VIOLÊNCIA INSTITUCIONAL

hegemônica em instituições como os serviços públicos, a mídia e empresas privadas.

Assédio sexual no local de trabalho
A Plataforma de Ação Mundial da IV Conferência Mundial sobre a Mulher, da qual o Brasil é signatário, definiu o medo da violência, incluindo o assédio sexual, como um constrangimento permanente para a mobilidade da mulher que limita o seu acesso às atividades e recursos básicos. O documento recomenda aos governos adotar ou aplicar as leis pertinentes, revisá-las e analisá-las periodicamente a fim de assegurar eficácia para eliminar a violência contra a mulher, com ênfase na prevenção da violência e na punição dos infratores. Destaca a necessidade de se desenvolver programas e procedimentos para eliminar o assédio sexual e todas as outras formas de violência contra a mulher em instituições de ensino e locais de trabalho e onde quer que se estabeleçam relações desiguais de poder. Fonte: Fêmea, out/97.

Mulheres presidiárias
No Brasil não são raras as denúncias da falência do sistema penitenciário e suas repercussões junto às mulheres encarceradas, sendo difícil o acesso a fontes de informação sobre o tema.

A violência contra mulheres presas não é um fenômeno local. Violações nos presídios americanos foram denunciadas pela Anistia Internacional, que reportou casos de estupros e outros tipos de abuso sexual, restrições cruéis e degradantes às mulheres presas que estão grávidas ou seriamente doentes, acesso inadequado às necessidades básicas para se manterem física e mentalmente saudáveis, confinamento e isolamento por períodos muito prolongados em condições que reduzem os estímulos sensoriais. Fonte: http://www.amnesty.org/ailib/intcam/women/index.html

A Mulher na Mídia
Pesquisa divulgada pela Media Watch, em 1995, cobrindo 71 países mostrou que as mulheres, apesar de ocuparem então, 43% dos postos de atividade nas redações de rádios, tvs e jornais em todo o mundo, representavam apenas 17% das fontes de notícias. Nos assuntos de política ou economia, a mulher apareceu, respectivamente, em 7% e 9% das matérias analisadas. Nas artes, nos problemas sociais ou de saúde, o índice subiu para 30%.  Fonte: Centro de Estudios de la Mujer, citado por FEMPRESS, 1995.

A programação da televisão brasileira não transmite a imagem real e verdadeira da mulher. Esta é a opinião de 79% das 253 mulheres entrevistadas pela ONG TVer, no estado de São Paulo, em fevereiro deste ano. Para 59% das mulheres ouvidas, a programação não reflete a sua realidade, e 88% acreditam que a TV erotiza as meninas antes do tempo. De acordo com a pesquisa, a mulher apresentada pela TV não existe, seja no perfil físico, seja no psíquico. Para a TVer, isto ocorre porque a grande maioria dos programas é dirigida ao público masculino. Fonte: TVer, citada por FSP, 06/03/99.
Violência nos serviços de saúde

Muitas mulheres que se dirigem aos serviços de saúde enfrentam um atendimento marcado pela violência. Não são raros os relatos de casos de curetagem sem anestesia, quando em início de aborto; tratamento preconceituoso, negligência e maus-tratos nas situações de aborto provocado; falta de esclarecimentos e orientações adequadas; exames ginecológicos feitos com pouco cuidado; falta de privacidade quando examinadas; abuso sexual por parte dos profissionais e tratamento preconceituoso em casos de violência sexual. Fonte: Mulher e Saúde, 1993.

Pesquisa em Brasília, sobre aborto legal, constatou que o atendimento prestado pelo IML/DF às mulheres vítimas de estupro restringe-se aos aspectos criminalísticos. O estudo revela que ao procurar as instituições de assistência, essas mulheres têm expectativa de um atendimento à saúde digno, humano e eficaz, porém esbarram em problemas como: falta de profissionais especialmente treinados para atendê-las; desinformação e desarticulação entre o IML e os serviços de saúde; equívocos sobre os conceitos de imparcialidade e humanização do atendimento. Todas as entrevistadas receberam encaminhamento, mas poucas foram orientadas em relação ao direito ao aborto legal ou à realização de exames e prevenção/profilaxia de DST/AIDS. Fonte: COSTA & MOURA, 1999.

Apenas uma em cada dez mulheres em situação de violência que procuram atendimento médico é oficialmente reconhecida pelos profissionais de saúde como mulher espancada. Na maioria dos casos, o espancamento é negado ou é diminuída sua importância. As respostas médicas às mulheres espancadas tendem a se limitar ao tratamento das lesões físicas causadas pelo espancamento e, em muitos casos, a culpar a vítima pela violência. Fonte: Casa de Cultura da Mulher Negra, 1999.
 

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