A violência de gênero é um problema mundial ligado
ao poder, privilégios e controle masculinos. Atinge as mulheres
dependente de idade, cor, etnia, religião, nacionalidade, opção
sexual ou condição social. O efeito é sobretudo
social, pois afeta o bem-estar, a segurança, as possibilidades de
educação e desenvolvimento pessoal e auto-estima das mulheres.
Historicamente, à violência doméstica e sexual
somam-se outras formas de violação dos direitos das mulheres:
da diferença de remuneração em relação
aos homens à injusta distribuição de renda; do tratamento
desumano que recebem nos serviços de saúde ao assédio
sexual no local de trabalho. Essas discriminações e sua invisibilidade
agravam os efeitos da violência física, sexual e psicológica
contra a mulher.
Se hoje contamos com leis que avançam no campo dos direitos humanos, outras ainda são tão anacrônicas que precisam ser alteradas com urgência. A incompatibilidade entre a lei e a prática social, assim como os esforços insuficientes dos governos para fazer valer os acordos internacionais nesta questão constituem-se em negação dos direitos humanos.
No ano 2000, os países membros da ONU avaliarão os desafios
propostos e os avanços alcançados no processo da IV Conferência
Mundial sobre a Mulher. Se o exercício da cidadania se dá
no cotidiano, lutar pelo fim da violência contra a mulher requer
um esforço diário.Pois a justiça com equidade social
só será alcançada se toda a sociedade se comprometer
a erradicar a violência como uma prática “natural” e promover
a democracia não apenas no espaço público, mas também
nas relações privadas.