Mulheres em situação de violência freqüentam com assiduidade os serviços de saúde. Em geral, apresentam “queixas vagas” e muitas vezes os exames não apontam resultados alterados.
Por isso, é importante que nos serviços de saúde haja um trabalho multiprofissional, onde qualquer profissional - da auxiliar de limpeza ao médico ou médica - esteja apta/o a ouvir com atenção e respeito os problemas da usuária. Junto a este atendimento, é preciso que se desenvolva a articulação dos serviços de saúde com outros, tais como casas-abrigo, delegacias da mulher e escolas, cabendo ao profissional de saúde diagnosticar, orientar e encaminhar a mulher em situação de violência.
O uso de um plano de ação e protocolos específicos para este atendimento, assim como o investimento na capacitação dos profissionais de saúde são fundamentais para favorecer a confiança das mulheres e, em conseqüência, tornar visível as dimensões reais do problema e criar condições para o seu enfrentamento. No Brasil, já existem diversas iniciativas neste sentido. Fonte: Casa de Cultura da Mulher Negra, 1999.
Algumas medidas podem ser tomadas para se humanizar o atendimento às mulheres vítimas de violência. Leia as recomendações elaboradas pela Casa de Cultura da Mulher Negra
- Entrevistar a mulher sozinha e verificar se ela está em segurança ao dar esta informação. Falar sobre o problema ajuda a aliviar a tensão que vive mulher. A maioria das mulheres espancadas, se perguntada, discutirá a violência no seu relacionamento.
- Documentar a história do incidente atual e violências passadas na ficha médica. Anotar na ficha médica quem a machucou.
- Realizar exame físico completo, incluindo exame neurológico e raio-x para identificar fraturas novas e antigas. Verificar possível abuso sexual por parte do parceiro. Usar mapa anatômico para indicar a localização de lesões passadas e atuais.
- Se a mulher tem filhos, verificar se as crianças sofrem violência.
- Esclarecer a mulher espancada sobre os seus direitos legais e encaminhá-la para orientação.
- Os critérios aplicam-se, no mínimo, aos seguintes tipos de abuso: agressão física; estupro ou outra forma de molestamento sexual; violência doméstica contra esposas, companheiros e crianças.
- Os procedimentos para avaliação das pacientes devem
ter o consentimento das mesmas.