
almoçar, trabalhando nesse projeto”. E eu que estava tão cansado só faltava
dormir em pé. Mas depois de tudo isso nada de grave aconteceu, fora a
professora que desligou o computador com o esqueleto do livro dentro. Parecia
que não tinha sido salvo. Só depois viu a besteira que ela fez, mas não se
preocupe os arquivos tinham sido salvos. Só que antes disso, ela foi até a
chave geral e religou os computadores. Antes que ligasse teve até oração para
que os arquivos não tivessem se perdido naquele vasto mundo de números, mas
tudo acabou bem.
E por fim, como a nossa dedicada professora não tinha almoçado,
quando foi tomar o lanche que a senhora da cozinha fez com tanto carinho, o café
tinha ficado frio de tanta demora e a macaxeira virado mingau de tão mole que
estava.
Depois disso, ainda entrava na sala onde estávamos
trabalhando um monte de gente falando. Parecia que
estávamos dentro de um
comitê político.
As crônicas estavam prontas. Agora tínhamos
que fazer o apanhamento do preço do coquetel. Que chique! Vai ali, vai
acolá, negocia aqui e acaba ficando com o de lá. Esqueci de mencionar, vai
haver uma noite de autógrafos para lançamento do livro e o destaque principal
será nós, estudantes, divulgando o trabalho de futuros cronistas.
Ah! Esqueci ainda de dizer: - viu como não é difícil fazer
uma crônica? você pode ser o próximo cronista, transformando fatos banais em
literatura.